Numa noite cansativa e algo morosa, comecei a ver, sem grandes expectativas, o novo filme do escritor Stephen Chbosky. Apesar das inúmeras críticas positivas que o filme tem vindo a receber desde o seu lançamento (22 de Novembro de 2012 em Portugal), confesso que estava bastante reticente quanto ao verdadeiro valor desta obra. “The Perks of Being a Wallflower” acabou por me surpreender pela positiva, prendendo-me ao ecrã do primeiro ao último minuto.
A trama foca-se essencialmente na vida de três adolescentes que estão na fase, bastante complicada, de transição entre a infância e a idade adulta. Um desses adolescentes é Charlie (Logan Lerman), um jovem rapaz extremamente inteligente mas com uma vida social bastante desajeitada e praticamente inexistente. A vida deste jovem muda radicalmente quando conhece Sam (Emma Watson) e Patrick (Ezra Miller), dois meios-irmãos bastante rebeldes que o introduzem numa nova realidade, num novo mundo cheio de experiências e aventuras que o ajudam a amadurecer e a aumentar a sua auto-estima. Ao mesmo tempo, Mr. Anderson (Paul Rudd), o seu professor de inglês, começa a oferecer livros a Charlie, alimentando desta forma o sonho do jovem aluno de um dia poder-se tornar escritor. Tudo parece estar a correr bem nesta nova fase da vida de Charlie, mas ele não consegue livrar-se da dor que arrasta do seu passado.
Toda a história de “The Perks of Being a Wallflower” é fascinante, acabado por se tornar numa mistura entre uma telenovela juvenil e um profundo melodrama pessoal. Os medos, dramas, romances e dúvidas dos três jovens, são todos explorados com grande beleza e dignidade, mas também com uma admirável profundidade emocional que normalmente não encontramos nos dramas/comédias juvenis. A maior parte desses problemas e complexos sociais/mentais pertencem a Charlie, que, depois do suicídio do seu melhor amigo e da morte acidental de um familiar que lhe era muito querido, tenta exteriorizar, confrontar e resolver todos os seus medos e demónios através da sua relação simbiótica com a escrita, mas também através da sua amizade com Sam e Patrick. A evolução da trama é pautada por muitas surpresas mas sobretudo por vários momentos de genuína emoção, liberdade e exaltação que nos mostram o lado mais conturbado e desorientado dos jovens.
O principal responsável pela profundidade emocional do argumento é Stephen Chbosky, que além de ter escrito esta obra, ainda a produziu e realizou, e além de ser um estreante no que diz respeito à realização, conseguiu um trabalho majestoso, sem erros nem grandes falhas a assinalar. Outro aspecto positivo de salientar é a escolha das músicas que compõem a banda sonora desta obra, que nos leva a ouvir desde The Smiths até David Bowie.
Os três actores principais, Logan Lerman, Emma Watson e Ezra Miller, apresentaram uma forte dose de excelência ao filme, nomeadamente Ezra Miller que uma vez mais provou que é um actor versátil e fenomenal que tem um potencial enorme. Além de ainda ser complicado de desassociar Emma Watson de Hermione Granger, é bastante notória a evolução da jovem actriz, conseguindo uma boa interpretação neste filme. Quanto ao jovem Logan Lerman, que dá vida à personagem principal, também teve um boa performance, mas acabou por ser um pouco ofuscado pelas interpretações dos já mencionados Ezra Miller e Emma Watson.
Em suma, “The Perks of Being a Wallflower” agradou-me bastante, tornando-se numa das maiores surpresas dos últimos tempos, assumindo-se, a meu ver, como um dos melhores filmes de 2012.