Claro. Mantive sua **nota 7,5/10**, destacando a força do elenco, a boa ação e principalmente a comparação inevitável com *O Fugitivo*, mas mostrando por que a continuação não alcança o impacto do original.
# . MARSHALS: OS FEDERAIS — 1998
**Ano de lançamento:** 1998
**Duração:** 2h11min
**Gêneros:** Ação, Suspense, Policial
**Direção:** Stuart Baird
**Principais atores:**
* **Tommy Lee Jones** — Samuel Gerard
* **Wesley Snipes** — Mark J. Sheridan
* **Robert Downey Jr.** — John Royce
* **Joe Pantoliano** — Cosmo Renfro
* **Irene Jacob** — Marie Bineaux
* **Kate Nelligan** — Helen Gerard
### ESTÓRIA
Depois do enorme sucesso de **O Fugitivo (1993)**, era praticamente inevitável que Hollywood tentasse repetir a fórmula. A diferença é que Harrison Ford deixa o centro da história e **Tommy Lee Jones assume novamente o papel de Samuel Gerard**, agora acompanhado por uma nova equipe.
O alvo da vez é Mark Sheridan, interpretado por Wesley Snipes. Ex-fuzileiro naval e homem vivendo sob uma identidade diferente, Sheridan parece ter conseguido desaparecer do mundo. Até que um acidente coloca sua verdadeira identidade novamente em evidência.
Acusado de assassinato, ele passa a ser perseguido por Gerard e seus homens. Mas Sheridan não pretende simplesmente fugir: ele precisa descobrir quem está por trás da acusação e provar sua inocência.
E, no meio dessa caçada, surge Royce, interpretado por Robert Downey Jr., um novo integrante da equipe que começa a revelar que talvez exista algo muito mais sombrio acontecendo.
### A CAÇADA
O grande mérito de *. Marshals* está justamente na perseguição.
A estrutura lembra muito *O Fugitivo*: um homem acusado injustamente, uma equipe determinada a capturá-lo e um protagonista que precisa correr enquanto tenta descobrir a verdade.
Mas existe uma diferença importante.
No primeiro filme, a perseguição tinha uma tensão quase perfeita entre Gerard e Richard Kimble. Aqui, a presença de Wesley Snipes muda a dinâmica.
Sheridan é mais físico, mais preparado para o combate e possui treinamento militar. Isso transforma a fuga em algo mais explosivo, com perseguições, tiroteios e confrontos corpo a corpo.
### AÇÃO
E aqui o filme entrega.
As sequências de ação são bem construídas e possuem aquela característica dos grandes filmes policiais dos anos 1990: **efeitos práticos, perseguições reais, explosões e pouca dependência do CGI**.
Existe inclusive uma espécie de brincadeira cinematográfica com o filme anterior.
Se Harrison Ford protagonizou a famosa fuga pelo rio, Snipes encontra seu próprio momento de sobrevivência em uma sequência envolvendo **um trem**, criando uma cena que se tornou uma das marcas do filme.
É impossível não comparar os dois.
### ATUAÇÕES
Tommy Lee Jones continua excelente como Gerard.
O personagem funciona porque não é simplesmente um policial que quer prender o fugitivo. Ele observa, investiga e começa a perceber que aquela história não fecha completamente.
Wesley Snipes também funciona muito bem como Sheridan. Ele consegue misturar o homem acuado com o soldado treinado, fazendo com que o personagem seja capaz de fugir, lutar e pensar sob pressão.
E temos **Robert Downey Jr.**, ainda antes de se tornar o gigantesco astro que conhecemos hoje.
Royce começa como integrante da equipe, mas gradualmente sua verdadeira natureza aparece. É uma boa escolha de elenco porque Downey consegue transmitir inteligência, arrogância e uma certa ambiguidade.
### 里 ROTEIRO E ENREDO
O problema é justamente aquilo que também é sua maior qualidade: **a fórmula funciona, mas é muito parecida com a anterior**.
Temos novamente o fugitivo, novamente Gerard perseguindo, novamente uma acusação que parece não ser verdadeira e novamente a descoberta de uma conspiração.
A diferença é que agora a história tenta ampliar o universo dos agentes federais e transformar a perseguição em uma conspiração maior.
Funciona, mas não possui a mesma força emocional de *O Fugitivo*.
No primeiro filme, havia uma ligação muito forte entre Gerard e Kimble. Aqui, Sheridan é um protagonista interessante, mas a história acaba dependendo mais da ação do que da construção emocional.
### CRÍTICA
*. Marshals: Os Federais* é um daqueles filmes que chegam com uma missão ingrata: **suceder um clássico**.
E talvez seja justamente por isso que ele seja constantemente comparado ao filme de Harrison Ford.
A produção tem um elenco excelente, boas perseguições, cenas de ação competentes e um roteiro que sabe conduzir o mistério. Porém, falta aquela sensação de descoberta que fez *O Fugitivo* funcionar tão bem.
Ainda assim, é injusto tratá-lo simplesmente como uma cópia.
O filme consegue construir sua própria identidade dentro do gênero policial e entrega uma aventura bastante eficiente. Snipes está bem como fugitivo, Tommy Lee Jones continua carregando Gerard com autoridade e Downey Jr. acrescenta uma boa camada de desconfiança à equipe.
É um filme que talvez não tenha conseguido superar seu antecessor, mas também não fez feio.
### VEREDITO
*. Marshals: Os Federais* é uma continuação que não possui a mesma força de *O Fugitivo*, mas consegue sobreviver por mérito próprio.
É um bom thriller policial dos anos 1990, com **ação, perseguição, conspiração e excelentes atores**.
Se no primeiro filme a pergunta era **“será que Kimble conseguirá provar sua inocência?”**, aqui a questão passa a ser ainda mais perigosa:
**“E se o homem que deveria estar caçando o fugitivo também fizer parte da conspiração?”**
O filme não alcança o nível do original, mas entrega aquilo que promete.
**⭐ MINHA NOTA: 7,5/10**
**Não superou O Fugitivo, mas conseguiu fazer algo difícil: pegar uma fórmula consagrada, trocar Harrison Ford por Wesley Snipes e ainda entregar um bom filme de ação e suspense.**