O quarto filme da trilogia de Michael Bay consegue ser ainda mais enrolado que seu antecessor. Mesmo com o novo protagonista, Cade Yeager (Mark Wahlberg), que é um dos pontos altos do filme, o romance fraco de fundo não consegue convencer. Tessa Yeager (Nicola Peltz), e seu namorado, que convenientemente é um ótimo piloto que possui um carro de corrida, que está no lugar certo, na hora certa, no meio de um campo de milho. Talvez esse seja o ponto em que o filme mais peca, tentando apresentar um casal que nada tem à acrescentar para a história.
Wahlberg, que tem uma boa atuação, e tenta ao máximo explorar seu personagem. Os poucos diálogos sem explosões e perseguições em alta velocidade que os personagens tem até conseguem arrancar algumas risadas, mas não muitas. Sua filha, Tessa, é uma personagem vazia que não tem nenhuma função senão dar ao protagonista e ao namorado dela, Shane (Jack Reynor), 40 minutos de perseguições em uma nave do tamanho que Chicago. Reynor, aliás, não convence em seu papel e não faria falta na seqüência já confirmada.
O filme não conta com nenhuma referência à trilogia anterior, nem aos seus (fraquíssimos, diga-se de passagem) personagens. Porém, os eventos de "O Lado Oculto da Lua" (2011), estão na cronologia do quarto longa. Ou seja, todos viram a batalha de Chicago, e estão cientes da existência de extraterrestres.
Agora, os Autobots. Ponto alto da história, Bumblebee, Hound, Drift, e claro, Optimus Prime, conseguem transmitir emoções mesmo sendo máquinas. Bee é praticamente o mesmo dos filmes anteriores. Hound (John Goodman), é um bom alívio cômico e consegue fazer o espectador rir enquanto vê a poluição visual das batalhas. Ou seja, Michael Bay. Drift (Ken Watanabe), é um personagem mediano, mas a ótima voz de Ken Watanabe, aliado ao esteriótipo do guerreiro japonês, até nos convence a gostar dele.
Optimus, ao contrário de seu amigo amarelo, mudou e muito. Mesmo desenvolvendo uma boa relação com Cade e sua família, ele não tem mais a sua enorme bondade tão característica, e perdeu seu interesse (e apreço) pelos humanos. Durante o filme, ele não é mais o mesmo. Veremos no quinto filme se ele continua assim.
Joshua Joyce (Stanley Tucci), o presidente da KSI, que no início parecia um gênio arrogante e maligno, se transforma em um dos mocinhos. A boa atuação de Tucci, aliada aos bons diálogos do personagem, fazem o espectador desenvolver um afeto com ele no decorrer do filme. Sua parceira, Su Yuerning (Bingbing Li), é parecida com Joyce, mas não tem o carisma de Stanley Tucci em sua atuação.
Megatron, que todos achavam estar morto, não poderia estar de fora. "Reencarnado" no robô Galvatron (voz de Frank Welker), perde o posto de vilão principal para Lockdown (Mark Ryan) e tem uma participação pífia e sem importância, mesmo sendo o antagonista mais importante das histórias Transformers. Falando em Lockdown, esse vilão é vazio e ruim, e não me refiro ao seu alinhamento. Lockdown se une aos humanos para tentar capturar os Autobots e seu líder, Optimus. O motivo, segundo ele, são os tais "Criadores". Parece que eles vão ficar para a seqüência da franquia. O que esperar dela, porém, ninguém sabe.