Noé | Crítica
Antes de qualquer coisa, preciso avisar: Noé é mais um filme de ficção do que um filme Bíblico.
Aviso dado, podemos prosseguir: O que você faria se Deus lhe mostrasse, através de sonhos, todo seu descontentamento com a humanidade e sua intenção de destruir uma parte importante da Sua criação?
Além disso, Deus iria mostrar que seria preciso construir uma arca (dando inclusive as especificações técnicas: as dimensões seriam 133,5 m de comprimento, por 22,30 m de largura, 13,40 m de altura) e indicando que deveria ser alocado um casal de cada espécie de animal. O que você faria?
Na certa você seria, como eu, tomado por medo, paranoia, incerteza, insegurança e outras questões existências que, nos dias de hoje, iriam resultar em uma consulta ao psicólogo ou psiquiatra.
E o Noé de Russel Crowe é tomado por todas estas questões e dúvidas. Trata-se de uma visão humana do personagem bíblico. Um homem repleto de virtudes e defeitos que foi incumbido para salvar alguns representantes antes do fim do mundo pelas mãos de Deus.
Um filme que é violento e até mesmo com tensão sexual em alguns momentos mas que se mostra tecnicamente perfeito. Darren Aronofsky flerta com as mais diferentes vertentes indo do criacionismo até a teoria da evolução. E quando mistura as duas em um amálgama, consegue uma explicação muito interessante para a criação do mundo. Temos ainda um pouco de biologia, comportamento humano, fé, radicalismo religioso, loucura, amor, família, consequências dos seus atos... falando assim, parece uma colcha de retalhos, mas nas mãos de um diretor competente e de um elenco afiado, tem uma consistência interessante.
Russel Crowe está muito bem como o homem que carrega o peso do final e novo início do mundo nas costas. Suas variações vão da dedicação, fé, amor por sua família até uma faceta perigosa e um tanto quanto psicopata.
Mas os destaques são Logan Lerman e Emma Watson. O Percy Jackson se mostra um bom ator com variações indo da devoção até a desolação e decepção. Já a eterna Hermione Granger mostra que cresceu e é uma atriz que ainda vai fazer muito barulho positivo. Além disso, temos atuações seguras de Ray Winstone, Jennifer Connelly e Anthony Hopkins que ajudam a compor as mais de duas horas de filme.
Acredito que não vá agradar aos mais radicais que encaram a Bíblia como "verdade absoluta" mas se encarado como entretenimento é um filme interessante, bem estruturado e que nos faz pensar se já não estamos chegando no momento de outra ação divina...