Robocop
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4,1
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Patricia M.
Patricia M.

1 seguidor 1 crítica Seguir usuário

4,0
Enviada em 24 de fevereiro de 2014
filme muito bom ! com muita acao porem acredito q tenha continuacao pois o final do filme n foi claro.
Rafael M.
Rafael M.

2 seguidores 1 crítica Seguir usuário

4,5
Enviada em 24 de fevereiro de 2014
Como pode cítica de profissionais oscilar tanto??? se ele tem formação em uma ciência, ou que seja uma arte, e assim possuem o conhecimento "know-how" sobre o assunto, não deveriam ter opiniões tão divergentes .... enfim, fica minha critica à critica.
Para mim um ótimo filme que nada deixa a desejar aos bons filmes americanos. Achei que ficaram bem amadurecidas as ideias que tentam aproximar a ficção de uma possível realidade.
E para mim o principal é que o filme tem os elementos essenciais para ser um sucesso com o público, mesmo que não venha a ser por causa das críticas dos chatos conhecedores, ele emociona, diverte e empolga enquanto se está assistindo.
Excelente!!!
Jhonatas S.
Jhonatas S.

22 seguidores 3 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 24 de fevereiro de 2014
esperava mais! principalmente na violência kkk mas a limitação vem pela faixa etária do filme, esses putos só pensam em vender e aumentar o público alvo acabou por tirar a parte violenta q marcou tanto os primeiros filmes `Robocop`
sfabio
sfabio

1 crítica Seguir usuário

4,0
Enviada em 24 de fevereiro de 2014
Primeiramente gostaria de dizer que este filme do Robocop dirigido por nosso compatriota José Padilha, é uma releitura de seu antecessor de 1987, que obviamente não tem a obrigação alguma de se seguir ao pé da letra este filme. Mas mesmo assumindo este aspecto, José Padilha soube respeitar os pilares principais da estória de Robocop como já conhecíamos anteriormente, mostrando uma versão mais moderna do herói (podemos dizer "herói"?) e, mesmo tendo um pequeno teor de violência (principalmente em sua introdução), é justificável a falta dela, tendo em vista que Robocop em tempos atuais é visto mais como entretenimento infantil do que adulto, sendo assim, como fazer um filme violento para crianças?

Bem, o ponto alto do filme ficou claramente voltado ao que nosso novo "Policial do Futuro" poderia fazer, e ele mostrou confiantemente oq tem de melhor, com foco em bastante usabilidade tecnológica. Outro ponto alto foi uma homenagem mantendo sua trilha sonora temática, trazendo nostalgia a todos os fãns do filme da década de 80. A crítica pesada em cima da política de segurança do estado também foi bastante explorada e aproveitada neste filme, coisa que sabemos que o nosso querido José Padilha sabe fazer bem em seus filmes. Todavia, apesar de bastantes pontos altos, o filme peca um pouco no excesso de drama em volta do pseudo-protagonista, deixando de lado a ação que é oq nós realmente queríamos ver, tornando o filme em determinadas partes meio cansativo. A conclusão do filme poderia ser mais trabalhada, deixando bastante empurrado e em determinado aspecto chega a incomodar.

Mas de modo geral, Robocop (2014) é um filme aceitável que pode agradar bastante o público que se identifica com o personagem, quanto aqueles que estão o conhecendo desde já. Todavia, é um ótimo filme de ação. José Padilha está de parabéns, superou (ou na pior da hipóteses alcançou) as expectativas sobre esta nova releitura, e que se tudo der certo, que venha uma futura continuação. Vale a pena conferir.
Rogerio A.
Rogerio A.

3 seguidores 1 crítica Seguir usuário

4,5
Enviada em 24 de fevereiro de 2014
Ágil, nervoso, violento e com muito vigor visual..
Fabiano S.
Fabiano S.

10 seguidores 5 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 24 de fevereiro de 2014
RoboCop | Crítica

Antes de iniciar a crítica propriamente dita, preciso que você leitor entenda duas coisas: 1) Vivemos em uma era do “politicamente correto”. A década de 80 foi recheada de violência e personagens vingativos. Me lembro de assistir desenhos animados do Conan e Rambo nas manhãs antes de ir para a escola. Isso mesmo: desenhos animados para crianças de personagens que tiveram filmes violentos. Hoje isso não é mais tolerado ou permitido; 2) A indústria do cinema americano tem um objetivo como qualquer outra indústria: fazer dinheiro. E para tanto, os filmes geralmente tem que garantir a classificação etária em 13 anos, possibilitando uma maior bilheteria.

