Clássico filme japonês de 1954, escrito e dirigido por Ishirô Honda em um contexto pós-Segunda Guerra Mundial, com um Japão ainda atemorizado com os ataques nucleares a Hiroshima e Nagasaki, Godzilla se tornou um fenômeno no cinema não apenas por ser um predador imbatível, mas pelo filme associá-lo a própria imagem do Japão.
Após sessenta anos, o Rei dos Monstros retorna as telas do cinema pelas mãos de Gareth Edwards e traz consigo toda uma bagagem provinda do filme original e suas sequencias que remontam os anos 70, 80 e 90. A versão de 2014 presta uma bela homenagem aos filmes originais, capricha nos efeitos especiais e escala um elenco tão grandioso quanto o próprio Godzilla.
Na trama, Joe Brody (Bryan Cranston) cria o filho sozinho após a morte da esposa em um acidente na usina nuclear em que ambos trabalhavam, no Japão. Sem aceitar a catástrofe, quinze anos depois ele descobre o que havia por trás do acidente, porém, cabe a Ford Brody (Aaron Taylor-Johnson), seu filho, um soldado do exército norte-americano lutar para salvar a população mundial e proteger sua família do monstro Godzilla.
Com uma introdução repleta de imagens e notícias de 1954, o filme começa muito bem ao contextualizar a origem do monstro e mostrar a história de Joe e Ford, pai e filho que possuem uma relação distante e que são obrigados a conviverem após a esposa e mãe, Sandra Brody, morrer em um acidente na usina nuclear onde trabalhava com o marido, no Japão. Anos depois, Joe continua suas pesquisas não autorizadas na área de quarentena em busca do que causou a morte de sua esposa, com o auxílio discreto do Dr. Serizawa (Ken Watanabe), quem também estuda o ocorrido à procura de respostas as suas teorias e indagações.
Outro fator relevante nesta produção é a importância dada ao elenco coadjuvante, que mescla os cidadãos japoneses com americanos, sem tender para o tradicional nacionalismo norte-americano visto na maioria dos filmes. Aqui o Japão é tão personagem quanto o próprio Godzilla e o fato do papel do Dr. Serizawa - personagem chave da obra de 1954 - ser interpretado pelo ator japonês Ken Watanabe acabou por abrilhantar ainda mais a produção cinematográfica ao valorizar os talentos do cinema japonês. Unido a isto, o fato das lutas entre monstros gigantes possuírem uma estética visual muito próxima a dos tokusatsus - filmes e séries live-action de super-heróis japoneses com ênfase nos efeitos especiais, mesclando técnicas como pirotecnia, computação gráfica, modelismo, entre outras - termina por honrar a Terra do Sol Nascente com características de sua própria produção audiovisual em conjunto com os efeitos especiais hollywoodianos, que criam situações e personagens que fazem jus ao país que criou Godzilla.
Efeitos sonoros impecáveis, lutas colossais, um Godzilla imenso e realista regado a muita, mas muita destruição, dão o tom do novo Godzilla, que faz um retorno triunfal às telonas e nos faz esperar por mais do lagarto gigante.