Quebrando o Tabu - Crítica
Sem quebras
Na tela assistimos a uma linha do tempo que traça as posições ideológicas dos ex-presidentes norte-americanos Nixon, Carter e Reagan (1969 a 1989), em relação à questão das drogas nos seus governos. De maneira bem humorada presenciamos os primórdios do consumo de drogas pela humanidade, através da utilização de imagens em animação, até chegar ao problema do tráfico.
(Quebrando o Tabu - Brasil, 2011, 80 min.) propõe abrir um debate, sobre os diversos lados que estão envolvidos no polêmico tema das drogas. A idealização de fazer um documentário que abrangesse essa discussão partiu do jovem diretor, Fernando Grostein Andrade, de “Coração Vagabundo” (2009). “Quebrando o Tabu” foi filmado em oito países: Brasil, EUA, Colômbia, Argentina, Holanda, Portugal, França e Suíça.
O ex-presidente do Brasil Fernando Henrique Cardoso é acompanhado por uma câmera, em diversas cidades do mundo onde o problema das drogas é recorrente, como Rio de Janeiro, São Paulo, Bogotá, Washington, Los Angeles, Amsterdam, entre outras.
O documentário apresenta entrevistas com pessoas que tiveram experiências relacionadas ao assunto abordado, que vão desde usuários até ex-chefes de Estado. Bill Clinton, Jimmy Carter, Ruth Dreiffus, Paulo Coelho, Drauzio Varella, Ethan Nadelmann, Gael Garcia Bernal, são alguns dos entrevistados do filme. FHC vai até as escolas conversar com alunos. Eles levantam questionamentos sobre os critérios de controle da atual política antidrogas e alguns alunos apresentam novos caminhos a fim de tentar melhorar essa política.
O filme acerta na escolha estética de inserir entre algumas entrevistas, elementos que não cansam o espectador, como a animação e a forma que são colocadas as informações no GC (gerador de caracteres).
“Quebrando o Tabu” é um longa-metragem com diversas informações sobre o histórico relacionado ao assunto drogas, principalmente em outros países pela relevância dos entrevistados, graças aos contatos internacionais de FHC. Mas o filme deixa a desejar pela maneira embrionária e superficial referente à sua proposta, no sentido de quebrar tabu e debater o tema. Ou seja, o documentário não debate, apenas apresenta. Podemos traçar um paralelo com os documentários “Encontro com Milton Santos” (2007), “Utopia e Barbárie” (2010), “Tancredo, A Travessia” (2010) de Silvio Tendler, que diferentemente de Fernando Grostein Andrade, vai mais a fundo nos temas abordados nos filmes.
Texto publicado originalmente em 2011
Sergio Batisteli é jornalista, criador de conteúdo do 'Blog do Sergio Batisteli - CineConecta'