A educação é uma das coisas mais importantes para o ser humano se desenvolver e adquirir as competências para se autorrealizar e ser autônomo no mundo. Dessa maneira, ser inclusivo se torna essencial e é esse aspecto que a obra brilhantemente irá abordar. Nesse sentido, ela toca em questões fundamentais do ensino de crianças, onde nos apresenta um protagonista neurodivergente (Ishaan), possuindo dislexia e transtorno de déficit de atenção (TDAH) que passa muita dificuldade, por estar em um ambiente despreparado e preconceituoso, resultando em sofrimento, dor e angústia por sua falta de encaixe a dita normalidade.
No desenvolver do enredo observamos como Ishaan está tendo seu eu psicológico degradado por ser forçado a conviver com uma inadequada educação conservadora que reflete em constantes repreensões familiares, por suas notas baixas e seu mau comportamento, como se tudo fosse apenas uma falta de “vontade” ou de disciplina. Em vista disso, toda a sua autoestima, criatividade e até sua essência é destruída, ocasionando uma espécie de depressão que o transforma em um ser maquinal sem um sentido para existir.
No entanto, tudo muda quando ele encontra um novo professor (Ram), esse não apenas entende as dificuldades de Ishaan, mas se ver no próprio garoto, alguém não compreendido e isolado por ser diferente. Contudo, ele tem o problema de reacender a vitalidade do menino que agora está totalmente desolada. Felizmente com muito esforço e persistência ele consegue trazê-lo de volta, porém, não só isso, com metodologias mais adequadas, torna-o o protagonista do seu próprio conhecimento, fazendo com que ele aprenda o que tinha dificuldade e reviva seu ânimo e sua criatividade.
Desse modo, o filme nos traz a todo momento uma reflexão sobre a importância da inclusão, mas não o faz meramente através de um professor “milagroso”, pois esse tem que remodelar e incentivar todos os que estão a sua volta, tanto os demais professores e a estrutura escolar, quanto os pais de Ishaan, declarando que essa missão é coletiva. Portanto, a obra lembra que cada ser humano é único, onde, não existe um mesmo método para todos e que a diversidade é essencial.
Toda a narrativa é feita de maneira excepcional, temos uma boa produção, trilha sonora interessante e apesar de estranharmos algumas cenas, por parecerem, no primeiro momento, infantis, elas são muito bem colocadas quando a olhamos em sua totalidade, já que nos mostram a perspectiva da criança que está vivendo esses fatos. Por fim, é uma história emocionante que é recomendada para todos, principalmente para futuros docentes.