O novo filme do espião britânico 007 se mostra burocrático e filosófico no mesmo molde do anterior, até por que, se trata do mesmo diretor, Sam Mendes (Operação Skyfall e Beleza Americana). O primeiro ato do longa se apresenta de forma interessante com um belo plano sequência, uma fotografia digna de Hoyte Van Hoytema , e uma ação frenética com explosões e piruetas de helicópteros, demonstrando toda a experiência de Mendes no take. Nessa missão, 007 (Daniel Craig) precisa por fim, literalmente, a organização criminosa Spectre, liderada por um de seus piores antagonistas Franz Oberhauser (Christoph Waltz ), que em um futuro se tornará o vilão icônico e seu inimigo número 1 “Blofeld” (aquele cara careca c/ uma cicatriz em volta dos olhos que vive acariciando um gato).
007 contra Spectre faz um recap dos principais vilões dessa nova franquia liderada por Craig, e expõe para o público como se fosse tudo um plano da organização do polvo (símbolo de Spectre). A narrativa de Jonh Logan não contribui de forma positiva para um filme de ação nos moldes de espiões, polpa aparatos tecnológicos ao mesmo tempo que descarrega uma trilha contrastante em várias cenas, tornando a produção cansativa, cheia de diálogos, metáforas e referências para agradar o fandom de 007. Convenhamos que mesmo sendo um filme lento, as locações são belíssimas, assim como o design de produção executado com perfeição por Dennis Gassner, passando pelo México, Roma, Tóquio e Áustria, cenários que agregam todo o charme dos filmes de Bond.
A película usada por Mendes lembra muito os filmes de David Fincher e Denis Villeneuve, pois se apresenta de forma dark, semelhante a um suspense dos diretores. Talvez seja uma estratégia do diretor para puxar o longa ao suspense e tapar o buraco da ação que deixa a desejar em vários quesitos.
Provavelmente, esse seja o último filme de Daniel Craig na pele do agente (mesmo tendo mais 1 filme no contrato), depois de várias declarações do ator e por apresentar um Bond cansado, no fim de carreira nessa nova trama, tudo nos leva a crer que o terno será passado a um sucessor.