Vidas ao Vento
Média
4,1
227 notas

20 Críticas do usuário

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Skybaggins
Skybaggins

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5,0
Enviada em 5 de março de 2014
Hayao Miyazaki é um dos maiores (senão o maior de todos) animadores da história do cinema. Os próprios fundadores da Pixar - John Lasseter e companhia - consideram-no seu mestre. O animador é responsável por grandes obras da animação como "Princesa Mononoke", "O Castelo Animado", "Ponyo: Uma Amizade que Veio do Mar", além de sua grande obra-prima "A Viagem de Chihiro". Decorrente de tão boa trabalho, Miyazaki conquistou muitos fãs ao redor do mundo (inclusive eu). Então recebemos a triste notícia de que ele iria se aposentar. Ele anunciou que "Vidas ao Vento" seria sua última contribuição para o cinema. É nesse panorama de despedida que o filme estreou. O longa acompanha Jiro Horikoshi, que projetou aviões para o Japão durante a Segunda Guerra Mundial e sua relação amorosa com a donzela Naoko.

O roteiro é de Hayao Miyazaki. O roteiro desenvolve muito bem os personagens. No início do filme, o sonho de projetar aviões já é apresentado para o espectador. Assim, à medida que a história se desenrola e Jiro vai conquistando seus objetivos, percebemos o crescimento do personagem. O filme é baseado numa história real e isso o difere dos trabalhos anteriores do diretor. Antigamente o diretor gostava de contar histórias fantásticas de princesas, porém dessa vez percebemos um roteiro mais sério e real. Como já disse, o protagonista projetou aviões para o Japão na II Guerra. Porém não foram simples aviões. Jiro projetou o modelo dos aviões que fizeram o famoso ataque à Pearl Harbor, nos EUA. Muitas pessoas podem achar então que Jiro era um homem cruel e sem coração. Porém, o roteiro de Miyazaki é tão sutil que nos mostra como os jovens japoneses estavam assustados com a Guerra e que Jiro não projetou os aviões com a finalidade da destruição, mas com a finalidade de realizar o sonho de sua vida. O roteiro mostra ao espectador que muitas pessoas durante a Guerra não tinham nada a ver com os conflitos. A Guerra foi totalmente feita pelos militares. Uma forma que o roteirista teve para ilustrar essa situação foi desenvolver uma relação amorosa com uma garota com tuberculose. A relação entre eles é muito bem construída e é moldada no amor.

A direção também de Hayao Miyazaki. Como o diretor trabalha num filme realista, ele perde o artifício dos olhos grandes que tornam os personagens mais "fofos". Porém essa falta de infantilidade não é ruim. A direção dele é muito compacta e os planos usados são belíssimos. Aliás, o visual do filme é incrível. O Studio Ghibli mais uma vez nos traz uma animação com grandes acertos visuais. A animação foca muito nos detalhes no ambiente, com uma leveza de tom de cor que impressiona. É um filme para se ver no cinema. Os efeitos especiais são fantásticos. Mesmo a história sendo real, o diretor não deixa sua marca de lado. Em vez de apresentar situações fantásticas, Miyazaki trabalha o personagem na vida real, mas também trabalha com os sonhos do personagem. Como nos sonhos tudo é possível, Miyazaki usa tomadas surreais para mostrar situações praticamente impossíveis, que se misturam com as características dos personagens na vida real. A trilha sonora usada é tocante e suave.

Mesmo tratando-se de uma animação, o filme tem um tom mais adulto. As crianças até se divertirão com a história de amor entre Jiro e Naoko, porém o roteiro foca mesmo é na inocência dos jovens japoneses durante a Guerra. Além disso, o roteiro demonstra algumas atitudes que fazem o espectador pensar e refletir. O filme foi indicado ao Globo de Ouro de "Melhor filme estrangeiro" e ao Oscar de "Melhor animação", mas não levou nenhum. A crítica americana não está tão boa, pelo fato dos aviões terem atacado e matado milhares de soldados americanos, por isso o filme não arrecadou nenhum prêmio. Até entendo essa visão americana do filme, mas não concordo, pois Miyazaki deixa explícito a situação do protagonista. "Vidas ao Vento" é um espetáculo visual que conta com uma bela história de amor e demonstra a inocência dos jovens perante à guerra.
Birovisky
Birovisky

