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    O Capital
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    4,1
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    12 Críticas do usuário

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    Sidnei C.
    Sidnei C.

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    3,0
    Enviada em 3 de agosto de 2014
    O nome Costa-Gavras pode não dizer muita coisa para as novas gerações, mas do final dos anos 60 até meados dos anos 80 o diretor foi quase sinônimo do chamado cinema político. De origem grega, mas há muitos anos radicado na França, suas maiores consagrações foram Z, com o qual ganhou seu primeiro Oscar – de melhor filme estrangeiro - e Missing-Desaparecido, segundo Oscar – desta vez de roteiro – e a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Muitos de seus filmes ficaram anos proibidos no Brasil, durante a ditadura militar. Com o final dos regimes de exceção na Europa e na América Latina, Costa-Gavras ficou um pouco órfão de sua própria obra. Mas nos últimos anos ele tem se dedicado a retratar novas mazelas que afligem o homem moderno ocidental, já há algum tempo liberto dos regimes ditatoriais.

    Se no início do século XX os filósofos declaravam que “Deus está morto”, em alusão à prevalência da ciência sobre as crenças religiosas e supersticiosas, no início deste século o que vemos é a eleição de um novo Deus, o Deus-mercado, todo-poderoso, impiedoso e ainda mais cruel do que o Deus espiritual que pintam algumas religiões. Em nome dele – o Deus-mercado – parece que tudo deve ser sacrificado. Empregos, vidas, carreiras, família, felicidade, ética, leis e valores morais. É crescente o número de filmes que colocam banqueiros e corretores de valores como verdadeiros vilões.

    Neste O Capital, acompanhamos a história de Marc, um banqueiro de carreira que chega onde sempre quis: a presidência de um grande banco. Todos os seus movimentos visam, aparentemente, resguardar os interesses dos grandes acionistas e a sobrevivência de uma poderosa instituição capitalista de 40 anos. Mas, no fundo, tudo que ele almeja é poder e dinheiro, cada vez mais. Sua esposa lhe pergunta por que ele quer sempre mais. Sua resposta é que deseja ser respeitado.

    O filme dá um corte narrativo para este momento delicado do Banco Fênix, uma poderosa instituição financeira com sede em Paris, mas com sucursais pelo mundo todo. É a primeira vez que o presidente fundador deixa o cargo e há forte pressão para que o banco apresente melhores resultados aos acionistas, que lhe cobram cortes de pessoal e uma fusão pra lá de duvidosa. Marc se sai muito bem da armadilha, estrategicamente falando, mas sua decisão final, num momento em que a vida lhe apresenta a chance de rendição através da escolha por um caminho totalmente diferente, parece deixar no ar que o Deus-mercado pode se transformar num Diabo, e cobrar a alma de quem segue à risca sua cartilha, como um devoto.
    Filmes sobre mercado financeiro, ações, bolsas de valores, esse tipo de coisa, parecem assustar os pouco ou nem um pouco familiarizados com o assunto, e afastá-los de histórias que tem este universo como pano de fundo. Se bem conduzidos, podem agradar e muito o grande público – prova recente é o sucesso alcançado por O Lobo de Wall Street. Mas Costa-Gavras não é absolutamente próximo do estilo de Martin Scorsese, que parece que como diretor se torna um infiltrado no universo que retrata. Aqui em O Capital, o diretor mantém uma certa distância, um afastamento acadêmico calculado, estando mais na linha dos filmes A Negociação (com Richard Gere) ou Margin Call (com Kevin Spacey).

