Finalmente, após meses de expectativa, estreia no cinema “Godzilla”. Repleto de ação e destruição desenfreada, o lagarto gigante chega às telonas com uma trama média, mas que consegue atingir seus objetivos.
“Godzilla”, de 1954, retrata o medo de um mundo inteiro acerca das armas atômicas, que na época não saiam das primeiras páginas dos jornais. O medo era tamanho que a origem do grande lagarto vem exatamente de testes nucleares que acabaram acordando a fera adormecida. Em 1956 o filme foi reeditado e americanizado, colocando takes do repórter Steve Martin (Raymond Burr) e lançado como “Godzilla – O Rei dos Monstros”. Mas essa foi a única mudança aparente, o filme continuava sendo apenas um filme de destruição. Em 1998 o filme foi novamente refeito, com as piores mudanças possíveis, desta vez, além de o lagarto destruir a cidade de New York, ele estava “grávido” e procurava um lugar para desovar. O 2014 é bem diferente (ainda bem), a origem do “Rei dos Monstros” pode se assemelhar em partes com as de seus antecessores, porém a história em si, a trama que se desenvolve ao longo do filme, se assemelha muito mais com a série animada de 1999, chamada “Godzilla – The Series”, que obteve até mais sucesso que o filme estrelado por Matthew Broderick. Na verdade, a série animada é uma continuação do filme de 1998, e que funcionou muito bem.
Como se pode ver e imaginar os filmes anteriores possuem uma trama bem definida (isso não significa que seja bom), na verdade, o enredo é simples, não há conflitos extras, o filme retrata um monstro gigante que acorda e tenta destruir tudo, e os humanos tentam impedi-lo. Ponto. Fim da história. Acontece que hoje em dia isso não funciona mais, não se pode fazer simplesmente isso. E foi o que esse novo roteiro tentou fazer. Ao adicionar o conflito familiar, e indagações conspiratórias acerca de um fato ocorrido. A intenção foi boa, mas no decorrer do filme, tudo isso não é levado mais em conta, ou essas situações foram reveladas ou descobertas. Ou seja, o primeiro ato do filme é muito lento e apenas pequenas coisas são aproveitáveis, a intenção foi boa, mas essa parte não funcionou. Por incrível que pareça, a melhor indagação que é adicionada ao filme está associada às atitudes do “Godzilla”. E dentro do que o filme se propõe, isso sim funcionou.
Gareth Edwards, o diretor do filme, fez uma excelente jogada. Ele adicionou o suspense. Mas não em forma de roteiro. E sim em forma de imagens, takes e montagens, ao mesmo tempo em que mostrava todo o esplendor e monstruosidade que é o Godzila, ele ocultava alguma coisa, ou uma cena de ação, ou o próprio monstro. E isso sim foi legal, porque quando ele aparece, mais precisamente no terceiro ato, você se sente extasiado por ver que aquela espera toda valeu muito apena, e ainda mais eufórico pelo bom investimento que fez ao ver Godzilla. (E não Pompéia).
Por fim, as atuações foram positivas, com todos cumprindo seu papel sem problemas, foi bom rever Bryan Cranston, o Sr. White de “Breaking Bad” em ação, mesmo que só um pouco; Aaron Johnson, o nerd-herói de Kick-Ass e o Mercúrio do próximo “Vingadores”; e Elizabeth Olsen, que começa a se destacar e que (também) irá aparecer em “Vingadores” como a irmã de Mercúrio, como Feiticeira Escarlate.
Sendo assim, Godzilla merece 3,5 estrelas, que ainda é uma nota excelente, na verdade, monstruosa!