GUERRA MUNDIAL Z
Um insulto à inteligência dos espectadores. Essa seria a melhor forma de definir este filme ultrajante. Marc Forster parece ter perdido completamente a sensibilidade de outrora, que o conduzia numa bela filmografia, com filmes interessantíssimos como A Última Ceia, Em Busca da Terra do Nunca, Mais Estranho que a Ficção e O Caçador de Pipas. Ele já havia dado uma bola fora com A Passagem e um tombo feiíssimo com o mais fraco filme que eu já vi do 007, o sonífero Quantum of Solace (único filme ruim de Daniel Craig como Bond). Agora, Forster nos brinda com essa afronta de filme de zumbis, com uma avalanche de clichês um após o outro, num filme frio, sem brilho e com um elenco que está ruim de doer. Brad Pitt está mais canastrão que nunca, e as pontas de David Morse e, em especial do excelente ator alemão Moritz Bleibtreu, estão extremamente aquém do potencial desses atores. Há aqueles que digam que esse tipo de filme não exige muito dos atores, pois definitivamente não é um filme de “interpretação”, mas com certeza esse fator ajudaria a não ser o fiasco que é se os bons atores que integram seu elenco tivessem um roteiro decente para trabalhar. Vou enumerar alguns dos vários problemas do filme: os personagens são mal construídos e sem carisma, além de personagens chatas, como as filhas do personagem de Pitt, que no meio a um ataque zumbi ficam preocupadas ora com um bicho de pelúcia dos mais feios como também com um certo cobertor (!?!) que sabe-se lá porque é mencionado... minha vontade era de que um dos mortos vivos mordesse o pescoço daquelas meninas pra calar a boca delas e até mesmo causar alguma certa comoção que inexiste durante todo o filme; os efeitos especiais são bem feitos, mas as melhores cenas estão no trailer, então não é preciso perder seu tempo vendo o filme na tela grande, até porque os efeitos 3D em si me pareceram dispensáveis; O roteiro peca em tudo, principalmente por abusar dos meios mais fáceis de causar sustos planejados e na superficialidade da narrativa; Dentre isso, vale frisar que uma cena ou outra é interessante, como a que o personagem de Pitt está num laboratório que armazena terríveis ameaças biológicas e tem que decidir, entre tantos absurdos do filme, sobre uma possível forma de se sacrificar em prol da humanidade. Mas são cenas bem isoladas, desmanchadas por um final risível (que dá margem a uma já anunciada continuação, pela qual eu passarei bem longe) e que me deu simplesmente vontade de exigir meu pobre dinheirinho de volta na bilheteria do cinema. Ainda bem que pago meia entrada e fui durante a semana, que é mais barato, ou a dor de perder mais dinheiro com tamanha perda de tempo seria ainda pior.
Nota 1.