"Extermínio 3" é um filme de “zumbi” tão bom que chega a doer — embora as criaturas não sejam necessariamente zumbis, são assustadoras. O primeiro ato, como um todo, é um belo exemplo de como se faz terror e, melhor ainda, absurdamente autoral, com cortes e edições frenéticas que contextualizam o espectador ao mesmo tempo em que criam correlações históricas do povo do Reino Unido. É um belo início: a sensação de estar em um local inseguro, com pouca munição, criaturas desconhecidas, a noite se aproximando, a possibilidade de fuga se esvaindo, e ainda saber que, além das criaturas, há humanos e mistérios ali contidos — tudo isso constrói uma atmosfera única e tensa.
O início é realmente muito bom. O longa desenvolve alguns subdramas familiares que, particularmente, são os pontos mais fracos do filme; porém, sem eles, a história não existiria, então aceitamos. Desde sempre, a franquia teve um toque de humor — algo quase terrír — e aqui não é diferente: o diretor entrega terror com pitadas cômicas, mas às vezes parece querer inverter essa lógica, como na cena final, que poderia facilmente ser um pós-créditos, para não diminuir o impacto da obra como um todo.
O final, de fato, é um problema. Mas quando se entende o quão autoral o filme é, esses detalhes se tornam aceitáveis. É um longa que abraça o terror clássico e cria uma nova história extremamente funcional, com potencial claro para expandir esse universo. 8/10