Trapaça
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Lucas S. Lima
Lucas S. Lima

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3,0
Enviada em 8 de fevereiro de 2014
Crítica: Trapaça

David O. Russell se diz um diretor de personagens. Que dá total liberdade para os atores e atrizes criarem e, às vezes, até improvisarem. Inclusive, não à toa, pelo segundo ano consecutivo um filme seu coloca atores na disputa pelas quatro premiações de atuação no Oscar. Repetindo o feito de O lado bom da vida (Silver Linings Playbook, 2013) que colocou na disputa Bradley Cooper, Jennifer Lawrence, Robert DeNiro e Jackie Weaver. Agora com Christian Bale, Amy Adams e, novamente, Cooper e J. Lawrence, dessa vez na categoria de apoio.
O filme mostra Irving Rosenfeld (Christian Bale), um grande trapaceiro, que trabalha junto da sócia e amante Sydney Prosser (Amy Adams) em um negócio que envolve obras de arte roubadas ou falsificadas, e enganando pessoas sob a promessa de ter contatos com bancos no exterior para conseguir empréstimos. Os dois são forçados a colaborar com o agente do FBI Richie DiMaso (Bradley Cooper), infiltrando-o no perigoso e sedutor mundo da máfia. Ao mesmo tempo, o trio se envolve na política do país, através do candidato Carmine Polito (Jeremy Renner), onde têm a chance de uma grande operação para flagrar políticos corruptos. Os planos parecem dar certo, até a esposa de Irving, Rosalyn (Jennifer Lawrence), aparecer e mudar as regras do jogo.
Trapaça é um bom filme, porém, não mais do que isso. É divertido e conta com uma direção bem fluída em uma câmera bastante participativa, que vai de personagem à personagem e passea pelo cenário de forma dinâmica e natural, o que é uma característica marcante desse talentoso diretor.
O ponto forte mesmo está nas atuações e composições de personagem. Christian Bale mais uma vez se transforma fisicamente para um papel. Com uma ‘meia-careca’ que exige um certo cuidado na hora de colocar a peruca e uma barriga bem avantajada, ele chama a atenção. Bale faz Irving, um trapaceiro que tem como desculpa o fato de que todo mundo precisa arrumar um jeito de sobreviver e não ficar pra traz. Aliás, é essa característica que chama a sua atenção para a bela Sydney Prosser (Amy Adams). Durante uma festa eles se conhecem e se dão muito bem. Um passa certa segurança e confiança para o outro, tanto que Irving se sente à vontade pra contar sobre todos os seus “negócios” pra ela, que, por sua vez, se oferece como um trunfo para atrair clientes.
Bradley Cooper também se destaca protagonizando as cenas mais engraçadas do longa. Principalmente quando as divide com Louis C. K, que faz seu chefe Stoddard, e que nunca consegue terminar a sua história do gelo, sendo interrompido pelo apressado DiMaso.
Fazendo o político bem-feitor Carmine Polito, está Jeremy Renner. O ator tem grande participação mas não muito destaque, sendo sempre ofuscado pelos outros atores. Vale destacar que o fato de ser retratado como um político com ótimas intenções causou um pouco de alvoroço, já que na realidade – o filme é baseado em fatos reais na operação conhecida como Abscam – o político era, também, um corrupto.
E temos, ainda, a talentosa Jennifer Lawrence. Sensação em Hollywood, ela compõe uma personagem desequilibrada emocionalmente e que causa uma grande dor de cabeça para o personagem de Bale, que não consegue abandoná-la devido ao filho que têm juntos (por ele adotado), e aos seus talentos na cama.
O filme conta ainda com a participação especialíssima da lenda Robert DeNiro, que interpreta o mafioso Victor Tellegio e está em uma das cenas mais engraçadas do filme.
Outros destaques ficam por conta da direção de arte que faz um excelente trabalho de recriação de época, nas roupas, cabelos (perucas), telefones, etc. Na bela fotografia fria e dessaturada, e com uma paleta colorida que indica o tom cômico do filme. E na trilha sonora bastante apropriada para época em que o longa se passa – final dos 70 início dos 80. Com direito a “performance” de J. Lawrence na música Live and Let Die.
Se você gosta de grandes atuações e composições de personagem e de um diretor que a cada novo trabalho mostra que veio pra ficar, esse filme é um prato cheio pra você.
Roberto R.
Roberto R.

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3,0
Enviada em 7 de fevereiro de 2014
Em tempo de premiações, chamam a atenção, os cartazes de muitos filmes apontando vencedores e indicações à prêmios. É claro que no caso de “Trapaça”, isso não foge a regra. 10 indicações ao Oscar, é algo que realmente impressionante para qualquer filme, principalmente por ele estar concorrendo em categorias de peso, como melhor filme, diretor, ator e atriz. Pois bem, então já podemos ver no cinema, o melhor filme do ano ?