Depois desta pequena explicação, vamos passar para a crítica propriamente dita do filme. A premissa do filme é basicamente a mesma do original: policial entre a vida e a morte é transformado em uma máquina para integrar a polícia local. Depois de um período de adaptação, passa a buscar os responsáveis pelo seu atual estado.

Mas o filme de José Padilha parte para uma abordagem mais “real” do personagem e do mundo que ele habita. Desta maneira, somos apresentados a uma realidade em que os EUA mandam robôs, drones e paranoia militar.

O governo americano não aprova o uso de robôs dentro do país. Para resolver este problema, a Omnicorp desenvolve um projeto único ao colocar um ser humano dentro de uma máquina. Ao implantar o “Projeto Robocop”, a opinião pública aprova tal iniciativa com as imediatas baixas na criminalidade.

O mundo criado por Padilha é crível e muito próximo do nosso. Parece uma evolução natural do que vivemos hoje em dia.
Apesar da ausência da violência explícita em comparação ao original, o RoboCop versão 2014 é mais humano. Toda sua adaptação à nova realidade física é dolorida e sentida. Tem-se aqui o embasamento do avanço das próteses e fisioterapia de readaptação. A tensão e desconforto da família neste processo de 3 meses.

O modelo “black fosco” do policial do futuro tem um motivo. Assim como sua arma de projéteis de descarga elétrica. Tudo no filme tem uma razão e explicação. Do início ao fim.
Mas apesar de um roteiro bem arrumado e amarrado, o grande destaque deste filme é o elenco. Cercando Joel Kinnaman como o policial dedicado e pai de família Alex Murphy, temos Gary Oldman, Michael Keaton, Abbie Cornish, Samuel L. Jackson e Jackie Earle Haley atuando de forma concisa e segura. Gary Oldman abordando a ética médica de forma tão dividida e real é um show em especial. Somente no final é que ficamos sabendo qual o posicionamento do personagem. Michael Keaton em uma versão Steve Jobs tem papel de destaque. E Samuel L. Jackson em uma versão “Datena” faz crítica ao poder de que a mídia tem direcionar a população que a mídia tem.

Se você tem mais de 30 anos, não encare como uma refilmagem. Faça como eu: são dois filmes com a mesma premissa em realidades diferentes.

Um bom filme e que mostra o talento de José Padilha para o mercado internacional.
Arildo R.
Arildo R.

32 seguidores 1 crítica Seguir usuário

4,0
Enviada em 24 de fevereiro de 2014
REPROGRAMADO EM NOVO TEMPO: Uma Análise de Robocop (2014) por Arildo "Mestre Ryu".

A moda dos últimos anos de refilmar clássicos intocáveis vem se tornado uma frustração por parte da velha guarda, os antigos fãs. Agora é a vez de Robocop: O Policial do Futuro, um dos meus clássicos favoritos, completos e intocáveis dos anos 80 (parece que foi ontem que nem se completavam 10 anos). Tudo ali se encaixa muito bem - o humor negro e a violência exagerada, caracterizavam o tom sombrio da obra dirigida por Paul Verhoeven.

Quando um trabalho cinematográfico marcante é refilmado por um renomado diretor, as coisas podem mudar e então passo a dar um crédito. José Padilha é sem dúvida alguma um dos meus diretores favoritos de todos os tempos e já começou bem em circuito americano ao ser escalado para refilmar um título muito importante. Um fato inédito para o cenário Brasileiro, um diretor do nosso país estar encarregado de refilmar um Blockbuster Americano que marcou uma geração e vendeu produtos como brinquedos e games cultuados até hoje.

Dificilmente se apaga marcas simbólicas como Robocop, cuja caracterização visual, trilha sonora e personagens e origem tão bem construídas que já se estabeleceram como um sucesso de público e crítica - decaindo a sua popularidade e infantilizado com as sequências (Robocop 2 e 3) e a série de TV.

José Padilha retoma o conceito maduro de Robocop a sua maneira - sem perder a essência do personagem e da história - trazendo a politicagem discutida comumente em suas outras obras: a decadência das corporações e a discussão sobre o uso da violência - em território Americano: a corrupção do Capitalismo e a utilização de máquinas de guerra substituindo o trabalho de soldados (seres eficientes, mas sem emoção para distinguir ou fazer escolhas).

