Eis o grande vencedor da principal e mais aclamada categoria do Oscar 2014. Continuo sem ter assistido a vários dos outros filmes indicados, mas, certamente, a vitória deste foi merecida. A nitidez com que “12 anos de escravidão” mostra a brutalidade do tratamento que recebiam os escravos é incrível, de uma forma bem chocante. Primeiro, o personagem Solomon Northup (Chiwetel Ejiofor), violinista negro e livre, posteriormente chamado de Platt,
apanha, logo após ser raptado, com um objeto que chega a se quebrar, tamanha a força e quantidade de acertos em suas costas, além de ser quase morto por enforcamento (que agonia!) já na propriedade de seu primeiro “dono”. Depois, numa outra cena forte, já do meio para o final, quem sofre é Patsey (Lupita Nyong'o), que leva diversos açoites apenas por ter ido sem avisar à casa de uma amiga buscar sabão.
Algo que me chamou bastante a atenção foi a continuidade das ações cotidianas mesmo quando próximas a alguém morrendo ou sendo espancado. Falando de Nyong’o, que, aliás, faturou o prêmio de melhor atriz coadjuvante, nota-se, de fato, uma participação pequena (somente seis ou sete cenas, pelo que contei), porém de suma importância na trama,
já que a escrava mantinha, a contragosto, relações com seu senhor (Michael Fassbender) e era, consequentemente, odiada por Mary Epps (Sarah Paulson), esposa dele.
Outro aspecto interessante do longa é a maneira como são mostrados os acontecimentos: expõe-se, de início,
Solomon trabalhando em uma plantação de cana, algo que, em ordem linear, viria após ter sido sequestrado, levado à propriedade de Ford (Benedict Cumberbatch) e, ainda, transferido para as posses de Epps.
É na fazenda deste último que Platt conhece Armsby (Garret Dillahunt)
– homem branco que supostamente, e só supostamente, o ajudaria a reconquistar a liberdade –
e, em seguida, Bass (Brad Pitt),
o real libertador.
Pitt, nesse filme, também tem grande importância, mas, assim como Nyong’o, não participa muito.
Após ser devidamente buscado por um conhecido enquanto colhia algodão, Platt volta a ser Solomon, regressa a Saratoga, no estado de New York, e reencontra sua família,
numa cena emocionante, alegre (mas com fundo de tristeza) e repleta de humildade. Infelizmente, somos informados, ao final,
que o violinista não conseguiu condenar seus raptores, por ser um negro testemunhando contra brancos.
Em definitivo, ainda não sei como alguém pode julgar, discriminar ou considerar inferior outras pessoas, principalmente baseando-se em etnia. Preconceito, de qualquer forma e intensidade, é uma coisa muito idiota.