O principal objetivo da Expedição A’UWE foi buscar apoio técnico e financeiro para auxiliar as aldeias indígenas de Parabubure a saírem de sua condição de miséria e alertar para o descaso e abandono em que se encontram os membros destas e outras comunidades indígenas no país.
A primeira fase da Expedição começou em 5 de julho de 2004, quando o ator e produtor orgânico Marcos Palmeira – que há 25 anos foi batizado pelos Xavante com o nome de Tsiwari / Sem Medo – e mais sete pessoas rumaram ao coração do Mato Grosso para ver de perto a situação das aldeias, atendendo a um pedido da comunidade Xavante. Foram quinze dias de convívio intenso, em que os integrantes da Expedição A’UWE traçaram um diagnóstico da situação em que vivem cerca de 400 pessoas, presenciaram o ensino das tradições, o fortalecimento da coragem e da determinação junto aos waptés – os adolescentes, o respeito aos rituais de passagem e às cerimônias que traduzem até hoje o espírito daquele povo. O grupo testemunhou também o descaso com que essas comunidades são tratadas pelo poder público, pelos grandes fazendeiros, por interesses estrangeiros, a carência de saúde, de orientação, de educação e a exclusão social a que estão submetidos.
A partir desta primeira expedição, uma equipe já esteve na aldeia São Pedro e ensinou aos Xavante a técnica da Mandala (plantio de várias culturas feito de forma circular, com um lago no meio). Em outubro, fizeram a plantação da primeira Mandala no solo rústico do cerrado do Mato Grosso. No final de janeiro, os índios Xavante das aldeias de São Pedro e Onça Preta começam a colheita da primeira Mandala.
A'UWE significa "povo indígena". A'UWE Uptabi significa “povo verdadeiro”. Vindos do litoral, os Xavante têm origem semi-nômade. Nos anos 70, com a demarcação das terras indígenas, tiveram que se adaptar ao sedentarismo.
O V Fórum Social Mundial, que acontece em Porto Alegre, foi o espaço escolhido pela equipe da Expedição A’UWE para tornar pública a ação e promover a estréia de Expedição A’UWE - A Volta de Tsiwari.