Sem o humor negro e vilões tão cruéis quanto o filme original, por alguns momentos senti falta dos meus 20 anos atrás (quando só conhecíamos apenas um Robocop). Mesmo sem esses elementos e sem a violência 18 anos (nesse novo Robocop a classificação é 14 anos), a abordagem política pode cansar o público mais jovem ou o público que aguardava por apenas um filme carnificina - José Padilha mesmo disse que não fez um Robocop com o interesse de mostrar cabeças explodindo - mas existência dos drones (como é chamado as robôs do filme) são uma realidade nos tempos atuais fora dos territórios Americanos (como o caso das naves que voam no piloto automático).

A trama de Padilha (escrita por Joshua Zetumer), que também se passa no futuro (agora datado), trouxe elementos do presente para abrir mais um banco de dados sobre discussão ética, ficando muito bem encaixada para contar o que se passa nos tempos atuais - mas em universo fictício de um longínquo 2028. O futuro parece quase um plano de fundo do que parte de um elemento de fantasia complementar de um visual (totalmente atual).

Se na trama de 87 os efeitos visuais eram incríveis (ainda sem os recursos da computação gráfica) e se mantém convincentes com o passar do tempo, a versão de Padilha marca pela sua excelente edição vista em Tropa de Elite, apesar da câmera trêmula deixar situações levemente confusas do que realistas, para um filme Americano desse naipe. Pedro Bromfman (o compositor que Padilha trouxe de Tropa de Elite) em parceria com Bruce Fowler e Kevin Kaska,, fazem uma trilha tensa que convence nas cenas de ação fortalecida pela versão IMAX em cenas de tiroteios e explosões.

O maior ponto forte do filme fica mesmo é com as atuações - que desencadeiam muitas emoções principalmente na questão do controle que os criadores tem sobre o RoboCop. Ainda que a origem e o envolvimento humano do novo herói robô fique aquém do original, é interessante a expansão desse universo entre Alex Murphy e a máquina que ele se torna.

O ator sueco, Joel Kinnaman, é um novo Murphy com algumas rédeas mais rebeldes - personalidade adquirida pelo antigo Robocop firmemente após sua transformação ou da maneira como passamos a conhecê-lo melhor nos filmes originais. E ainda encara outros desafios que serão reconhecidas pelo antigo público - algumas de uma maneira diferente e embutidas de uma forma bem esperta.

Michael Keaton ( o meu eterno Batman dos saudosos anos 80 e 90 ) é o único vilão que realmente merece destaque, como o ganancioso Raymond Sellars, e Gary Oldman continua seguindo o seu destino de fugir de vilões (desde o seu tão querido James Gordon) e se mantém extremo como o Dr. Dennett Norton. Samuel L. Jackson, como o apresentador Pat Novak, chega a me lembrar a longa introdução de Patton: Rebelde ou Herói (1970), fazendo críticas em meio a guerra (agora mundial) e até contornando a imparcialidade da TV a seu favor.

José Padilha orgulha a nós Brasileiros e trata Robocop com o devido respeito, sem procurar matar o original, trazendo uma refilmagem de uma maneira devidamente minuciosa e inteligente (sem clichês bestas de filme Americano) e conseguindo manter algo de sua identidade, com peças novas (até o conceito da armadura preta convence), e apesar de pequenas coisas (pequenas mesmo) não surtirem tanto efeito como deveria (como uma versão da música tema originalmente composta por Basil Poledouris que se inicia meio levemente como uma rave - é melhor no álbum) e que podem fazer com que você viva detestando ou simplesmente procure deixar morrer.
Eduardo Santos
Eduardo Santos