A resposta é não. Apesar do número de premiações e indicações, bem como a enorme quantidade de elogios, é até simples, entender porque o filme é apontado como, o perfeito retrato da discrepância entre público e críticos. O Oscar, o maior prêmio que um filme pode receber, tem uma tradição em superestimar certos filmes, que nem sempre são tão brilhantes quanto parecem. “Trapaça” se encaixa perfeitamente nessa situação. O diretor David O. Russell, mais uma vez apresenta um bom filme, que de certa forma ganha status de “novo clássico” para a academia.

Já o público mais sensato, tendo em mente os filmes anteriores de Russel, e em especial, “O Vencedor”, vai perceber que esse é o seu trabalho mais simples e menos autoral. Ainda que siga um ritmo muito parecido com “O Lobo de Wall Street”, seu principal concorrente (já que tratam de temas similares: ascensão e declínio), não existe uma definição ao certo se o filme é um drama, um suspense ou uma comédia, prejudicante um pouco, à sintonia entre público e filme. Em certos momentos, o filme adota um estilo parecido com “Três Reis”, (também de Russell) principalmente no que tange a comédia, com os atores coadjuvantes prevalecendo em relação aos principais e um excelente trabalho de edição. Porém, são lampejos dentro de um filme, diferentemente do filme de Scorsese, que se mantém numa unidade só.

O principal problema, fica então, por conta do roteiro, que emula situações pouco críveis, imaginando que pode se manter à par da realidade e mesmo assim, se estabelecer no plano de adaptação cinematográfica, baseada em fatos concretos. A história é simples, o vigarista Irving Rosenfeld (Christian Bale), junto com sua parceira e amante, Sydney Prosser (Amy Adams), são recrutados e forçados a trabalhar para um agente do FBI, Richie DiMaso (Bradley Cooper), que os utiliza para pegar agentes do poder, tal como prefeito de Nova Jérsei, Carmine Polito (Jeremu Renner). Porém, toda a operação pode ir por água abaixo, se Irving, não controlar sua instável esposa, Rosalyn (Jennifer Lawrence).

Primeiramente, durante todo primeiro ato, a trama ganha um ritmo alucinante, demonstrando a ligação de Irving e Sydney e o surgimento de Richie, formando assim, um triângulo amoroso (tal como em “O Lado Bom da Vida”). É então no segundo ato, que começam alguns problemas. Ao serem “recrutados” para trabalhar com o FBI, são deixadas de lado, questões mais complexas como: o que aconteceu com o “negócio” anterior de Irving; como ele fazia para se sustentar, já que não recebia nenhuma contribuição pelo seu “trabalho”; e a mais crucial de todas, como ele e Sydney planejaram e imaginaram todos os cenários possíveis, antes de protagonizarem às reviravoltas do filme?

O terceiro ato, por fim, demonstra que o filme se sustenta pelas atuações (soberbas, diga-se de passagem) de seu elenco. Se tudo não passava de uma trapaça, os únicos momentos de sinceridade e credibilidade dos personagens, são aqueles protagonizados no final. Porém, nada sustenta com força, todas as surpresas do roteiro, tirando assim, o impacto da mensagem passada pelo filme. É uma pena que todo trabalho de elenco, acabe perdendo sua força, porque foram tomadas saídas mais fáceis.

É nesse ponto em que voltamos à discussão. Será que “Trapaça” foi superestimado ? Acho que a resposta é não. O filme funciona porque não mira um público só, ele se atrela à questões técnicas e emocionais, para conseguir uma ligação com o público (e crítica). E isso não se limita às excelentes atuações, temos também, uma ótima direção de arte, trilha sonora inspiradíssima, edição quase que perfeita e um figurino realmente estarrecedor (em especial, por causa da beleza de Adams e Lawrence). Mas como foi dito, não vermos uma unidade na tela e sim, aspectos individuais que juntos, criam um bom filme.

