Não tem nada que você já não tenha visto em um filme de Neeson ou em um filme que se passa quase que por completo dentro de um avião. Existe o passageiro árabe, o negro, o gordinho de óculos, a criança que está viajando sozinha pela primeira vez (e serve como uma ligação desnecessária ao passado do protagonista), o garoto geek que não larga o celular e a mulher interessante e misteriosa que acaba sentada ao lado do mocinho. Todos aparentemente inocentes. Todos possíveis suspeitos. Como já era de se esperar, né? A premissa é boa, afinal, filmes dentro de espaços confinados e que propõem a descoberta de um criminoso misterioso costumam deixar o espectador roendo as unhas. Mas é uma pena que em Sem Escalas seja diferente por terem escolhido motivações tão fracas para sustentar um roteiro cheio de clichês.
Bill (Liam Neeson) é um agente federal aéreo que tem problemas com o álcool e a família desestruturada, razões pelas quais ele acaba sendo desacreditado a ponto de tornar-se o maior suspeito do sequestro de um vôo Nova York-Londres. Porém, aos poucos, percebemos que nada é o que parece e que inocentes e culpados trocam de lugar o tempo todo. (De novo, como já era de se esperar). As mensagens para a rede privada de Bill com a promessa de matar um passageiro a cada 20 minutos caso certa quantia não seja depositada em certa conta continuam a chegar e o sequestrador desconhecido cumpre com o prometido, mesmo que seja pelas mãos dos próprio passageiros!
Logo a tensão cresce, pois os noticiários anunciam que Bill é o sequestrador e um grupo de passageiros começa a planejar contra o agente, que se mantém persistente ao lado de Jen (Julianne Moore), sua acompanhante de vôo que parece ter um passado frágil mas que, como todos os outros personagens, permanece na superfície.
O desfecho pode até surpreender, mas não vai fazer o espectador pular da cadeira. No máximo, ele vai exclamar um “Ah…”. Ou talvez um “Hã?”. Porque a palavra nas entrelinhas do objetivo do longa é “segurança” e a forma como ela é tratada desde o 11 de setembro. Mas não espere um questionamento profundo sobre o assunto, porque tudo fica muito na superfície, inclusive o fraquíssimo motivo do criminoso. Por isso, devo concordar quando o Agente Bill o confronta dizendo: “Teria sido muito mais fácil ter distribuído panfletos”. E teria mesmo! Mas o sequestrador resolve ir um pouco além para provar seu ponto de vista. Tudo bem, porque, de qualquer foram, acaba gerando muita porrada, tiro e olhares suspeitos e é isso que a gente quer ver! Bom, eu queria um pouquinho mais, mas pelo menos a sequência final do filme, quando o co-piloto precisa fazer um pouso forçado, tem ótimos efeitos especiais.
Compre a passagem Sem Escalas, mas não espere por um vôo com grandes surpresas. Vai ser um vôo comum, daqueles que você já está tão acostumado a pegar que pode ser até que as caras pareçam familiares (Liam, é você?).