Impressionante como um filme com dois atores de renome, roteiro de simples entendimento e um show de efeitos especiais é capaz. Sandra Bullock (Dr. Ryan) e George Clooney (Matt Kowalski) dão um espetáculo de encenação, uma vez que além do profissionalismo apresentado na maioria de suas atuações, vale destacar a dificuldade imposta por esta excelente ficção científica, já que o cenário, situações e relações interpessoais são totalmente escassas.
O local de “gravação” nada mais é que o infinito vácuo do espaço, onde gravidade, oxigênio e sobrevivência são nulos. A maestria com que as câmeras acompanham os movimentos dos personagens, nos levam a sensação de estarmos também no universo. A frequente tensão passada pelas conjecturas adversas e atuações magníficas, é intrinsecamente sensibilizada pelos telespectadores, haja vista a perfeição com que nos identificamos a cada quadro que passa, a cada respiração ofegante, a cada girada gravitacional, a cada trilha sonora de pura agonia, enfim, a cada dificuldade vivenciada pelos protagonistas.
Alfonso Cuarón dirige tal drama de forma esplendorosa, propiciando aos personagens características estritamente essenciais, visto que nos proporcionam um tom cômico perfeitamente contracenado por Kowalski, em meio a um teor dramático e sério imposto pela sofrida Dr. Ryan. Salientando ainda que o mesmo teve total sucesso no aproveitamento de 91 minutos de muita angústia, medo, pressão e nervosismo, nos deixando aflitos do início ao fim.
Enredo, encenações e tensões a parte, o longa ainda nos oferece referências concernentes a observações abstratas de cunho simbólico, as quais podem ser interpretadas nos mais diversos paradigmas e dogmas, favorecendo desta forma, ideologias alheias aos diversos postulados teológicos existentes. Tais situações podem ser notadas tanto na posição fetal tomada por Bullock, oriunda de um grande alívio momentâneo e somente possibilitado pela ausência de forças gravitacionais; quanto na conclusão épica em sublime apologia às variadas crenças humanitárias primícias.
Desta maneira, não sendo de maiores espantos quanto a possíveis inúmeras indicações ao Oscar, tal trama acarreta 100% de interatividade, aconselhável em 3D (devido aos excelentes efeitos especiais) e para todas as idades, detendo assim um 4,5.