A Caça
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4,4
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120 Críticas do usuário

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Marcio S.
Marcio S.

108 seguidores 126 críticas Seguir usuário

3,0
Enviada em 17 de novembro de 2013
O diretor Thomas Vinterberg (que também é um dos roteiristas com Tobias Lindholm) nos entrega um drama em que nos mostra uma face que procuramos manter escondida dentro de nós: julgamos sem sermos imparciais.
Lucas (Mads Mikkelsen) trabalha em uma creche e busca se reerguer após um divórcio. Gostaria que seu filho morasse com ele. É um indivíduo de bom coração e possui vários amigos. Quando um dia uma das crianças da creche e filha de um dos seus grandes amigos diz para a diretora da creche que ele se insinuou sexualmente para ela, sua vida é transformada em um inferno e aqueles que se diziam seus amigos passam a desejá-lo pelas costas.
Mads Mikkelsen realiza um bom desempenho na caracterização de seu personagem. Em uma cena em que sai da creche após ser acusado, vejo em seu rosto uma dúvida, um atordoamento de não saber ainda ou de não ter caído à ficha ainda do que está acontecendo. Annika Wedderkopp interpreta Klara e apesar da idade realiza um trabalho muito bom. Com seu olhar vago ou um tique consegue nos indicar uma tristeza ou doença velada (ela tem TOC). Ao mesmo tempo consegue estar em um momento com uma expressão alegre e se fechar em seguida.
Thomas Vinterberg estabelece o quanto Lucas é querido tanto pelos alunos quanto pelo seu grupo de amigos. Assim acaba nos manipulando para sofrermos mais com o que Lucas irá passar. Sabemos de informações que os personagens não sabem e isso nos tortura e nos irrita. Somos expectadores de uma caça ao protagonista e não podemos fazer nada. Acabamos passivos como em muitos casos em nossa vida. Às vezes a passividade não é uma inércia e sim as circunstâncias que nos obrigam a essa paralisação. Sem contar que inúmeras vezes julgamos pelo simples fato do horror que é a situação, sem ponderarmos fatos e versões. Dessa maneira acabaríamos apedrejando Lucas como as pessoas a seu redor fizeram.
Por o diretor nos manipular dessa maneira, ele não se preocupa, em minha opinião, em ser verossímil, pois é nítido que Klara tem um problema e que aceitar tudo que vem de sua mente é um pouco forçado. A maneira como ela é interrogada ou a maneira com que o caso é tratado na creche faz com que nos afastemos um pouco da trama. Passamos a não aceitar muito bem a situação e acabamos nos revoltando mais com o diretor (e com o filme) por ver que o mais importante que o diretor quer é ir fundo na possível destruição da vida de Lucas a fim de que assistamos uma verdadeira injustiça.
Dessa maneira apesar de ser um filme interessante não consegui apreciar tanto a caça realizada ao personagem.
anônimo
Um visitante
3,5
Enviada em 23 de setembro de 2024
O filme A Caça (2012), dirigido por Thomas Vinterberg, é uma obra densa e perturbadora que provoca debates profundos sobre justiça, moralidade e a fragilidade das relações humanas. A narrativa foca em Lucas (interpretado por Mads Mikkelsen), um homem que, após dar entrada em seu divórcio, começa a reconstruir sua vida em uma pequena comunidade. Ele arranja um emprego numa creche, se envolve com uma nova namorada e anseia pela visita de Natal de seu filho, Marcus. No entanto, todo esse progresso é interrompido quando Klara, uma menina de cinco anos e filha de seu melhor amigo, faz uma acusação de abuso sexual contra ele.

O filme retrata de maneira crua e realista as consequências dessa acusação, que, embora não tenha sido feita com malícia pela criança, é rapidamente aceita como verdade pela comunidade. Lucas se torna alvo de desconfiança, ódio e violência. Amigos de longa data e colegas de trabalho, que antes o viam com respeito e estima, passam a tratá-lo como um pária. A acusação se espalha rapidamente, e Lucas, que sempre manteve uma postura tranquila e responsável, é imediatamente condenado sem provas concretas, demonstrando o poder destrutivo de rumores e acusações infundadas.

A premissa do filme é polêmica e altamente complexa, abordando a sensibilidade de um tema difícil: a acusação de abuso infantil. A forma como Vinterberg constrói a narrativa é brutalmente eficaz, revelando a rapidez com que uma comunidade pode transformar uma pessoa de estimada a marginalizada, baseada apenas em suspeitas e medo. A maneira como o filme aborda essa questão é extremamente relevante, uma vez que trata de uma problemática contemporânea que desafia a sociedade: como equilibrar a proteção infantil com a busca pela verdade e a justiça para todos os envolvidos?

Mads Mikkelsen entrega uma atuação excepcional como Lucas. O ator é conhecido por sua capacidade de interpretar personagens com profundidade emocional, e aqui não é diferente. Ele transmite com maestria a dor, o desespero e a impotência de um homem injustamente acusado e que luta para manter sua dignidade e sanidade em meio a um colapso social. A atuação de Mikkelsen confere ao personagem uma mistura de vulnerabilidade e resistência, fazendo o público simpatizar com seu sofrimento, mesmo quando ele parece estar à beira de sucumbir ao desespero.

Ao longo do filme, Lucas é verbalmente atacado, agredido fisicamente e isolado de todos ao seu redor. Esse isolamento é intensificado pelo desgaste em seus relacionamentos pessoais, particularmente com seu filho Marcus e sua namorada, que se encontram divididos entre acreditar em sua inocência ou ceder à pressão social que insiste em sua culpa. Essa dinâmica revela não apenas o impacto devastador da acusação na vida de Lucas, mas também o efeito corrosivo que tal suspeita tem sobre as pessoas mais próximas a ele. A forma como essas relações são abordadas no filme faz com que o espectador questione o papel da confiança e da lealdade em momentos de crise.

