Andy Wachowski e Lana Wachowski foram os responsáveis por uma trilogia de filmes que marcou a história do cinema. Matrix (para ser sincero só gostei mesmo do primeiro filme) foi revolucionário, e ainda se vê resquícios desta tecnologia nas cenas de lutas deste O Destino de Júpiter, como a câmera lenta e edição bem cuidada. Porém, depois de V de Vingança, a dupla parece ter perdido mesmo a mão. O Destino de Júpiter me pareceu uma série hedionda de equívocos estilizados, cheio de clichês, com um roteiro simplesmente horrível, falas horrendas e situações absurdamente estapafúrdias. Ele já parte de uma premissa ridícula: Júpiter (a bela e carismática Mila Kunis) é uma jovem que limpa privadas como ganha pão, mas acaba descobrindo ser a Rainha do Universo (literalmente!). Daí, um cidadão extraterrestre que é uma mistura de lobo albino com orelhas de elfo cujas asas foram removidas de maneira cruel (?!?!?!) e que anda pelo universo com umas botas que o fazem voar (?!?!?!) chamado Caine (Channing Tatum, que passa boa parte do filme sem camisa, vagando pelo universo, só para mostrar os músculos e correndo o risco de pegar um resfriado, coitado) é o heroi anjo da guarda da Majestade Júpiter que não tem ideia de sua importância no cosmos e a salva das mais terríveis situações descabidas. Basicamente o filme é um samba do crioulo doido, e quando digo isso não é só porque o roteiro é confuso e mal escrito, mas também porque parece que os alienígenas estão prestes a desfilar numa escola de samba a qualquer momento. Tudo muito grandiloquente, esteticamente bem cuidado, mas tão profundo quanto um pires. É tanta informação jogada na tela da maneira mais medíocre possível, que o espectador se pergunta a cada instante como isso tudo pode piorar a cada cena. E piora. Clichês, cenas constrangedoras e falta de química total entre os atores. Aliás, Channing Tatum e Mila Kunis até se esforçam, assim como o Sean Bean, mas o roteiro não ajuda! Afinal, como levar a sério um cara falar coisas grotescas com uma tentativa frustrada de naturalidade - tipo “As abelhas nunca mentem!” (Sério?!?!?!). E tudo piora quando Douglas Booth e principalmente o agora oscarizado Eddie Redmayne entram em cena. A atuação de Redmayne aqui é digna de Framboesa de Ouro! Ele sempre me pareceu um ator extremamente limitado em seus filmes (sua única atuação realmente boa foi mesmo em A Teoria de Tudo). Só que aqui ele tem a pior atuação de sua vida, e deve sentir-se envergonhado de embarcar nesse projeto tão pífio. Suas cenas são simplesmente constrangedoras demais (nenhuma se salva). E além disso tudo, o final é tão ruim quanto o resto do filme. É uma obra onde não há clímax e quem assiste não se identifica com nada daquilo que está sendo mostrado, não só por se tratar de uma ficção científica alienígena, mas por ser um filme cujos personagens agem de maneira burra e improvável, mesmo se nos colocássemos nas situações inverossímeis mostradas. O que chama a atenção positivamente no filme são algumas cenas por seus efeitos visuais, e a parte onde é demonstrada a burocracia do universo para conseguir uma documentação. Fora isso, um lixo merecedor do limbo cinematográfico. Sabia desde antes de assisti-lo que O Destino de Júpiter não seria um filme a se levar a sério. Mas convenhamos! Eles abusaram do bom senso e boa vontade dos espectadores! Sem dúvidas, sério candidato a pior filme do ano desde já.