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Adriano Côrtes Santos
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1.229 críticas
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4,5
Enviada em 15 de dezembro de 2024
Em 1912, durante o governo do czar, a greve dos operários de uma fábrica é brutalmente reprimida pela polícia. Uma dos grandes filmes do cinema político, obviamente uma propaganda do regime soviético ao denunciar as barbáries do governo anterior do czar. Nem por isso deixa de ter cenas alucinantes de beleza e impacto, fotografia primorosa de Edvard Tssé. Várias cenas inesquecíveis, os operários sendo esguichados com água, o massacre final, entre outras. Embora difícil de engolir hoje em dia, imagens óbvias ( comparar o massacre dos operários com os bois sendo mortos em matadouro, caricaturais), certas imagens são realmente inesquecíveis, perto da obra-prima.
Sergei Eisenstein à frente de seu tempo, "A Greve" ainda é tão relevante e por diversas vezes durante o filme eu me peguei pensando sobre como tudo aquilo mudou 95 anos depois, e na verdade pouca coisa mudou. Fascinante é como o Eisenstein trabalha suas imagens com maestria, não é uma simples montagem, à frente de seu tempo não só no seu conteúdo que até hoje gera discussões, como também na sua forma de se comunicar através da montagem impressiona.
A luta é transmitida com crueldade, a montagem se faz valer com o uso da montagem tonal e dialética que impulsiona o drama em cena e propõe as relações implícitas, as metáforas do filme e assim trabalhava sua narrativa de forma inovadora. Para Eisenstein é necessário ser cruel para alcançar sua mensagem sobre a injustiça com a classe trabalhadora.
Do ponto de vista dos acionistas, o povo não passa de uma mera ferramenta de lucro, são tratados como animais sem valor e a polícia serve apenas para controlar o seu rebanho de animais. A brutalidade com que Eisenstein filma isso é desoladora, uma mãe com sua filha pequena é espancada de maneira covarde, uma criança é assassinada e o povo é uma presa prestes a ser abatida. É um filme tocante, cruel e que tem muito a ver com os tempos de hoje, infelizmente.
A Greve é um belíssimo ensaio do crítico/montador/diretor/roteirista Sergei M. Eisenstein antes de sua dita obra-prima O Encouraçado Poremkin, do mesmo ano. Digno de nota, porém, é saber que é seu primeiro longa, e já nesse trabalho notam-se as invencionisses e montagem usadas de maneiras tão originais quanto a novidade da sétima arte poderia desejar. Rodado sem diálogos, mas com uma trilha sonora que evoca a urgência e a dramaticidade dos acontecimentos, Eisenstein conta a história de uma greve entre operários usando para isso de 6 diferentes estágios, ou historietas, que didaticamente exploram a mente das massas pró-revolução.
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