    Causa até estranheza, e de certa forma compromete um pouco o andamento do filme, as sequências em que o diretor, para expressar talvez o stress sofrido por Marc, dá vazão a suas reações espontâneas, que se revelam logo em seguida se passarem somente em sua mente. Também me pareceu destoante o uso do recurso de Marc por vezes “falar” com o público, se dirigindo para a câmera. Em O Lobo de Wall Street isto funciona muito bem, aqui não. Mas, por outro lado, O Capital não quer divertir, cinicamente, como seu similar americano. De maneira bem mais “comportada”, digamos assim, Costa-Gavras vai nos carregando pela mão junto com este Fausto moderno, que não deseja a eterna juventude, mas o eterno poder – ou, enquanto dure. Embora paradoxalmente consciente, Marc se deixa embriagar pelo poder, fechando os olhos para o inferno que lhe aguarda.
    Tiago Luiz Bubniak
    Tiago Luiz Bubniak

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    4,0
    Enviada em 23 de março de 2014
    ‘O Capital’ apresenta
    Robin Hood às avessas

    Ao usar como personagem central banqueiro que se vangloria de roubar dos pobres para dar aos ricos, Costa-Gavras apresenta crítica ácida ao sistema bancário global

    ‘O Capital’, dirigido por Constantin Costa-Gavras e baseado na novela de mesmo nome escrita pelo francês Stéphane Osmont, não tem os palavrões, as drogas e as relações sexuais de ‘O Lobo de Wall Street’. No entanto, o filme vindo da França apresenta um forte aspecto em comum com a quinta parceria entre Martin Scorsese e Leonardo DiCaprio: ser um retrato estonteante da ganância, dos jogos de interesses, da forma como relacionamentos são formatados em nome do lucro. Um retrato de cores carregadas, enfim, da relação do ser humano com o dinheiro e o poder.
    Gad Elmaleh dá vida ao protagonista Marc Tourneuil, funcionário de um grande banco da Europa (sugestivamente chamado de Phenix, a ave mitológica que renasce das cinzas). Ele é alçado ao posto de presidente da instituição bancária graças a um câncer nos testículos do presidente anterior. A ideia do conselho do banco é mantê-lo no cargo provisoriamente, mas Tourneuil aproveita a oportunidade e, fazendo uso de várias estratégias, procura manter-se no poder. Enquanto está à frente do Phenix, ele sofrerá pressões também de um grupo estadunidense liderado por Dittmar (Gabriel Byrne), que tem um plano de aquisição da instituição europeia.
    Dentre as cenas emblemáticas está a reunião por videoconferência do presidente com os 100.407 funcionários do banco em 49 países, a primeira desse gênero em toda a história da instituição. É estimulante assistir à diferença gritante na reação dos ouvintes após a fala de Tourneuil: de um lado, os altos executivos que acompanham o líder presencialmente; de outro, os funcionários que são apenas rostos em um grande painel que permite a videoconferência. Também é instigante acompanhar o porquê da reunião. Outra cena de impacto enfoca um almoço em família, no qual Tourneuil é questionado sobre assuntos como salário exorbitante e influências do modelo de gestão da instituição na vida dos cidadãos.
    Cada fotograma de ‘O Capital’ destila acidez contra o sistema bancário e suas consequências na sociedade. Sem dúvida, é um filme extremamente oportuno em um mundo pós-crise de 2008, que acompanha o colapso da economia na Europa e reflete cada vez mais sobre o atual modelo de capitalismo globalizado.
    Juarez Vilaca
    Juarez Vilaca

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    4,0
    Enviada em 11 de dezembro de 2013
    Um bom filme. Um drama econômico, cujo tema é a especulação financeira e os negócios sujos dos bancos. Bem feito e dirigido, muito direto. Mostra as negociatas e o enriquecimento dos banqueiros e sócios majoritários, que ganha, também quando os bancos fecham. Reflete um pouco a crise de 2008 do sistema financeiro internacional. Vale a pena.
    Marcio S.
    Marcio S.

