E Mel Gibson está de volta. Depois de anos fazendo filmes ruins como ator e se envolvendo em escândalos, ele volta à boa forma como diretor. Tudo bem que quando o filme começou, parecia que estava prestes a assistir a um drama batido, baseado num romance açucarado entre um rapaz estranho e uma bela enfermeira. Contudo, felizmente eu estava enganado, até porque o que realmente vale a pena no filme é justamente quando Desmond Doss (Andrew Garfield) se alista e já em seu treinamento militar se recusa a tocar numa arma. A partir daí, o filme deslancha para uma obra merecedora de toda a atenção. Os dilemas morais propostos, a perseguição até a redenção, tudo com base na fé e em princípios esquecidos pela maioria das pessoas. As intenções de Doss são ao mesmo tempo bonitas e controversas. Ele sabe que na guerra há muita morte e sangue, onde a luta pela sobrevivência e por um ideal controla a vida dos soldados. Porém, ele só quer salvar vidas, e faz isso da maneira que pode. O filme lembra muito a Nascido Para Matar, um dos meus filmes favoritos de guerra, em parte pelas cenas de treinamento e em outras por ser também uma crítica antibelicista. Não acho que o filme chega a ser uma obra-prima como o filme de Kubrick, mas é inegável a qualidade técnica, principalmente nas cenas de batalha (que são extraordinariamente bem feitas), e na narrativa fluida que mantém um ótimo ritmo e a atenção a todo momento. O elenco é outro ponto forte. Andrew Garfield está excelente, e sua indicação a prêmios é bem válida, embora ache que ele não ganhará o Oscar. Ele é um ator que tem carisma e presença em cena, tornando impossível não simpatizar com sua caracterização. Além dele, temos ainda ótimas performances de Hugo Weaving e Rachel Griffiths como os pais de Desmond. Sam Worthington e Vince Vaughn têm atuações que não comprometem. O filme, baseado em fatos reais, tem momentos em que a emoção envolve o espectador de tal maneira, que fica fácil gostar do filme, mesmo com os exageros narrativos e os inúmeros clichês que pipocam a cada instante na tela. Um filme que faz um retrato interessante e reflexivo da guerra, onde o valor do indivíduo é bastante importante. E mostra ainda que a fé pode realmente mover montanhas.