Quando pensamos em filmes da Disney, em especial animações, lembramos logo dos clássicos filmes antigos como Branca de Neve, Cinderela, O Rei Leão, A Bela e a Fera, Aladim e afins. Atualmente, depois que a computação gráfica passou a reinar quase que absoluta nas animações, com todos os efeitos tridimensionais a que tem direito, os filmes ficaram ainda mais dinâmicos e coloridos, até mesmo porque a concorrência de estúdios especializados é muitas vezes mais acirrada do que a dos blockbusters convencionais. Agora, além do talento da equipe técnica responsável pela animação em si, o que conta muito é um roteiro bem feito, com bastante entusiasmo e que cative o grande público. Nisso, Frozen segue a receita direitinho. Desde o comecinho, nos pegamos cativados pelas personagens, como na magistral cena das duas princesas brincando com os poderes friorentos da mais velha, culminando num lado mais sombrio depois de um incidente, passando pela cantoria afinada que não destoa em nenhum momento e permeia o filme (coisa que, ao meu ver, havia sido meio deixado de lado pela Disney, ou seria impressão minha?). Daí em diante, vemos uma sequência de efeitos visuais excepcionais, contando um enredo simples, mas que prende a atenção a todo instante. Há cenas de tirar o fôlego, outras que te fazem rir, e outras de arrepiar, tanto pelo frio quase congelante que ela passa ao expectador, quanto às emoções que afloram nos ápices de emotividade. Tudo bem que o filme tem seus furos, o roteiro apela demais para o lugar comum (como em uma cena próxima ao final do filme que remete ao auto sacrifício, que apesar de bonito é piegas, previsível e clichê), e não traz nada de realmente novo. Trata-se daquela velha história de uma princesa em busca das soluções em prol do bem maior, passando por obstáculos incalculáveis até que o amor venha a resolver tudo da maneira mais açucarada possível. Isso não necessariamente é ruim, até porque é o que se espera de um filme desse tipo. O que importa aqui é que tudo é extremamente bem feito e belamente realizado. A fantasia existe em cada um de nós, e como é bom cutucá-la de vez em quando pra que vejamos o lado bom das coisas, em meio a tanta coisa ruim que vemos por aí. É como se voltássemos mesmo a ser crianças, onde o mundo fantástico é o endereço certo da felicidade. Os personagens desse filme especificamente são bastante carismáticos. A bela princesa Anna, Kristoff e principalmente o boneco de neve Olaf, são simplesmente adoráveis demais. Não há como não torcer para que tudo dê certo no final, apesar de ser bastante óbvio e previsível que tudo terminará bem. Trata-se de um conto de fadas belíssimo, que embora não ache que terá um status de clássico como os citados no começo desse texto, lava a alma. Na verdade, a única falha real do filme não é a falta de originalidade, mas sim a falta de ousadia. Tudo é muito certinho, ingredientes simples para um bolo que já dá certo há décadas. Mas de qualquer forma, isso não tira o brilho de um filme que empolga e dá a conta do recado como deveria ser.