Extermínio 3 – Um delírio coletivo financiado
Acabei de sair do cinema e ainda estou em estado de choque. Com absoluta certeza, esse foi um dos piores filmes que já tive o desprazer de assistir na telona — e olha que eu encaro muita coisa duvidosa com pipoca na mão. Acompanho a franquia desde o início, e quando anunciaram o terceiro filme, fiquei empolgado. Evitei ver críticas para não pegar spoiler. Arrependimento define. Que coisa HORROROSA.
O filme é uma salada de referências sem tempero e sem propósito. Parece que os roteiristas misturaram “A Mulher de Preto”, “300 de Esparta”, “O Rei Leão” e “Power Rangers” depois de uma sessão pesada de ayahuasca. Sério, não tem pé, cabeça ou qualquer vestígio de sanidade narrativa. Começa numa vila medieval aleatória onde as pessoas vivem como se tivessem voltado no tempo. O protagonista, um garoto de uns 12 anos, parte com o pai numa espécie de rito de passagem tipo Esparta, mas versão budget.
A tal viagem precisa ser feita antes da maré subir, porque senão fica preso forever na ilha — um negócio que, honestamente, só serve pra criar uma tensão artificial. Quando chegam ao continente, surgem uns zumbis gordos, rastejando como se tivessem escapado de um concurso de cosplay de “The Walking Dead” feito por alunos do ensino fundamental. Tosquice nível hard.
Depois aparece o tal do zumbi Alpha. Um monstrengo com o carisma de um vilão de filme B e a força de um Kid Bengala radioativo: mata geral puxando a cabeça da vítima junto com a coluna vertebral, tipo souvenir de violência gratuita. Eles fogem, se escondem numa casa que desaba, correm de novo da maré, voltam pra vila, rola uma festa, o moleque bebe, vomita, o pai conta mentira, trai a mãe, o menino vê tudo, se revolta, incendeia a vila e parte pro continente com a mãe, que está meio doente e completamente deslocada.
Lá, mais zumbis, mais nonsense. A mãe tem lapsos de memória, o moleque é uma mistura de precoce com burro, e de repente surge um soldado sueco com iPhone, todo tático e high-tech, enquanto o resto do povo parece saído da Idade Média. Dá a entender que só a ilha deles está em quarentena (acho que é no País de Gales, mas nem isso é claro).
Em um momento que beira o teatro do absurdo, a mãe ouve gritos dentro de um trem, encontra uma zumbi parindo (sim, você leu certo), ajuda no parto normal, segura a mão da morta-viva e ainda puxa o bebê. Quando a zumbi tenta atacar, o sueco executa e já mira no bebê, mas o menino e a mãe defendem. Logo depois, entra em cena o Zumbi Alpha da caceta, versão ultimate do primeiro, e arranca a cabeça do sueco como quem abre uma lata.
Fuga continua. Campo aberto. Zumbi da piroca na cola. Surge então um curandeiro aleatório, tipo versão dark do Rafiki do Rei Leão, todo pintado de iodo, que acerta uma zarabatana sonífera no zumbizão. Ele dorme em pé — porque claro que dorme em pé — e o trio vai parar num lugar macabro com pilhas de crânios. O curandeiro, poético e pintado, manda frases em latim e informa que a mãe tem câncer terminal. E como o filme ama acelerar tragédias, ele simplesmente mata a mulher com uma zarabatanada e entrega a cabeça dela pro moleque colocar na pilha de caveiras, tudo sob um pôr do sol digno de propaganda de margarina infernal.
O show não para. O zumbi pirocudo reaparece, toma outra zarabatanada (porque é isso que funciona), e o moleque retorna à vila, entrega o bebê zumbi (aparentemente não infectado) e vai pro continente fazer seu rolê de amadurecimento. Agora com cara de mau, começa a atirar flechas em zumbis na estrada. Só que ele se vê cercado, e aí… meus amigos… entra um padre anticristo com um grupo trajado com moletons dos anos 80 numa vibe “Kill Bill meets culto apocalíptico”. Eles enfrentam os zumbis numa sequência digna dos primeiros episódios dos Power Rangers. Sério. É tão tosco, tão desconcertante, que eu queria que fosse mentira.
Resumo: “Extermínio 3” não é só ruim. É uma mistura de delírio febril com teatro escolar distópico. Um desastre cinematográfico que nem o apocalipse zumbi consegue justificar. E ainda paguei ingresso and PorCorn