"Palavras não tem capacidade de traduzir sentimentos, as palavras são moles". Essa frase dita pelo personagem Alexei descreve muito bem o que é O Espelho, uma das maiores obras do genial diretor russo Andrei Tarkovski. Um filme em que as imagens falam pelos personagens. Um filme onde palavras não conseguem transmitir as emoções como a imagem faz.
O Espelho é baseado nos acontecimentos reais de Tarkovski que é representado por Alexei. Este filme é um trabalho pessoal do diretor russo, tanto que a mãe de Alexei idosa é a própria mãe de Tarkovski, e os poemas de seu pai( Arseni Tarkovski) são recitadas por ele mesmo no decorrer do longa. Essa característica autobiográfica é encontrada em todos os filmes do Tarkovski.
O filme nos mostra lembranças de Alexei, um homem que está a beira da morte por conta de uma doença. O filme tem três períodos: Pré-guerra, a guerra e o pós guerra. Isso também é um reflexo da vida de Tarkovski, que viveu esses três períodos.
E, na minha visão, esse é o significado do nome O Espelho: pois Tarkovski vê a si mesmo no filme, e ele quis que as pessoas vissem elas mesmas no longa, como elas sendo os personagens do filme.
Tecnicamente falando o filme é uma verdadeira obra de arte, a fotografia belíssima de Georgy Rerberg casa muito bem com o enredo, com o verde sendo a cor maioritária no longa. Este filme também contém uma das cenas mais emblemáticas da filmografia de Tarkovski e do cinema em geral:
O celeiro pegado fogo enquanto todos veem tranquilos.
O Espelho certamente não é um filme para ser visto apenas uma vez, é uma obra abstrata, sendo preciso ver várias vezes para absorver o que ela tem a dar. É enigmático, aberto a várias interpretações, Sem dúvidas, é um divisor de águas dos filmes de Tarkovski, que irá adotar após esse filme, uma linha filosófica mais existencialista.