Aquele famoso ditado que “só a Marvel consegue ser a Marvel”, nunca fez tanto sentido até a estreia do seu filme, infinitamente, mais audacioso até o momento. E nessa ideia, Guardiões da Galáxia (Guardians of the Galaxy), originalmente, consegue cumprir seu papel a qual é proposto e mantém as principais características que fizeram a fama e a fortuna para o estúdio.
Falar que a produção era uma incógnita, até mesmo para os fãs mais assíduos das HQ’s, era praticamente uma normalidade em qualquer conversa relacionada sobre a Casa das ideias. Guardiões da Galáxia nunca teve um nome tão forte, como os Vingadores, Quarteto Fantástico, X-Men e outros dentro do contexto dos quadrinhos, mas assim como o Homem de Ferro, em 2008, a Marvel Estúdios decidiu mais uma vez apostar no risco, uma aposta que além de certa, abre um leque de oportunidades para o famoso universo cinematográfico em futuro não tão distante.
O humano Peter Quill (Chris Pratt) é abduzido ainda criança por um grupo de alienígenas forasteiros e contrabandistas comandados por Yondu Udonta (Michael Rooker), que com o tempo passa a conviver com o grupo e, consequentemente, acaba se tornando um deles. Quando Peter, em seu codinome, Senhor das Estrelas, descobre um objeto misterioso, conhecido como o Orbe e percebe que Ronan, o Acusador (Lee Pace) quer o objeto para dizimar a população de Xandar, Quill, reúne um grupo nada convencional para impedir a qualquer custo à destruição do planeta.
A já conhecida fase 2 da Marvel irá terminar apenas ano que vem, com Os Vingadores: A Era de Ultron, no entanto, se a intenção do estúdio é aproveitar em cada filme criar uma ligação com o próximo e o próximo, interligando cada um deles, os Guardiões, de uma maneira completamente originária, distorce essa estratégia, mas que ao mesmo tempo abre uma oportunidade de ouro para o decorrer dos anos. Se por um lado os Guardiões é o filme que menos faz referências as outras produções do estúdio, por outro, é o filme que muda completamente o deslumbre visual já conhecido pelos fãs, e se a intenção é criar um universo místico para as próximas produções (Homem Formiga e Doutor Estranho), o caminho está traçado, restando apenas ligar os pontos.
James Gunn, diretor e roteiristas do filme, consegue dar sua própria cara a produção, fugindo do histórico político de Capitão América – O Soldado Invernal, historiador de Thor: O Mundo Sombrio e destrutivo de Os Vingadores, criando apenas um universo extremamente divertido, a ponto de ser encaixado quase que como uma comédia, sendo um filme de super-heróis, que foge das ideologias dos super-heróis, entre regras e conflitos.
A junção da equipe disfuncional, por se tratar de seres completamente diferentes de personalidades é tratada de uma maneira inteligente e é resolvida de forma simples, proporcionando um roteiro quase perfeito. Apesar de algumas alterações essenciais na origem de alguns personagens, a conceito grupo unido, funciona muito bem nos Guardiões. Gamora (Zoe Saldana) proporciona momentos muito oportunos de ação, principalmente, quando perto de Peter e Drax, o Destruidor (Dave Bautista). Contudo, o destaque fica por conta do guaxinim falante Rocket Raccoon (Bradley Cooper) e da árvore humanóide Groot (Vin Diesel), que roubam a cena pela química, tensão e alívios cômicos, onde funcionam em quase 100% das intenções.
Guardiões da Galáxia é um filme que se destaca pela sua inúmera qualidade em vários aspectos: O grande humor pontual que se encaixa como um quebra cabeça em cada cena do filme, a excelente trilha sonora nostálgica dos anos 80, incluindo inúmeras referências da mesma época e o excepcional e incrível trabalho de produção artística e design, cada personagem possui sua própria maquiagem e estética, a raças são muito bem definidas e o deslumbre visual é sensacional.
Um filme que propõe muito bem o seu objetivo e que cumpre muito bem suas expectativas. Guardiões da Galáxia é um filme que além de diversão, traz momentos emocionantes, hilários (de gargalhar alto) e que comprava que a Marvel mais uma vez acertou nas suas decisões.