Péssimo! Saí na metade do filme: uma "zorra total" onde Valéria é uma Gorete piorada. Comédia????vocabulário baixo, cenas que não poderiam ter censura 12 anos!
Filme bem cliché que explora de maneira caricata a imagem dos homossexuais e transexuais. Apesar disto propicia boas discussões e reflexões sobre as sexualidades. Mesmo arrancando várias gargalhadas do público, considero um filme dramático, dada às diversas dificuldades que a personagem principal enfrenta.
O filme não pretende ser realista, longe disso. As cores são berrantes, a música é farsesca, e o tom infantil lembra as produções dos Trapalhões, que exploravam cenários rurais para construir fábulas ingênuas e moralizantes. Aqui, a ideia é a mesma: explorar personagens atrapalhados em cenários bucólicos e de classe baixa, podendo rir alegremente de todos os estereótipos que essa configuração pode oferecer: o caipira burro mas malandro, o galã apenas burro, o padre boca-suja etc. O roteiro explora com vigor as piadas físicas, a escatologia e as inverossimilhanças – a exemplo do pai moribundo e homofóbico que exige ver o seu filho casado com outro homem, e de reviravoltas absurdas relacionadas ao marido de Gorete.O diretor Paulo Vespúcio não tenta criar nenhuma imagem engraçada em si, preferindo transferir a responsabilidade do humor aos diálogos e à cenografia. Por isso, todo o ritmo é baseado em piadas verbais (e como se fala nesta comédia!), com personagens gritando e se sobrepondo à estética exagerada dos figurinos, da fotografia e dos cenários. O Casamento de Gorete segue a linha recente de humor histérico consagrada por Leandro Hassum e Paulo Gustavo. Rodrigo Sant’anna fala sem parar, grita com todos ao redor, dá chiliques a cada instante, seguindo a regra de que mais é melhor.
O filme tem uma fotografia que detesto em filme brasileiro, remete à ingenuidade de uma casinha de criança em um filme bem adulto por sinal. Reforça o esteriótipo gay feminina em uma história boba que parece se perder às vezes. Gorete é falante e mais parece uma releitura da personagem Valéria do Zorra Total. A piada é o gay. Colocaram Letícia Spiller no papel de Drag Queen, que pra mim é o mesmo que pintar um branco para interpretar um negro. Gorete precisa casar para receber a herança do seu pai homofóbico e pra isso cria uma competição. Você quase nunca ouve o campeão da competição falar, aliás, a personagem falante nunca deixa. No final, o beijo gay (o filme gira em torno da homossexualidade dos personagens principais) é boicotado, prestando um total desserviço à comunidade LGBT e reforçando preconceitos.
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