Ainda mais furiosos...
Como toda franquia bem sucedida no cinema, sua longevidade nem sempre depende de qualidade, mas sim em atender às expectativas dos fãs, independente de quais sejam. No caso da série Velozes e Furiosos, a simpatia dos personagens e o uso constante das loucuras do cinema de ação tem sido responsáveis por prorrogar o sucesso, notadamente com o 7º exemplar isso também se repete.
Aqui temos novamente a equipe liderada por Dominic Toretto (Vin Diesel), por sua vez perseguidos pelo irmão do vilão de Velozes e Furiosos 6, Deckerd Shaw (Jason Stathan). A trama, embora sem consistência narrativa, serve de estopim para acompanharmos o grupo fugindo de seu algoz, já que Deckerd é um especialista em matar, o que desencadeia as já conhecidas loucuras da franquia ao redor do mundo. A primeira investida de Shaw, já no começo do filme, mostra uma divertida situação de forma inversa, afinal de contas ele faz um rápido monólogo sobre a situação do irmão e sai de um hospital, nesse momento a câmera o acompanha para mostrar o estrago que o cara vez para chegar até ali. A composição funciona super bem, pois mostra o carcamano com seu semblante de poucos amigos em um ambiente com muitos indivíduos abatidos, como se fosse algo bem normal.
Declarada a caça, o roteiro tem a incumbência de elaborar as situações nas quais o grupo se envolverá, de preferência beirando ou ultrapassando o absurdo, pois qualquer espectador sensato já espera por esse tipo de ocorrência. Isso não se pode negar pela boa dose que a produção oferece, já que grande parte das cenas de ação são desprovidas de qualquer senso de física ou sanidade, isso sem contar a naturalidade com que os personagens as encaram, deixando-os únicos e imbatíveis. Algumas são incrivelmente malucas, como o salto entre prédios com um veículo em alta velocidade, o gesso sendo arrancado de um braço só pra encarar a ação de mais perto ou talvez o divertido salto de paraquedas, com os veículos que são personagens chave. Claro que também temos ótimas cenas de pancadaria, com destaque para as que envolvem Johnson x Stathan, Walker x Tony Jaa e Michelle Rodrigues x Ronda Rousey, todas palpadas com estilo que aproveita bem as modalidades marciais/esportivas dos envolvidos.
Além de ser o longa de maior duração da franquia, o filme ainda nos traz uma grande adição de novos personagens, alguns com rápidas aparições outros com maior destaque. Como uma espécie de vilão alternativo, temos Djimon Hounsou como Jakande, um traficante africano que se alia a Shaw e rende boas situações de ação; Kurt Russell como o agente super cool Sr. Ninguém; o fantástico lutador Tony Jaa como Kiet; entre outras bem mais rápidas só para atrair público, mas que se tornam até interessantes: Lucas Black e seu Sean Boswell de Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio; Noel Gugliemi como o Hector dos primeiros filmes da franquia; Ronda Rousey como Kara; Ali Fazal, astro de Bollywood e seu caricato Safar e por aí vai.
Apesar da temática foco ser a ação, ainda encontramos dois elementos constantes neste sétimo episódio: comédia e drama. No quesito comédia, Tyrese Gibson com seu personagem Roman Pearce e Ludacris com seu Tej Parker são responsáveis pelo alívio cômico da produção, pois são protagonistas de diversas piadas e comentários capazes de causar boas gargalhadas; no caso drama, algo relativamente recorrente na franquia, ganha mais força por se tratar de uma despedida do falecido Paul Walker, apesar de também serem exageradas as falas de Diesel sobre família e seus comparativos relativos a amizade, mas fica nítido o trabalho do roteiro em lidar com a perda do ator, principalmente em seu desfecho, numa bela cena envolvendo o grupo principal em que cada um cita, implicitamente, sua mensagem de adeus ao amigo colega de trabalho.
Apesar de deixar caminho aberto para novas, e inevitáveis continuações, VELOZES E FURIOSOS 7 cumpre bem seu papel de entreter quem se compromete com o estilo nonsense da produção, seus exageros mundanos envolvendo as loucuras com veículos e decisões dos personagens cada vez mais malucos. É um filme pra se ver de maneira descompromissada e curtir o que o diretor James Wan conseguiu atingir: um ótimo exemplar de ação.
Obs.: A sequência final que ilustra a participação de Paul Walker com várias cenas dos outros filmes é digna de nota e elogios.