Um heroi de guerra ou um assassino frio? Difícil dizer qual a melhor forma de descrever Chris Kyle (Bradley Cooper), o protagonista deste polêmico filme de Clint Eastwood. Na verdade vi 6 dos 8 filmes indicados a melhor filme no Oscar por enquanto, e este sem dúvida é o mais controverso. Mas ainda assim é algo meio velado, sem grandes intenções de levar o público a pensar profundamente sobre os horrores mostrados em cena. O filme lança na tela vários questionamentos sobre a guerra, mas não desenvolve a contento nenhuma delas. Como todos sabem (ou pelo menos deveriam saber), numa guerra não há o que poderia se dizer exatamente de lado vencedor e perdedor. Guerras sempre me parecem desnecessárias, e os verdadeiros idealizadores quase nunca estão na linha de frente. Mas o filme não é sobre isso. Sniper Americano narra a história real do mais eficaz atirador do exército americano. A princípio um homem humilde, que tinha sonho em ser caubói na sua terra natal (Texas), mas ele sente que lhe falta algo. Um exímio sniper desde muito jovem, ele decide lutar na guerra contra o terror após árduo treinamento, motivado pela tragédia de 11 de setembro de 2001. Daí em diante, o cara passa a focar mais em sua empreitada militar do que em sua família composta por mulher e dois filhos. Aqui percebe-se gradativamente (mais uma vez caindo nos clichês do gênero, mas que se faz inevitável) a mudança que a guerra causa no psicológico de seus combatentes, em especial Chris
, que não poupa nenhuma ameaça (não quero contar nenhum spoiler, mas...).
O roteiro tem uma narrativa meio arrastada, e aparentemente tenta ser imparcial (apesar de não o conseguir). A questão do “olho por olho” tem uma forte influência aqui. Não se trata apenas de patriotismo barato, o que mais move os americanos é o sentimento de vingança pela morte de companheiros de combate. Eastwood não nos brinda com um dos seus melhores filmes, e nem me parece muito inspirado. Sua direção é firme, sem firulas, e diria até mesmo enfadonha. E assim também me pareceu a atuação supervalorizada de Bradley Cooper. O cara virou um brucutu para seguir os passos do atirador original, mas sua atuação me pareceu apenas linear, nada que justifique a indicação a tantos prêmios. Tudo bem que ele consegue demonstrar a frieza domando a candura inicial, e o cara até tem certo carisma, mas não me pareceu nada excepcional (assim como a ótima Jessica Chastain que também foi supervalorizada no mediano A Hora Mais Escura). Acho que nem seria uma zebra se ele ganhasse o Oscar. Seria uma verdadeira festa numa savana africana destes belos e simpaticíssimos animais. O filme tem cenas muito interessantes, que causam angústia, arregalam os olhos do espectador e que até mesmo chocam pelo realismo. Mas elas são intercaladas com cenas de pura mesmice e que geram alguns bocejos de tédio. E o final é muito mal esclarecido. É fácil de entender, mas o desfecho é jogado na tela de forma bastante abrupta e sem maiores explicações. Enfim, é um filme que peca pela irregularidade, embora seja na maior parte do tempo interessante. Sniper Americano só não acrescenta muita coisa. Um filme bem realizado tecnicamente, que não conta nenhuma novidade e nem mesmo exala algum frescor, apostando somente no realismo, já que se trata de uma história real. No fim das contas, é uma obra que será facilmente esquecida.