Se ganhar alguns Oscars, vai ficar claro que a academia olhou o filme como um amontoado de ótimos aspectos individuais, que não funcionaram tão bem assim juntos. Talvez, esse seja o motivo, da discrepância entre a opinião pública e a especializada. Cinema também é emoção, e o Oscar, nem sempre leva isso em conta, priorizando o aspecto técnico, em detrimento do impacto causado pelo filme. A pergunta certa, não é se o Oscar esta certo ou não, e sim, o que para você, realmente importa ?
Davi Vilela
Davi Vilela

5 seguidores 4 críticas Seguir usuário

3,0
Enviada em 6 de fevereiro de 2014
Trapaça é Uma Verdadeira Trapaça

Desde que dirigiu O Vencedor David O. Russel se tornou o queridinho da Academia. Seus últimos três filmes (incluindo Trapaça) conseguiram vinte e seis indicações ao Oscar, entre essas três de Melhor Filme, três de Melhor Diretor e onze para seu elenco, tendo ganhado três Oscars (Ator e Atriz Coadjuvante para Christian Bale e Melissa Leo em O Vencedor e Atriz para Jennifer Lawrence em O Lado Bom da Vida). Mas será que o diretor merece toda essa comoção?

A julgar por seu último filme não. Trapaça é sua obra mais medíocre. Ainda estou tentando entender porque o filme recebeu tantas indicações ao Oscar e ganhou tantos prêmios. O filme, que teve sua história inspirada em um caso real, conta a história de Irving Rosenfeld (Christian Bale) um grande trapaceiro, que trabalha junto com sócia e amante Sydney Prosser (Amy Adams). Os dois são forçados a colaborar com um agente do FBI (Bradley Cooper), infiltrando no perigoso e sedutor mundo da máfia para ajudar a prender alguns criminosos. Ao mesmo tempo, o trio se envolve na política do país, através do prefeito de Nova Jersey Carmine Polito (Jeremy Renner) que é um político corrupto, embora seja um bom pai de família e bom para comunidade, e através dele eles passam a chegar a grandes nomes da política americana também envolvidos em escândalos de corrupção.

Embora tenha uma história aparentemente interessante, David O. Russell não conseguiu dar a ela o charme necessário para que a história ficasse realmente interessante e decolasse, assim como já aconteceu em vários filmes de Hollywood que tratam do assunto trapaça. Não nego que David O. Russell seja um excelente diretor de atores. O elenco está afiadíssimo em especial Amy Adams, que a cada papel vem se firmando como uma grande atriz, ela consegue fazer uma personagem sensual sem ser vulgar, frágil sem ser fraca, e de uma importância absurda a trama. Outro destaque é Jennifer Lawrence que novamente deu um show de interpretação como Rosalyn a mulher desequilibrada de Irving (Christian Bale, que diga-se de passagem está muito bem), tudo bem que parece que sua personagem é a versão mais velha e mais desequilibrada de Tifanny, sua personagem em O Lado Bom da Vida. Mas pra mim o grande nome do filme é Jeremy Renner que construiu um personagem que é corrupto sim, mas você consegue entender o lado dele, ficar do lado dele e até torcer por ele durante o filme. Talvez o mais apagado de todos seja Bradley Cooper, que incrivelmente conseguiu outra indicação ao Oscar, quando quem deveria ter sido indicado era Renner.

Mas embora o elenco esteja afiado e entrosado o filme em momento algum decola. E, pelo menos eu pessoalmente, não consegui me envolver em momento algum com a trama. E algumas coisas contribuíram para isso. A começar pela a narração em off, que foi usada com exaustão aqui. David O. Russell parece que quis fazer um filme didático, explicando cada detalhe, falando sobre cada detalhe da vida dos personagens, para tornar a história mais real aos nossos olhos, o que realmente não era necessário. Nada contra narrações em off, em alguns momentos elas são realmente necessárias, mas ele usou em momentos que poderiam ser chaves pra história e simplesmente te tiram do filme.E o pior é que ele usou para poder tentar fazer a história parecer crível e real, quando no mundo de hoje não era necessário isso para nos fazer acreditar que aquilo realmente aconteceu. Ele simplesmente subestimou a inteligência dos que assistiram o seu filme.

Outra coisa que me incomodou bastante e me fez sair várias vezes do filme, foi o uso de música de forma exaustiva. Embora a trilha escolhida tenha sido espetacular, ela aparece em momentos que não ajudam e te tiram completamente da projeção. Talvez o único acerto nesse ponto é o momento em que Jennifer Lawrence canta “Live and Let Die”, que talvez seja a única cena do filme que eu tenha gostado, naquele momento os sentimentos dela são os passados na música e ela canta e dança de forma desordenada e louca, como se estivesse falando com você e aí entendemos realmente o que ela está sentindo naquele momento. Fora isso, as músicas são simplesmente lançadas ao léu de maneira desordenada e sem sentido. Como se não bastasse isso, parece que David O. Russell simplesmente quer te fazer lembrar a todo momento que aquilo é um filme. Além das narrações em off, que te tiram totalmente da projeção, em determinados pontos do filme aparece a frase “For Your Consideration” (Para sua Consideração), realmente não entendi aquilo, me perguntava a todo instante: “O que ele quer dizer com isso? Que isso aconteceu? Que isso é ficção? Que somos nós que devemos decidir se ocorreu ou não?” Algo que é totalmente desnecessário durante a projeção do filme, porque são em momentos que se é verdade ou não não faria diferença. Novamente ele subestima a inteligência de seus telespectadores.