O filme também traz à tona a crítica ao julgamento precipitado e irracional que frequentemente ocorre em casos de acusações graves. Vinterberg constrói a atmosfera opressiva e sufocante de uma pequena comunidade que se torna vítima de sua própria histeria. À medida que as suspeitas crescem, a razão é abandonada, e o pânico moral se instaura, resultando em atos de violência e ostracismo. A escolha de retratar a destruição da vida de Lucas sem focar no processo judicial propriamente dito — e sim nas consequências sociais — é uma decisão narrativa poderosa, que enfatiza como o julgamento social pode ser mais implacável e destrutivo do que o próprio sistema legal.

O desfecho do filme é ambíguo e carregado de simbolismos. Após ser inocentado, Lucas tenta reconstruir sua vida, mas a cena final sugere que a acusação e o estigma permanecerão com ele para sempre. Durante uma caçada com amigos, Lucas é alvejado por um tiro disparado por uma pessoa não identificada. Esse momento é crucial para a interpretação do filme, pois o tiro representa não apenas a persistência da dúvida e da desconfiança sobre sua inocência, mas também o fato de que, uma vez feita, a acusação jamais poderá ser completamente apagada. O "tiro" final é uma metáfora poderosa para as palavras e julgamentos que, embora injustos, continuam a assombrar a vida de Lucas, impossibilitando uma verdadeira retomada de sua normalidade.

Há diversas interpretações para o final de A Caça. Alguns espectadores podem enxergar o tiro como uma manifestação literal do desejo de vingança de alguém da comunidade que ainda acredita na culpa de Lucas. Outros, no entanto, podem interpretar a cena de forma mais simbólica, vendo o tiro como uma metáfora para a violência emocional que Lucas continua a sofrer, mesmo após ser absolvido legalmente. A ideia de que "as palavras jamais serão retiradas" reflete a impossibilidade de se restaurar completamente a reputação de alguém que foi manchada por uma acusação tão grave, independentemente de sua inocência.

A Caça é um filme impactante que aborda temas sensíveis com uma abordagem complexa e inquietante. Ao expor as consequências de uma falsa acusação de abuso sexual, o filme desafia o público a refletir sobre a natureza da justiça, da confiança e do julgamento moral. O filme não oferece respostas fáceis, mas nos deixa com uma mensagem poderosa sobre o impacto irreversível.
Ricardo F.
Ricardo F.

21 seguidores 3 críticas Seguir usuário

3,5
Enviada em 31 de janeiro de 2014
Quer sentir raiva? Assista esse filme, não, o filme não é ruim, mas gera no espectador uma raiva, um sentimento de injustiça incrível, uma vez que a população de uma cidade inteira passa repentinamente a pensar como uma manada de bois. Não vejo muito ligação da história com o título do filme, já que não há de fato caçada alguma. E o final, bem, o final eu realmente gostaria que alguém me explicasse. Até tenho um palpite, mas não sei exatamente se pode ser o que estou pensando.
Isis Lourenço
Isis Lourenço

7.622 seguidores 772 críticas Seguir usuário

3,5
Enviada em 1 de abril de 2016
Já tinha lido algumas criticas dele antes de ver e compreendi as pessoas que disseram que o filme spoiler: acaba sem uma explicação,sim,acaba e ao meu ver é essa a proposta deixar uma dúvida no ar,apesar de eu
conseguir distinguir muito bem o que ocorreu,é duro,é real e é chocante.
Sidney  M.
Sidney M.

29.815 seguidores 1.082 críticas Seguir usuário

3,5
Enviada em 25 de maio de 2014
A Caça tem momentos bem intensos, que é concluído com interpretações de tirar o chapéu. È um bom filme, mas não é daqueles que quando acaba você sai sorrindo e feliz.
Cristiano M
Cristiano M

10 seguidores 45 críticas Seguir usuário

3,0
Enviada em 15 de agosto de 2017
vale a pena assistir. Não achei aquele filme maravilhoso, digno de indicações ao Oscar. Mas consegue cativar, embora num tom morno.
Márcia S.
Márcia S.

1 crítica Seguir usuário

3,5
Enviada em 24 de março de 2013
Mataram o cachorro e os veados de verdade? Caso positivo, não acho legal matarem animais para fazer sucesso, usando o sofrimento destes. É covardia! E, a comemoração da caça é feita com atos muito violentos, com os homens batendo na mesa, com tanta agressividade. Os Dinamarqueses são assim violentos, como mostra o filme?
O tema do filme é interessante. Poderiam tê-lo feito sem estas cenas violentas, que não lhe acrescentam nada. Sendo a história, o suficiente.
Leonardo A.
Leonardo A.

4 seguidores 6 críticas Seguir usuário

3,5
Enviada em 19 de abril de 2015
Muito interessante, o filme consegue passar os sentimentos do personagem principal. Ótimos atores, todos todos, sem exceção.
Alebas
Alebas

2 seguidores 20 críticas Seguir usuário

3,5
Enviada em 14 de novembro de 2017
Filme bom, retrata a vida em uma cidade pequena onde um pingo d'água , facilmente vira tempestade e o ator
Mads Dittman Mikkelsen brilhante como sempre.
Ernandes M
Ernandes M

11 críticas Seguir usuário

3,0
Enviada em 30 de outubro de 2025
Um drama que nos traz uma injustiça, é um caso muito delicado que nos faz lembrar de sempre ter muita cautela antes de acusar alguém. Nao gostei do final do filme, é uma metáfora que poderia ter sido as claras mostrando o rosto do atirador.
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