Sempre quando vou assistir a um filme que se baseia num anterior, sempre busco verificar se a essência da história está lá, pois tanto faz como será a roupagem nova que vai receber no novo roteiro, o que importa é se a história está nos trilhos. Sou fã descarado do diretor holandês Paul Verhoeven e de sua violência e modo de ver o mundo de forma muito pessoal e da trilha sonora inesquecível do greco-americano Basil Poledouris que neste filme só aparece em momentos ínfimos no filme, mas aparece. Agora voltando a essência da história, digo a você, sendo fã do filme original de 1987, você não irá se decepcionar com esta versão do diretor brasileiro José Padilha, pois não é mais um Tropa de Elite, apenas certas referências como a desumanização do homem quando exerce uma função, exemplo: o treinamento do Bope, a imprensa sensacionalista e as questões políticas e suas influências que foram inclusas para se misturar a idéia controversa de se colocar um homem numa máquina, o roteiro está muito bem escrito, o elenco muito bem escolhido, a edição do filme com os cortes nos momentos certos, tudo neste filme funciona e é explicado por menores, além de... pasmem... a essência da história está lá... você que é fã vai identificá-las e vai gostar do resultado, mesmo aqueles que não são fãs, irão gostar, pois este roteiro expandiu e criou novos questionamentos sobre as consequências reais do uso de máquinas no lugar de homens no combate ao crime e em guerras, se a desumanização é o ideal, se um homem é propriedade particular de uma empresa? Um homem pode ser realmente controlado? Mas ao mesmo tempo impele e demonstra que nós humanos somos o real problema, pois criador e criatura, são homens brigando por seus ideais e interesses. A presença da família do Alex Murphy nunca esteve tão presente quanto neste filme, sua importância foi essencial para o protagonista até o fim. Mas a cena que mais choca é quando é apresentado ao Alex Murphy, de como ele ficou após a transformação para máquina e que são restos que o representam como homem, suas palavras ali expõe o livre arbítrio de tal forma que não tem como não se impressionar e se colocar no lugar dele, e estas palavras batem no peito tão forte que a pergunta que retorna é: O que é "ser" humano? A única resposta que me veio foi que o homem realmente é regido pelo caos, fruto do meio de sua existência neste vasto universo, onde achamos estar no controle, mas no fim são apenas ilusões humanas, ilusões que criam a forma deturpada do mundo em que vivemos. Aos céticos de plantão que são fãs do original, deixem o "mimimi" de lado e vão curtir este excelente filme e você que não é fã, estará apreciando a melhor refilmagem que o Robocop estava merecendo a bastante tempo.