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    5,0
    Enviada em 24 de outubro de 2014
    Ao olharmos a filmografia de um diretor, muitas vezes, nos deparamos com temas semelhantes ao longo de sua trajetória. Costa Gavras é um desses e faz de seus filmes instrumentos de denúncia ou representações de atos de caráter histórico. Em O Capital não é diferente. Ele realiza mais uma vez uma obra muito bem composta que denúncia o jogo de poder e ganância existente no mundo (ou submundo para melhor defini-lo) bancário/corporativo.
    Marc Tourneuil (Gad Elmaleh) é um empregado em ascensão dentro do Phenix Bank na França. Quando o presidente do banco tem que se afastar por problemas de saúde seu nome é sugerido para a presidência. Com sua ascensão Marc terá que saber jogar o jogo de interesse que está a sua volta e tentar se blindar das possíveis tentativas de derrubá-lo.
    Ao iniciar o filme Costa Gavras filma uma bola de golfe. Essa imagem por si só já se impõe por ser um símbolo de um esporte altamente elitista. Quando a próxima tacada é interrompida Gavras inicia o surgimento de um novo começo ou de uma nova tacada que será realizada por Marc. Através de uma frase metafórica Marc compara o dinheiro a um cão que não pede carinho e diz que o quanto jogarmos a bola mais longe o cão trará a bola indefinidamente. O presidente Marmande (Daniel Mesguich) não poderá mais lançar a bola (cena do início). Então caberá a Marc fazê-la ir o mais longe possível.
    O uso da quebra da quarta parede faz com que ele já nos diga que: o que estamos para assistir é uma representação da realidade em que vivemos e que seu personagem principal nos fará de cumplices de sua ascensão. Gavras consegue mostrar quanto o dinheiro é importante para Marc. A ambição desmedida do ser humano é externada através de Marc.Ter mais e mais dinheiro é a única maneira de conseguir o que ele entende por respeito. É difícil gostarmos de Marc, mas Gavras é eficiente ao colocá-lo no centro em uma cena em que ele parece estar cercado de pessoas que o querem ali apenas como algo a ser descartado em breve.
    Através de um mise-se-scène maravilhoso Gavras consegue compor planos que somam aos acontecimentos do filme e se fundem de maneira a enaltecer as cenas. Através de cenas ele consegue mostrar como De Suze (Bernard Le Coq), o acionista majoritário, é o líder do grupo. Em uma reunião em sua casa De Suze é o único que está superior em cena. Sem contar a forma em que coloca Marc e Marmande lado a lado. Quando este último irá promove-lo frente a diretoria, Marc está ao seu lado direito (ele é ou era seu braço direito) na cena seguinte Marc está a sua esquerda e já não demonstra tanta simpatia pelo seu antigo mentor. Ao final dessa mesma cena ele consegue transmitir o quanto Marc sairá vencedor e De Suze perderá, pois Marc se impõe com seu corpo ereto enquanto De Suze senta ficando no antigo nível de Marc.
    Nesse filme poderíamos discorrer por cada cena do filme que enxergaríamos a mão do diretor, mas para isso deixaremos de falar mais sucintamente. Ao analisarmos o filme como um todo perceberemos quanto ele consegue mostrar o homem em seu cerne com sua sociabilidade vinculada ao dinheiro. Saber jogar o jogo é para poucos. Quem entende-lo dará um passo à frente. Gavras consegue realizar um manifesto sobre o homem moderno onde para seu crescimento ele deve ser um cordeiro na pele de um lobo para depois sofrer uma metamorfose e aí sim se transformar em um lobo na pele de um cordeiro. O dinheiro basta para viver, o resto se obtém ou se não conseguir terá algo para substituir.
    O diretor ainda consegue planos em que mostra o futuro da sociedade através de crianças em uma sala que parecem escravizadas pela tecnologia. A cena diz tanto que me fez lembrar até uma cena em Matrix em que os homens estão em casulos controlados por máquinas logo após Neo ser acordado. Na cena a tecnologia escravizou os menores, além de funcionar como um símbolo da vitória do sistema econômico atual.
    Cínico e muito bem construído Gavras mais uma vez consegue realizar uma obra que condiz com todo o teor de sua filmografia. Um filme cínico até em seu título. Ele consegue desnudar sistemas e instituições. Mostra não a verdadeira face, mas sim a pior delas. Gavras como em outros filmes seus sempre mostra a necessidade que o ser humano tem de conseguir o melhor para ele no que convém para ele ser o melhor. O Capital é um retrato de uma época muito bem filmado e que será um manifesto sobre uma época. Daqui há algum tempo, quando filhos tomarem o lugar dos pais, olharão esse filme e terão um bom retrato de uma época. Quem sabe, eles verão o por que tudo explodiu.
    Phelipe V.
    Phelipe V.

