Azul é a Cor Mais Quente
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4,2
1830 notas

135 Críticas do usuário

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Juarez Vilaca
Juarez Vilaca

2.918 seguidores 393 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 9 de dezembro de 2013
Um excelente filme. Um doce romance homossexual de duas mulheres. O tema tem aparecido com bastante normalidade nas telas, mas não com a simplicidade, qualidade e realidade do filme francês. Mesmo assim, não havia necessidade de quase 3 horas de filme. Acredito que as filmagens ficaram tão boas que tiveram pena de cortar muito. Adèle Exarchopoulos, no papel de Adèle e Béatrice
Anne Loiret, como Emma, estão perfeitas. A direção, também. O filme é quase todo feito para explorar as emoções faciais. Os olhos, a boca, o sorriso, as preocupações, as alegrias, a felicidade, a tristeza. As muitas e duradouras cenas explícitas de sexo entre elas, embora selvagens, não eram pornográficas, talvez educativas. O filme é simples, sem apelações, sem clichês, sem exibicionismo, sem criar situações agressivas. Imperdível, para quem gosta de cinema e de desafios.
Everton S.
Everton S.

15 seguidores 1 crítica Seguir usuário

4,5
Enviada em 9 de dezembro de 2013
É uma experiência, quase de vida. Acho que é a este limite que o tal voyerismo chega... Num filme. Além da beleza, de como é filmado o corpo de cada uma, suas impressões e sentimentos, tanto que no final nao da vontade de discutir ou fazer uma critica sobre. Mesmo cheio de passagens e idéias, argumentos, sobre arte, política, poesia... Mesmo com a metáfora sobre o crescimento de uma pessoa de varias formas, desde a sexual até a política... assim como a opinião de Adele sobre a arte, eu entendo o filme, mas prefiro vivênciar.
O filme é grande, mas só me cansei raras vezes. Talvez as cenas de sexo fosse muitas também. Mas a atuação da atriz principal tira todo o possível tédio, junto a como sao filmadas as cenas, os sentimentos, e principalmente o corpo! Uma obra-prima em vários sentidos. O filme entretém durante as 3 horas, para dizer o mínimo, pois o próprio entretenimento vai muito além de si mesmo, sendo uma experiência completa, sensorial, totalmente dramática, e vai além, tendo suas proprias metaforas, muitas dicas e informaçoes, frases, chaves para dar interpretaçoes variadas a varias passagens, faz o espectador ficar consciente varias vezes, além de saber nao morrer nisso, mas usar tudo num equilíbrio incrível.
Sem falar na apresentação do estilo de vida francês\europeu, seja no sentido da puberdade de uma adolescente, no sentido político e econômico. Eu pessoalmente me senti apresentado a isto, pois vi que o que ali estava, era natural, verdadeiro. Sem falar também na liberação, em vários sentidos, sexual, artístico, e a liberação de um modo de viver infantil. Há ainda muito mais. Recomendo muito este filme!
Sidnei C.
Sidnei C.

127 seguidores 101 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 9 de dezembro de 2013
Azul é a Cor Mais Quente chega cercado de polêmicas. E todas as suas derivantes tem origem nas discutidas cenas de sexo. O filme ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes deste ano, cuja decisão foi criticada em função de suas ousadas cenas de sexo, consideradas por alguns como quase pornográficas. Logo após o Festival, as duas principais atrizes (ambas premiadas em Cannes) passaram a se queixar publicamente do diretor tunisense Kechiche, acusando-o do tratamento dispensado para obter o realismo desejado nas tais cenas, chegando a dizer que se sentiram como prostitutas.
Fatalmente, o filme passou a chamar a atenção do público por estas razões, e não por suas qualidades, que são inegáveis. Muitas das pessoas que se interessem e cheguem a ir assisti-lo no cinema, irão buscando as tais cenas quentes de sexo entre duas mulheres. Mas o filme não foi feito absolutamente com a intenção de saciar a curiosidade voyeurista do espectador. Quem for assisti-lo somente com esta ideia na cabeça, sairá frustrado. Azul é a Cor Mais Quente não é absolutamente O Último Tango em Paris ou O Império dos Sentidos numa versão com duas mulheres. Quem for assisti-lo sem saber das cenas de sexo que contém, poderá se sentir chocado ou ao menos desconfortável, mas poderá apreciar suas qualidades dramáticas. É verdade que não há como ignorar as cenas de sexo, principalmente aquela que marca o primeiro encontro de Adele e Emma, que é particularmente longa e realista, mas não chega a ser explícita.
Então chegamos à questão: as tais cenas de sexo são mesmo necessárias? Para o diretor Kachiche, um dos objetivos de seu filme era banalizar uma relação homossexual, tratando-a com a naturalidade de qualquer outra relação amorosa. Em um filme sobre uma paixão, até mesmo obsessiva, seria natural e esperado a presença do sexo. Além disso, basta lembrar de uma questão colocada no filme. Emma é estudante de Belas Artes, e numa conversa com Adéle, esta lhe pergunta: por que chamamos de "belas artes", existiria uma arte feia? Ao retratar sua paixão homossexual, o diretor parece ele próprio nos perguntar: existe amor "feio", existe sexo "feio", o sexo é feio? Culturalmente, e por motivos religiosos, o sexo sempre foi (e ainda é) um tabu. Ao longo do tempo, a cultura ocidental deixou de considerar a nudez como algo inaceitável, passando a apreciar a beleza do corpo humano, o feminino principalmente. Mas o sexo em si, o ato sexual, sempre foi "mascarado" nas artes em geral, porque há um consenso geral que ele é feio - pode ser feito, mas não deve ser visto, a não ser com propósitos puramente libidinosos. Ao retratar suas cenas de sexo, o diretor está acima de tudo provocando esta discussão. Qualquer um irá perceber que estas cenas não são erotizadas ou romanceadas, mas tratadas com um realismo crú poucas vezes visto num filme dramático.

