A Caça tem momentos bem intensos, que é concluído com interpretações de tirar o chapéu. È um bom filme, mas não é daqueles que quando acaba você sai sorrindo e feliz.
Quer sentir raiva? Assista esse filme, não, o filme não é ruim, mas gera no espectador uma raiva, um sentimento de injustiça incrível, uma vez que a população de uma cidade inteira passa repentinamente a pensar como uma manada de bois. Não vejo muito ligação da história com o título do filme, já que não há de fato caçada alguma. E o final, bem, o final eu realmente gostaria que alguém me explicasse. Até tenho um palpite, mas não sei exatamente se pode ser o que estou pensando.
O diretor Thomas Vinterberg (que também é um dos roteiristas com Tobias Lindholm) nos entrega um drama em que nos mostra uma face que procuramos manter escondida dentro de nós: julgamos sem sermos imparciais. Lucas (Mads Mikkelsen) trabalha em uma creche e busca se reerguer após um divórcio. Gostaria que seu filho morasse com ele. É um indivíduo de bom coração e possui vários amigos. Quando um dia uma das crianças da creche e filha de um dos seus grandes amigos diz para a diretora da creche que ele se insinuou sexualmente para ela, sua vida é transformada em um inferno e aqueles que se diziam seus amigos passam a desejá-lo pelas costas. Mads Mikkelsen realiza um bom desempenho na caracterização de seu personagem. Em uma cena em que sai da creche após ser acusado, vejo em seu rosto uma dúvida, um atordoamento de não saber ainda ou de não ter caído à ficha ainda do que está acontecendo. Annika Wedderkopp interpreta Klara e apesar da idade realiza um trabalho muito bom. Com seu olhar vago ou um tique consegue nos indicar uma tristeza ou doença velada (ela tem TOC). Ao mesmo tempo consegue estar em um momento com uma expressão alegre e se fechar em seguida. Thomas Vinterberg estabelece o quanto Lucas é querido tanto pelos alunos quanto pelo seu grupo de amigos. Assim acaba nos manipulando para sofrermos mais com o que Lucas irá passar. Sabemos de informações que os personagens não sabem e isso nos tortura e nos irrita. Somos expectadores de uma caça ao protagonista e não podemos fazer nada. Acabamos passivos como em muitos casos em nossa vida. Às vezes a passividade não é uma inércia e sim as circunstâncias que nos obrigam a essa paralisação. Sem contar que inúmeras vezes julgamos pelo simples fato do horror que é a situação, sem ponderarmos fatos e versões. Dessa maneira acabaríamos apedrejando Lucas como as pessoas a seu redor fizeram. Por o diretor nos manipular dessa maneira, ele não se preocupa, em minha opinião, em ser verossímil, pois é nítido que Klara tem um problema e que aceitar tudo que vem de sua mente é um pouco forçado. A maneira como ela é interrogada ou a maneira com que o caso é tratado na creche faz com que nos afastemos um pouco da trama. Passamos a não aceitar muito bem a situação e acabamos nos revoltando mais com o diretor (e com o filme) por ver que o mais importante que o diretor quer é ir fundo na possível destruição da vida de Lucas a fim de que assistamos uma verdadeira injustiça. Dessa maneira apesar de ser um filme interessante não consegui apreciar tanto a caça realizada ao personagem.
Mataram o cachorro e os veados de verdade? Caso positivo, não acho legal matarem animais para fazer sucesso, usando o sofrimento destes. É covardia! E, a comemoração da caça é feita com atos muito violentos, com os homens batendo na mesa, com tanta agressividade. Os Dinamarqueses são assim violentos, como mostra o filme? O tema do filme é interessante. Poderiam tê-lo feito sem estas cenas violentas, que não lhe acrescentam nada. Sendo a história, o suficiente.
Caso você continue navegando no AdoroCinema, você aceita o uso de cookies. Este site usa cookies para assegurar a performance de nossos serviços.
Leia nossa política de privacidade