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    3,0
    Enviada em 18 de janeiro de 2014
    Apesar do roteiro esquemático, o filme triunfa, e muito, ao situar seu anti-herói num ambiente cheio de "cobras", e evidenciar sua deterioração por causa do poder. Ainda que seja bem menos bom de atingir sua mensagem final do que "A Negociação", por exemplo, o thriller gerencial de Costa-Gravas ousa na quebra da quarta parede para denunciar a visão deturpada e distante de qualquer moral e ética de seu protagonista. Este, que aliás, acredito que seria um pouco melhor caso fosse interpretado por algum ator mais interessante. Não que Gad Elmaleh seja exatamente ruim, mas ele parece que nunca chega ao nível que o personagem pede. Uma pena.
    jpaschoal
    jpaschoal

    Seguir usuário 3 seguidores Ler as 37 críticas

    4,0
    Enviada em 13 de novembro de 2013
    Costa-Gavras retorna em plena forma. Ele, que já nos deu os memoráveis "Z", "Estado de sítio" e "Desaparecido", agora nos apresenta "O capital" mostrando o sistema financeiro internacional em suas nuances mais mesquinhas: jogo de poder, ameaças, chantagem, operações ilegais,etc.
    Centrado na figura de Marc Tourneil(Gad Elmaleh em boa interpretação) o filme tenta estabelecer uma relação entre as ambições pessoais dele e o momento histórico-econômico da crise financeira de 2008.
    Como sempre, uma direção segura, apesar do roteiro um pouco confuso, mas sempre deixando uma reflexão quando o filme termina
    anônimo
    Um visitante
    3,5
    Enviada em 6 de outubro de 2013
    O que o poder faz num homem? O que o desejo de mais dinheiro faz num homem? Não importa quem está acima ou abaixo; o negócio é preencher o ego, pisando nos mais frágeis e lambendo os corruptos, só para beneficiar a si mesmo? Com um leve “ar” de monotonia, o filme mostra o “crescimento” de um homem, típico dos dias atuais, vivendo (e sendo) o lado sujo do capitalismo.
    Denilson Ravenous Mendes
    Denilson Ravenous Mendes

    Seguir usuário 2 seguidores Ler as 35 críticas

    5,0
    Enviada em 2 de junho de 2014
    Não é dificil de se fazerem críticas aos ricos, ou aqueles que dominam a sociedade. Marxistas de botequim costumam falar nazelites, no imperialismo ou na globalização, tudo no mesmo saco. E tudo fica do mesmo tamanho. Construir uma crítica pautada em situações reais, coerentes com o comportamento verdadeiro das pessoas é um pouco mais difícil e corajoso.
    Neste filme Costa-Gavras vai a fundo para expor os jogos e trapaças do sistema financeiro mundial e o despir do glamour e da aura mítica, evidenciando as grandes doses de perversidade, frieza e misantropia que permeiam os peões, cavalos, reis e rainhas que compõe esse grande jogo.
    Trata-se de uma pequena aula de economia e relações internacionais. Indispensável para compreensão de nossos dias e uma apelo à ações que visem alterar o futuro cada vez mais sombrio que nos espreita.
    Igor
    Igor

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    5,0
    Enviada em 9 de fevereiro de 2016
    FILMAÇO!!!!!
    Descobri por acaso a existência desse filme (onde eu estava?? putzz).
    Meu coração disparou umas 15 vezes. Tive vontade de vomitar umas 5. E meu intestino trabalhou "aceleradamente". Definitivamente, tenho o estômago fraco pra esse tipo de filme. E por isso mesmo me encantei com a realidade exposta por Costa-Gavras.
    Ele não disse nenhuma novidade. Só escancarou a crueldade do "dark side" do capitalismo.
    Terminei o filme suando frio e enojado com realidade tão crua. Mas maravilhado com a maneira que foi contada.
    Washington V.
    Washington V.

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    3,0
    Enviada em 29 de junho de 2015
    Filme que fala sobre o capitalismo e poder.Apesar de interessante, se tornou um pouco cansativo da metade em diante.
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