Quem leu as HQ´s clássicas do herói, sabe que algumas características do Homem-Aranha sempre foram as de ser engraçado durante as batalhas, já que tinha inteligencia o suficiente para manter o foco, e outra coisa era como ele realmente se preocupava com as pessoas, tanto que seu slogan sempre foi "O amigão da vizinhança". Mas por quê eu tô falando tudo isso? Porquê é algo que está realmente em falta nos filmes de herói hoje em dia, alguém que se preocupa com os detalhes, coisas como ver se uma velhinha consegue atravessar a rua sem ser atropelada, com ocasionais lutas para evitar que alguém perturbe a paz desse povo. Isso é bem visível neste filme, você pode ver que o Aranha é um herói do povo, tem até uma cena em que ele ajuda um garotinho e se oferece para leva-lo em segurança pra casa. Esse foi só um detalhe que eu queria mencionar antes da crítica em si.
Se você está na duvida se este filme é superior ao primeiro, bem... depende.
A maior reclamação do primeiro filme foi o roteiro e a conveniência da trama. O roteiro ainda é fraco, os personagens estão bem construídos, mas tem um desenvolvimento um pouco corrido e a conveniência é usada como artificio de "surpresa", principalmente nas cenas de luta. Muitas cenas são referências diretas aos quadrinhos, e por mais que possam ter agradado alguns fãs mais antigos, principalmente por finalmente termos um Aranha que brinca e faz piadas realmente engraçadas, não foram o suficiente para sustentar o alter ego: Peter Parker. Este continua sendo o Andrew Garfield mediano, mais puxado pra linha Ultimate (focada em tramas cinematográficas). Mark Webb, o diretor, é conhecido pelo ótimo trabalho com personagens ("(500) Dias com Ela"), e ele consegue uma relação muito boa entre o herói e a namorada, Gwen Stacy (Emma Stone), mas Parker sozinho continua o hipster que está mais preocupado em resolver o mistério dos pais.
A ação está excelente, a câmera consegue captar os melhores movimentos do herói -alguns slow-motions desnecessários, mas quem liga?- e as sequências de luta estão muito bem desenvolvidas. Uma delas ocorre no meio da Times Square e por mais que alguns estejam reclamando da falta de realismo por todos ficarem observando separados por barras de proteção, como em um verdadeiro ringue, tem que aceitar um pouco da liberdade poética, porque se formos exigir realismo o tempo todo, toda a graça vai embora. Em termos técnicos, está tudo de parabéns, desde os efeitos, passando pela trilha, chegando ao 3D.
Outro grande medo seria a introdução dos vilões. Electro (Jamie Foxx) é completamente diferente da versão original dos quadrinhos (olha o Ultimate aí de novo), e por mais que Foxx seja um bom ator, as motivações dele são aquelas que poderiam ser resolvidas com uma boa conversa (o aranha até tenta, mas o vilão está decidido, aí não tem jeito), ou seja, ele está apenas OK. Sobre Harry - não é nenhum spoiler o que acontece com ele-, o ator Dane DeHaan (que estava ótimo em "Poder Sem Limites") tem motivações um pouquinho mais fortes, mas ainda assim não é aquela em que você chega a entendê-lo (como Khan em "Star Trek Alem da Escuridão"). Sobre o Rino, bem, ele é alívio cômico, então você não precisa se preocupar com "vilões demais". O maior problema deles é a motivação, principalmente a da empresa Oscorp, onde tudo parece tão predestinado e sem razão para existir que é melhor nem ficar pensando muito nisso.
Não podemos esquecer que a promessa do filme é entreter, e essa promessa foi sustentada do início ao fim. Se você for um verdadeiro fã do Homem-Aranha, vai gostar das pequenas referências e apreciar a aventura pelo que ela é, uma grande diversão descompromissada e cheia de ação. Não é espetacular ainda, mas se trabalhar um pouco no roteiro e no tom do filme, podemos chegar lá.
Aviso: Fique durante os créditos para uma prévia de X-MEN: Dias de Um Futuro Esquecido. Mas não ha cenas pós créditos de Homem Aranha