340 seguidores 183 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 23 de fevereiro de 2014
Primeiramente gostaria de frisar que vi o filme original há muito tempo atrás, e não farei nenhuma comparação entre essas duas versões. O que importa aqui é que este Robocop me surpreendeu muito positivamente. A história pode não ser nova, mas a forma que é posta em prática é bastante interessante e atual. Para quem não sabe, o filme narra a jornada de Alex Murphy (muito bem interpretado pelo sueco Joel Kinnaman), que descobre um esquema de corrupção na polícia de Detroit e acaba sendo vítima de um atentado. Com a vida por um fio e o consentimento da esposa que buscava uma forma de salvar o marido, Alex é transformado em um artefato, meio humano, meio robô, capaz de unir os dois lados da moeda: a agilidade, precisão e frieza da máquina, com os sentimentos e discernimento do homem. Obviamente que o viés do filme retrata essa questão polêmica em meio a muita ação e correria, mas ao mesmo tempo não é deixada de lado toda a crítica referente ao dilema moral dessa circunstância limite. Na verdade, toda a manipulação política, de interesses e relacionada a dinheiro envolvidos nesse imbróglio é mostrada de maneira bastante ácida e marcante. O filme é uma crítica bastante pungente ao comportamento totalitário americano, e as visões ambíguas sobre corrupção e poder versus virtude e heroísmo são bem interessantes. A forma como um policial honesto é transformada num “monstro” robótico, onde seu primeiro contato com sua nova realidade é marcada pela repulsa, tem ares bastante contundentes. Ele absorve sua nova função amargamente, tornando-se uma figura sem sentimentos, um objeto controlado e manipulado pelos “grandes e poderosos”, sem consciência de ser uma mera marionete. Os cidadãos americanos abraçam Robocop como um novo heroi, mas não o consideram um homem perdido, e sim uma máquina que serve para combater uma criminalidade assustadora. O ritmo ágil e a coesão empregada pelo brasileiro José Padilha são bem vindos, assim como a forma que ele leva seu filme de maneira contundente em sua crítica social. Pode não ser um filme tão importante como Tropa de Elite 1 e 2, mas bom ver que o brasileiro conseguiu manter a discussão social em alto nível em sua primeira aventura hollywoodiana, coisa que ótimos diretores daqui como Walter Salles, Fernando Meirelles e Heitor Dhalia não conseguiram lograr com tanto entusiasmo em terra ianque. Fora isso, o filme conta com um ótimo elenco, onde além de Kinnaman, vemos ótimas performances de Gary Oldman e Michael Keaton, coisa rara em filmes de ação. Isso sem falar em um dos personagens mais interessantes do longa, que não poderia ter sido personificado por melhor ator: Samuel L. Jackson. É ver e avaliar com seus próprios olhos. Enfim, Robocop funciona como ótimo filme de ação e como filme reflexivo, item raro no cinemão de blockbuster atual. Pode não ser perfeito, e tampouco revolucionário, mas para um remake que muita gente não botava fé, o filme veio mostrar que tem uma qualidade bem acima da média do que se tem visto por aí no gênero.
Rodrigo C.
Rodrigo C.

15 seguidores 21 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 2 de maio de 2014
O reboot de Robocop, o clássico filme de 1987, teve sua estreia no último fim de semana. Dirigido pelo brasileiro José Padilha, e contendo um elenco de ponta, com Gary Oldman, Michael Keaton, Samuel L. Jackson e Joel Kinnaman, obteve liderança nas bilheterias brasileiras em seu primeiro final se semana.

Padilha trás neste ano de 2014, o remake do memorável filme dos anos 80. Robocop foi uma sensação que cria fãs até hoje, em parte por ser um filme com muita ação e uma boa dose de violência (que nos tempos atuais é bem repudiada por Hollywood), mas também por ser um filme denso, um filme com camadas. Você pode enxergar só a parte da ação, mas por trás de toda a munição e sangue, há também um discurso sobre corrupção, sobre manipulação, sobre política, enfim, um filme que apesar de antigo, perdura com seu discurso até hoje. E talvez esse seja o principal argumento para sofrer um reboot.

Nos dias de hoje, fazer um reboot não é fácil. Veja o novo "Total Recall" para tirar a prova. Sendo assim, Robocop já ganha e muito nesse quesito. O filme foi muito bem respeitado pelo nosso diretor, que fez um filme honesto, um filme que cumpriu o que prometeu.

Como disse anteriormente, Robocop nunca foi um filme só de ação. Em sua essência ele queria passar uma visão crítica a toda àquela sociedade e aos acontecimentos que eram notícia todo o dia. E isso não muda no remake. A própria questão existencial ainda é presente; e é essa a pior luta do Alex Murphy, de tentar lidar e conciliar a parte máquina com a parte humana dele, de tentar não perder essa sua humanidade.

Podemos perceber outra crítica à manipulação da mídia e ainda ao fato de como uma empresa pode se beneficiar dessa manipulação. Em tese, para a população, o Robocop foi criado para salvar e proteger as pessoas da criminalidade. Mas o que vemos é que ele era só um produto, apenas um objeto para que as pessoas se acostumassem com a ideia de um robô nas ruas, para que essas empresas finalmente pudessem fazer os EUA um mercado para o seu produto, ou seja, tudo o que importa realmente é o lucro e o dinheiro.

