Adorei este filme, não por ser 100% original, mas por trazer um pouco de reflexão teológica nesta brutal estiagem de bons filmes da atualidade. A reflexão teológica que ele faz é uma das mais profundas da Teologia Cristã, e pode ser descrita assim: "Há bilhões ou trilhões de anos atrás, quando Deus decidiu fazer uma criação livre e autônoma, pensou seriamente nos riscos que correria ao criar uma raça com Livre-arbítrio, pois este só pode existir de fato se permitir a possibilidade de alguém praticar o mal. Se a liberdade fosse somente para fazer o bem, então não seria um livre-arbítrio genuíno, e isto tornaria a criação uma coisa fria e insípida, e de fato não valeria a pena ser criada. O Livre-arbítrio completo faria com que o amor humano valesse a pena para Deus, mas permitiria a hipótese da maldade, como uma derivada inevitável". E é isto o que o filme permite discutir: ele apresenta o mundo perfeito, onde nenhum tipo de violência pode existir; mas este mundo também não tem amor, e por isso é frio e sem graça (aqui lembrando o filme "O DEMOLIDOR", com Silvester Stallone e Wesley Snipes). Então, vivendo naquele mundo frio, um jovem (JONAS, Brenton Thwaites) recebe as memórias do mundo antigo e vislumbra, em sua mente, o mundo colorido do amor e isto o faz ter uma pequena emoção ao encostar os lábios nos lábios da bela FIONA (Odeya Rush), que também se perturba um pouco com a experiência. Ao final, há uma luta terrível com a ironia da "polícia-pacificadora" do Sistema, a qual acaba numa perseguição que levará o jovem JONAS à belíssima cena natalina que havia visto em suas memórias implantadas pelo Doador, THE GIVER (o grande Jeff Bridges). Enfim, se o leitor quiser ler mais alguma coisa que escrevi sobre este filme, eu o fiz no meu blog (clique no link abaixo). Muito obrigado pela atenção.