Mas muito tem se falado também da maquiagem, direção de arte e figurino do filme. Realmente a maquiagem é fantástica em especial de Christian Bale, que sinceramente está bem no filme, mas só foi indicado ao Oscar porque engordou, aquela velha história se você se transforma é um grande ator. A direção de arte é realmente muito boa, a reconstituição de época é incrível, você realmente acredita que o filme se passa nos anos 70. Quanto ao figurino, é muito bom. Mas tenho um problema sério com ele, o decote excessivo da Amy Adams, em vários momentos não consegui prestar atenção ao filme, só conseguia olhar para o decote da roupa, e isso me fez novamente sair do filme. Mas no mais o figurino é com certeza um dos melhores que vi em filmes que destacam uma determinada época no século 20.

Realmente Trapaça tem seus méritos, elenco, direção de arte, figurino, maquiagem, mas isso não faz dele um grande filme. Como comecei esse texto o filme é realmente medíocre por conta de vários pontos que já falei, e em especial por um roteiro confuso, cheio de idas e vindas dos personagens, com um conceito totalmente corrupto, isso fica claro em uma das falas do personagem do Christian Bale, ele diz que os ‘políticos pegaram sim dinheiro com os mafiosos, dinheiro sujo, mas foi para fazer o bem pra população, e isso é descupável’, então você pode cometer um crime desde que seja pra ajudar outros? Além do que o filme começa dizendo que o filme foi inspirado numa história real, mas ao fim da projeção fala que tudo aquilo é uma ficção, o que faz com que o telespectador se sinta enganado. Se esse foi o objetivo do diretor, me desculpe não funcionou. Na verdade ele simplesmente chama cada um daqueles que estão ali sentados assistindo ao seu filme de burros, ele subestima a inteligência do telespectador, achando que não conseguimos distinguir o que é real do que é ficção. Como diz o título desse texto Trapaça é uma verdadeira Trapaça, que muitos americanos caíram, que a Academia caiu, mas tomara que não tenha caído tanto ao ponto de tirar o Oscar daqueles que realmente merecem.
Neto S.
Neto S.

30.587 seguidores 773 críticas Seguir usuário

3,5
Enviada em 27 de janeiro de 2014
Irving Rosenfeld (Christian Bale) é um grande trapaceiro, que trabalha junto da sócia e amante Sydney Prosser (Amy Adams). Os dois são forçados a colaborar com um agente do FBI (Bradley Cooper), infiltrando o perigoso e sedutor mundo da máfia. Ao mesmo tempo, o trio se envolve na política do país, através do candidato Carmine Polito (Jeremy Renner). Os planos parecem dar certo, até a esposa de Irving, Rosalyn (Jennifer Lawrence), aparecer e mudar as regras do jogo. Bom Filme , Eu Nao Achei Quele Excelente Filme Pra Concorre Ao Oscar de Melhor Filme , Mais é Um Bom Filme Nota 8.5
Walisson S.
Walisson S.

3 seguidores 12 críticas Seguir usuário

3,0
Enviada em 26 de janeiro de 2014
Por ter ganhado o globo de ouro de melhor comedia/musical,esperava um pouco mais,faltou adrenalina;No entanto cabe ressaltar as boas atuações e as varias qualidades técnicas.E muito bem feito!
Wellisson L.
Wellisson L.

1 seguidor 6 críticas Seguir usuário

3,5
Enviada em 26 de janeiro de 2014
O elenco como na maioria dos filmes de David O. Russel. e excelente .O roteiro também e muito bom. O filme contem uma boa mistura de humor e drama.E o que dizer da trilha sonora.
Juarez Vilaca
Juarez Vilaca

2.918 seguidores 393 críticas Seguir usuário

3,5
Enviada em 12 de janeiro de 2014
Um bom filme, ótima direção e desempenho dos artistas principais. Amy Adams e Jennifer Lawrence, deslumbrantes. Um dos problemas com filmes de golpes é que o enredo envolve todos, inclusive o expectador. Quando o golpe é descoberto você fica perdido sem saber onde foi que você se perdeu e quando ele começou e isso acontece nesse filme. As tramas são encobertas e outros lances acontecem por sorte dos envolvidos. Vale a pena pela qualidade.
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