O desejo de vingança ainda é a motivação principal do Alex Murphy quando ele começa a se reencontrar; mas quando ele a encontra, finalmente percebe que tudo aquilo tinha um lado mais obscuro, o lado da corrupção.

Tudo isso podemos encontrar tanto no filme original quanto no remake. O que faz dele um filme honesto. Talvez falte alguma adição, algo a mais. Mas o quê? O filme que trás discussões tão atuais e tão palpáveis por todos, só pode ser considerado um ótimo filme, e mexer nele neste momento, pode trazer graves consequências, visto que metade dos que foram assistir entram no cinema com certa desconfiança, mas acredito que saíram dele com um voto a favor ao Padilha, e que isso reflita nas bilheterias, para que no próximo filme que vier ele tenha carta branca para poder criar e adicionar o que achar necessário.

Sendo assim, Robocop merece e vale a compra do ingresso. Boa diversão!
Elson S.
Elson S.

13 seguidores 1 crítica Seguir usuário

4,5
Enviada em 23 de fevereiro de 2014
O ovo de(em) Padilha, em co-autoria com Lispector, ou algo que se faz depois de revisitar Robocop no cinema.

"Ovo é coisa que precisa tomar cuidado. Por isso a galinha é o disfarce do ovo. Para que o ovo atravesse os tempos a galinha existe. Mãe é para isso. — O ovo vive foragido por estar sempre
adiantado demais para a sua época. — Ovo por enquanto será sempre revolucionário. — Ele vive dentro da galinha para que não o chamem de branco. O ovo é branco mesmo. Mas não pode ser
chamado de branco. Não porque isso faça mal a ele, mas as pessoas que chamam a ovo de branco, essas pessoas morrem para a vida. Chamar de branco aquilo que é branco pode destruir a humanidade. Uma vez um homem foi acusado de ser o que ele era, e foi chamado de Aquele Homem. Não tinham mentido: Ele era. Mas até hoje ainda não nos recuperamos, uns após outros. A lei geral para continuarmos vivos: pode-se dizer "um rosto bonito", mas quem disser "o rosto" morre; por ter esgotado o assunto".

Co-escrevo com Clarice, porque invoco e deixo que goze em meu hipotálamo e teclado emprestado. Eu, também ressentido de não ser ovo, mas que o carrego suicidamente, como único ato revolucionário, depois da bolsa estourada e derramada. Vou escrever... Intimidado com ela, como qualquer um que queira rabiscar qualquer coisa, porque quando pensei em associar o filme Robocop (José Padilha, 2014) às incorporações germânicas nas legiões romanas, achei que inovava. Aí veio o oráculo, impassível, com suas virgens vestais rodopiando algoritmicamente (Google), e me indicaram o livro “A Legião Estrangeira”, com o conto “o ovo” e a epígrafe que precede tudo isso. E puxo mais para lá, porque legitimo minha birra crônica, regada por um monte de ficções que adestraram para essa necessidade de vencer as máquinas, que chamarei aqui de Síndrome de Kasparov (porque quero, ora!). O detetive Alex Murphy dos anos 80 e sessões da tarde contra a OCP e suas máquinas, tão humano e pouco silencioso, deve ter alguma culpa nisso, fato que recorro para explicar minha corrida para vê-lo com os olhos de alguns dias depois.

