Um tema classicamente moderno: o herói.
Um dos lançamentos mais aguardados do ano, principalmente em termos de Box Office, não deve ser ignorado de forma alguma, nem para os visionários mais artísticos do cinema. Um simples motivo perpassa tal posição: a visão do herói.
Todos que vão assistir à "Homem de Ferro 3" esperam a redenção heroica que sempre, desde os heróis trágicos, nos causam terror e estranhamento, nos levando ao reconhecimento de nós mesmos, para enfim, a redenção. Aí está a questão: a produção, aqui observada, cumpre todos esses papéis e, por isso, ignorá-la é, no mínimo, um erro.
Certo que os efeitos especiais estão um tanto exagerados e a boa e velha mentirada industrial se faz presente de forma intensa e até um pouco enjoativa, mas a caracterização de Tony Stark, na transição do herói moderno para o, verdadeiramente clássico, nunca esteve melhor. De forma alguma, apresento altos elogios a Robert Downey Jr., apesar de o merecê-lo.
A narração inicial tenta criar esse ambiente trágico, daquele que sofrerá por seus próprios atos e no final assumirá seu papel de homem, de humano. Os questionamentos internos, as aflições ansiosas estão todas lá, firmes e fortes. A presença do garoto Harley, interpretado pelo talentoso ator mirim Ty Simpkins, como o reflexo de sua infância e a possibilidade de um futuro iminente abrilhantam o tema heroico.
Os abusos cometidos ficam para as tentativas de comédia muito mal feitas com piadinhas bem sem graça e na figura de Ben Kingsley, um de meus atores favoritos, mas que, nessa produção, pode ser resumido em uma palavra: desnecessário. Claro, sem mencionar Gwyneth Paltrow em seu auge de... "paltrownismo".
Esqueça esses parenteses e pode-se perceber um filme sobre um herói eterno, em seu conflito infinito sendo "falhamente" humano e nesta posição assume suas virtudes mais valorosas.