Uma expedição para colonizar um planeta distante conhecido apenas como Novo Mundo. A oportunidade de construir um novo lar. Mundo em Caos retrata os colonos buscando recomeçar em outro ponto do universo à 64 anos-luz da Terra, onde possam criar novas comunidades e expandir o alcance da civilização humana. Uma das protagonistas, a Viola, nunca viu chuva ou cães. Ela nasceu em uma nave à caminho do Novo Mundo. Sua frota está próxima e logo aparecerá. Enquanto isso, a primeira onda de colonos chegou há tempos, junto com os cavalos que ostentam para se locomover. Mas, o que era pra ser uma oportunidade de recomeço vira um caos incontrolável devido ao ruído. Isso gera violência e instabilidade, comprometendo a missão de ocupação.
Um mundo onde os homens têm a função de “domar as coisas, quebrá-las, controlá-las” não se afasta muito da nossa realidade. Os pensamentos dos homens podem ser ouvidos, mas não os das mulheres, o que as coloca em risco. O filme insere um clima de aventura muito interessante que reforça todo o drama traçado. A história é criativa e envolvente, não expondo todas as respostas necessárias visando uma continuação, mas, por ser simples, o roteiro é facilmente compreensível. Embora não a finalidade principal do filme, faz-se uma crítica ao patriarcado e à dominação masculina através da violência, simplesmente porque as mulheres são misteriosas e não podem ser “domadas”. As cenas de ação são tensas, geram o seu impacto e têm a sua razão de ser.
É uma ficção científica imaginativa sobre colônias em outros planetas (especialmente um sem noite), como os humanos perdem o controle da situação e criam sua própria tirania absurda (até os livros foram incendiados para impedir a aquisição do conhecimento e o pensamento subversivo). Em uma colônia assim, se esconder e resistir é a melhor chance de sobreviver e criar um futuro melhor.
Sem dúvida, esse é um sci-fi relevante, bem produzido e escrito do jeito certo. Uma história bastante singular sobre a luta contra os abusos e os crimes de uma sociedade patriarcal consolidada e a necessidade de defender a liberdade das mulheres, sua autonomia plena e o seu direito irrevogável à autodeterminação. Até mesmo em outro planeta! Porque é assim que se constrói o progresso.