No ovo da serpente, conduzido por Bergman, impressões coletivas sustentariam um sistema de sobrevivência histórica, em que se flexibilizara o tal do próximo, humano, como o distante dos meus medos: uma paranoia tão lógica que assinaria ser biológica. Essa esquizofrenia justificou grupos que tentaram controlar as entradas no sistema, para garantir um reconhecimento de iguais que se perde quando se apaixona, por exemplo, dos quais nossos mentores hebreus foram hábeis em desenhar. Uma habilidade tão impressionante e simbioticantropofágica que se apropriou das técnicas mais avançadas em captar e reproduzir imagens, das sociedades que os abrigaram. Das eficientes e vaidosas linhas de comunicação babilônica, dos hieróglifos de calcular e fazer deuses, do ondas de Hertz na Alemanha que peitaria duas guerras, até o domínio do cinematógrafo e a hegemonia na internet de massa, lá eles, de Danieis a Zuckerbergs, fazendo cabeças.
Por que, então, a primeira viagem com os soldados “bárbaros” nas linhas de guerra romana? Sem afirmar que foi definitivo - na História como em tudo as coisas são sistemicamente microscópicas - a identidade romana, tão fundamental à lealdade dos seus generais, dependiam de laços familiares, de fluidos para encher a burra cultural. Quando outros sentires, por necessidade de sua própria gula, acometeram os filhos dos filhos dos comidos, o barraco desabou. Assim como, provavelmente, não é impune rechear as linhas de frente estadunidenses com latinos e outros oprimidos invisíveis.
A gula pelo mundo e Malintzes (intérpretes) necessários à compreensão das mensagens, quaisquer que sejam, criou, do norte para o sul da América, Carmem Miranda e Zé Carioca. As cores chamativas da primeira metade do século XX, num cinema em que se via tons de cinza (sem a saliência retrógrada dos 50 de agora há pouco – moralista, eu? Magina!) cedeu à curiosidade humana pelo movimento rápido, pelo testar os limites dos neurônios, pela fantasia da intangibilidade que nos une e representada no Rambo e suas versões seguintes, vingadoras (assemble!). Parece que a fórmula para vencer é insistir nisso e a sedução por esse tipo de filme é avassaladora.
Respondendo a mim mesmo, Padilha não entrou no sistema, via Metro-Goldwin-Mayer (ironia fina), à toa. Provou em cifras sua capacidade de fazer um filme doutrinário, como os dois tropas de elite, com ideias que remetem a essas internalidades nosseas. E esse mesmo cineasta, usando a fórmula que dá certo, faz uma profunda e inteligível crítica ao sistema brasileiro de definição de algozes, dando-lhes o benefício da dúvida e o contexto de sua vitimização. Em “o inimigo agora é outro”, não é o morro carioca que deve nos assustar, segundo José. Antes, aqueles que lucram verdadeiramente com a manutenção do mercado de vidas, blindados com ternos e programas de televisão. Quando Sandro sai do caixão de zinco para sua tela, pela linha 174, de ônibus, para delatar quem comprou o bilhete para que desse seu espetáculo na porta do higiênico e Global Jardim Botânico, algo foi precipitado. O documentário mexe, é informativo, dogmático como aquela verdade exige, mas se encerra no alcance e vícios de velocidade de informação. A linguagem deve ser sensível às nossas capas, lá do cerebelo, de super-herói. O Comandante Nascimento ensina a quem vai para as ruas em meados de 2013 que é possível ocupar a cúpula virada do Congresso Nacional.
E lá, no Robocop de 2014, o medo do criminoso doméstico, tão facilmente controlado pelo onisciência programada, questiona aqueles que vendem o medo. De um jeito interessante-recursalmente simples e convincente, entre efeitos estonteantes e uma linearidade argumentativa indelével. Vi, no começo, Samuel L. Jackson e seu cabelo heroicamente anacrônico dublando o rugido da MGM com malabarismos fonéticos para discursos impecáveis. E, no final - uma vírgula, espero – balbuciar sarcasmo de um patriotismo que não quer ver os holocaustos que provoca, como todo patriotismo. E o ciborgue entrincheirado, numa Sierra Maestra de concreto, humanamente armado para bater nas portas de senadores e bilionários... Embora a ideia não seja original, porque já se intuia isso nas primeiras versões de Verhoeven, há nessa uma subversão em que nos identificamos mais que antes. Antes não se questionava na escala e liberdade o papel da polícia e das intervenções militares. Um subalterno qualquer pode ser visto, fora das censuras dos donos de veículos, pela internet.
Se vejo isso, é porque a galinha não importa: interessa somente o ovo que carrega. E tantos ovos, de tantas formas, tem sido chocados simultaneamente, que não há raposa que as possa digerir. Snowden, Assange, Castro (o Caio), Francisco (o papa), Bolsonaro (o boçal), Tiririca (o melhor palhaço de nossa história) denunciam verdades engasgadas e fatualmente comprovadas, antes de serem desplugados. Vou arriscar, nem que seja para que possa me frustrar (esse sentimento tão retronutritivo), que virá um “Robocop 2: O Inimigo Agora é Outro”... Até porque o final deixa pontos de interrogação típicos de mudanças de ato no teatro. (O último parágrafo é de autoria da Clarice, que preferiu só ver o trailer mesmo, lá de Aruanda, e mudou o rumo da prosa porque ninguém entendia puerra ninguna de suas entrelinhas quânticas nas terras médias de Zuckerberg, nosso judateu predileto).
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