Azul é a Cor Mais Quente é um típico filme francês na sua escritura cinematográfica. Em muitos aspectos ele me lembrou o estilo de diretores como André Téchiné (As Rosas Selvagens) ou Maurice Pialat (Aos Nossos Amores) . O desenrolar do filme não parece estar seguindo um roteiro pré-escrito, mas dá a impressão, como num livro, que são as personagens que estão escrevendo sua própria história, e o diretor apenas a acompanha, filmando. Por isso, sua aparente longa duração tem o grande mérito de nos fazer conhecer Adèle em toda sua complexidade. Suas dúvidas, seus conflitos, suas angústias transformam o filme quase em um diário filmado. O filme é de tal forma focado na história e suas personagens, que não temos quase nenhuma referência sobre espaço e tempo. Há inclusive um avanço temporal, logo após o rompimento entre Adèle e Emma, que percebemos sutilmente, simplesmente pela aparência diferente de Adèle - que num novo corte de cabelo passa a dar impressão de mais velha, e pelo fato que agora ela já está trabalhando como professora, o que fazia parte apenas de seus planos no início do filme. Apenas quando ela e Emma conversam num bar, o lapso de 3 anos fica explícito. Há outras sacadas notáveis do diretor. Os detalhes de objetos de cena em azul (como o vestido de Adèle) passam a aparecer a partir do momento em que Emma deixa de pintar o cabelo, e quando a paixão entre as duas começa a esfriar e entrar em crise, revelando que a cor azul do cabelo de Emma passou a habitar a memória afetiva de Adéle.
Não é à toa que a atriz Exarchopoulus empresta seu nome à personagem principal do filme, Adèle. É difícil dizer se a personagem foi adaptada sob medida à atriz, ou se esta a incorporou totalmente, "transformando-se" na personagem, que transpira fragilidade e insegurança. O diretor pode não ter sido o tirano de que foi acusado pelas duas atrizes principais, mas seu método de filmar não deixa realmente espaço para os atores respirarem. Em praticamente todo o filme sua câmera enquadra os atores em primeiro plano, em closes. Assim, Adèle, a atriz principal, não pode em praticamente nenhuma cena deixar de expressar algo. Temos a impressão que seu rosto está a todo momento revelando algum sentimento, algum pensamento. Léa Seydoux, jovem atriz-fenômeno da França também merece todos os elogios. Mas como sua Emma é quase coadjuvante, é sua caracterização de personagem, mais que sua performance, que nos impressiona. Sua Emma demonstra uma certa masculinidade, mas de uma maneira totalmente sutil. A interpretação das 2 atinge o equilíbrio de forças perfeito na inesquecível cena do rompimento entre elas, quando Emma expulsa Adèle de sua casa. Você não verá em nenhum outro filme deste ano, ao menos, uma cena igualmente carregada de uma dramaticidade tão autêntica, genuína e brutal. Bastaria esta cena para catalogar Azul é a Cor Mais Quente como uma obra antológica.
Azul... é um filme moderno e único, despojado e sem artifícios, carregado de uma carga dramática intensa e que sem sombra de dúvidas possui a melhor interpretação do ano na composição impressionante da novata Adèle Exarchopoulus.
Jocélio S.
Jocélio S.

8 seguidores 27 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 9 de dezembro de 2013
Filme denso, poético, profundo, brilhante, não chega a ser cansativo, apesar das 3 horas, só peca pelo excesso de cenas de sexo explicito, sem necessidade o exagero de cenas, que chega a constranger...
Thaina F.
Thaina F.

1 seguidor 1 crítica Seguir usuário

4,5
Enviada em 1 de dezembro de 2013
gostei muito do filme deve ser maravilhoso e agora é só esperar a estreia e ir assistir na telona grande cinema !!! #BORA
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