229 seguidores 196 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 3 de abril de 2017
Romance baseado em uma história real e desenvolvido no formato de animação pelo famoso estúdio Ghibli, criador de um clássico, “A viagem de Chihiro”. Vidas ao Vento não poderia deixar de ser também um clássico, infelizmente por não ter ganho o Oscar em 2013 como melhor animação não tenha tido os holofotes devidos, mas ainda sim torna-se inesquecível para quem tem a oportunidade de degustar e apreciar esta obra. Confiram a rezenha crítica de Vidas ao Vento.
Alan Cristhian
Alan Cristhian

25 seguidores 2 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 31 de julho de 2015
Filme de animação excelente. Não me apegarei a outras produções do criador, mas esta obra.
Biografia de Jiro Horikoshi muito bem conduzida, romantizada e historicizada na medida certa. Os sonhos, o amor, os encontros e desencontros são partes de um todo, maior nessa história: o desenvolvimento de aviões pelo Japão entre guerras. Aos olhos distraídos, pode ser uma visão fria, sinceramente, vejo como uma didática aula de história e uma mostra interessante sobre como os aviões de guerra foram se modernizando e quais os interesses japoneses em desenvolver tal indústria.
Uma animação voltada para jovens e adultos e de compreensão para este público.
spoiler: A menina que Jiro ajuda no começo da animação viria a encontra-lo anos depois, o vento, seja para os aviões, seja para a vida, é a ligação entre essas vidas.

Me impressionou positivamente esta animação e recomendo que vejam.
Juliano O.
Juliano O.

17 seguidores 3 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 3 de março de 2014
Hayao Miyazaki sempre impressiona e "Vidas ao vento" não foge a regra! Sonho e realidade se misturam numa belíssima concretização artística onde apresenta a dualidade entre criação (a vida) e destruição (a morte). Forças antagônicas que se manifestam e nos conduzem na jornada de Jiro Horikoshi. A cada escolha, uma renúncia e assim segue a aventura da vida. Adorei.
Priscila A.
Priscila A.

13 seguidores 1 crítica Seguir usuário

5,0
Enviada em 21 de abril de 2014
Embora tenha assistido somente uma vez, vou arriscar alguns comentários.
"Vidas ao Vento" fala do esforço humano diante dos elementos e situações com que se depara. Diante das intempéries naturais spoiler: (o terremoto)
, de seus próprios limites físicos spoiler: (a miopia, que o impede de tornar-se piloto)
, do fracasso de seus primeiros trabalhos - tão suados - Jiro segue o imperativo: "il faut tenter de vivre".

Apresenta um tom determinista típico da cultura oriental: o vento é metáfora de um destino que brinca com os seres humanos, ora trazendo felicidades, ora tragédias. Tem em comum com as outras obras do cineasta a forma como ele dá vida às coisas inanimadas spoiler: - por exemplo o terremoto de Kanto, que uiva como um animal feroz -
e o fato de seus personagens serem pessoas comuns - nenhum deles tem nada de extraordinário. Entretanto, tem menos fantásticos, e a evolução da história é mais lenta - realmente, não é indicado para crianças.

A despeito da foto de divulgação, o romance é apenas um dos vários elementos (talvez o menos relevante) deste filme, junto com a solidariedade, a conquista pelo esforço, o questionamento ante as posições dos Estados nacionais spoiler: (excessos militares na Alemanha; perseguição de Jiro e do viajante alemão em solo japonês)
e com relação à guerra - embora não apresente uma crítica direta, o protagonista se debate a todo tempo entre realizar seu sonho spoiler: - sabendo que será usado para causar imenso morticínio -
e... que outra escolha teria? É obcecado demais pela construção de aviões; não parece haver alternativa.

Em suma: acho que os fãs do gênero vão amar; pode ser interessante para quem gosta de drama e/ou de animês mais "cabeça". O restante da população provavelmente vai achar entediante.
Ana A.
Ana A.

2 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 24 de maio de 2014
Embora seja animação, não se trata de uma estória indicada para crianças. Já vi, em cinemas, crianças reclamando aos pais que não entenderam os filmes deste diretor. Kaze Tachinu não é excessão. O tema é denso e o enredo é "paradinho". Mas os traços são maravilhosos! E o diretor sabe mesclar assuntos - como poesia e guerra, desastres naturais e crítica aos gastos militares, com pitada de romance à moda japonesa - de maneira muito engenhosa. Fantástico!
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