Robocop
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4,1
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Luan D.
Luan D.

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3,5
Enviada em 23 de fevereiro de 2014
o filme é realmente esplendido, tendo um roteiro interessante,embora seja sem duvidas formado por eventos muito semelhantes ao primeiro,mas isso não diminui a qualidade,já que desde o inicio foi esclarecido que seria um remake do filme de Kinnaman fez um excelente trabalho substituindo Peter Weller na interpretação do novo robocop,fazendo uma atuação notória aos olhos de muitos admiradores do trabalho de Weller.
alem de ter um elenco excelente,que conta com figuras como Samuel L. Jackson,Gary Leonard e Michael Keaton,o filme conta com excelentes efeitos,um visual dinâmico,fazendo uso das novas tecnologias,o que deixa a qualidade visual e auditiva do filme mais atraente que no robocop de 1987,claro que o novo robocop não pode ser considerado uma copia total do primeiro,considerando também,que o primeiro robocop teve a ideia de um ser humano que se transforma em uma maquina depois do termo já ter sido abordado pelo anime japonês "O oitavo homem" de 1963.O novo robocop apresenta semelhanças sim,com o de 1987,o que é fundamental já que o filme é um remake,mas também possui diferenças,que dão ao filme um toque original do seculo 21,constituído por qualidades visuais e tecnológicas que só os produtores de agora sabem fazer.
Caio A.
Caio A.

10 seguidores 1 crítica Seguir usuário

3,0
Enviada em 23 de fevereiro de 2014
Com o sucesso internacional de Tropa de Elite, o diretor brasileiro José Padilha naturalmente chamaria atenção de Hollywood e o remake de Robocop parecia um projeto que se encaixava em seu perfil por ser tanto uma história policial como também ter o seu teor político; entretanto as diferenças entre o cinema feito aqui e no EUA fazem com que a estreia de Padilha faça uma estreia comum e menos autoral em Hollywood.

A trama é levemente adaptada para os tempos atuais; nela a empresa norte-americana Ominicorp conseguiu colocar seus robôs policiais ao redor do mundo lutando no lugar dos militares americanos em guerras em outros países; entretanto o líder da empresa Raymond Sellars (Michael Keaton) não consegue convencer o governo e o povo americano a aceitarem colocarem seus robôs no lugar dos policiais humanos nas ruas de Detroit. Diante do medo da sociedade de confiar sua segurança em uma máquina; a solução de Sellars é com ajuda do doutor Dennett Norton (Gary Oldman, da trilogia Batman) colocar um homem dentro de uma máquina criando assim a combinação que faria o povo americano aceitar suas máquinas nas ruas. O escolhido para experiência é Alex Murphy (Joel Kinnaman, de The Killing); um detetive que após sofrer um atentado fica entre a vida e a morte; então o doutor Norton vende para a esposa (Abbie Cornish, de Sucker Punch) do policial a ideia de que esta maneira seria a única maneira de salvar a vida de seu marido.

O novo Robop faz sua crítica social de uma forma mais séria do que o humor propositalmente escrachado do filme original; o roteiro do estreante Joshua Zetumer difere da obra original por ser bem menos audacioso e sua ideologia política ser muitas vezes confusa. O longa insiste o todo tempo na questão de homem contra máquina para decidir qual dos dois seria o melhor para defender a humanidade; questão debatida do começo ao fim através do personagem de Samuel L. Jackson que vive ironicamente um típico apresentador de um programa sensacionalista, e que lembra bastante os nossos apresentadores de programas policiais. O roteiro exagera no seu discurso brando e não decidido; faz a crítica e ao mesmo tempo não toma um lado deixando para o público essa opinião sem realmente apresentar fatos para se criar uma opinião; um temor burocrático de colocar um tema em discussão, mas não querer se aprofundar no mesmo.

Um filme doRobocop com poucas cenas do policial do futuro; preso nos debates sociais do roteiro o filme realmente não aproveita ao máximo seu personagem principal que é colocado exclusivamente para as cenas de ação e através dela chega a lembrança de ser um filme dirigido por Padilha. Nas cenas de ação é possível enxerga a assinatura do diretor brasileiro que com cenários maiores e um enorme orçamento refaz suas cenas de tiroteios visto nas favelas de Tropa de Elite agora nas ruas desta Detroit futurista; a melhor de todos envolve uma luta entre Robocop e outros robôs em um prédio abandonado; uma cena arquiteta e a única onde é possível ter a sensação de ver na prática as habilidades de um homem misturado com máquina.

Assim como seu personagem o ator sueco Joel Kinnaman vive mecanicamente seu personagem onde existe pouca diferença da sua versão humana e da sua versão máquina; o suposto arco dramático envolvendo sua família não se concretiza diante da inexistente química dele e a caricata atuação de Abbie Cornis; outro ponto fraco é a própria história de vingança do protagonista contra aqueles que o tentaram matar. Com menos Robocop quem se sobressai é o inicialmente coadjuvante Gary Oldman como um doutor preso no poder que sua própria experiência lhe dá ao ter em suas mãos a vida de um homem para poder controlar da maneira que o quiser; um doutor que inicialmente parece preocupado mais no bem-estar de seus pacientes e que ao longo da história perde o controle da sua própria experiência tirando do Robop o seu lado humano e prevalecendo o lado máquina. Muito mais que um fio condutor para a trama principal; Oldman dá profundidade ao seu personagem e ao lado da divertida atuação de Samuel L. Jackson rouba atenção que deveria ser dada ao protagonista.

O remake de Robocop era um projeto muito antigo da MGM que teve diversos problemas para tirá-lo do papel; o estúdio escolheu Padilha para comandar o projeto sabendo de suas habilidades para cenas de ação policiais e nessa parte o diretor brasileiro fez corretamente o pedido. Seria utópico acreditar que Padilha um diretor estrangeiro e estreante em Hollywood faria com Robocop um novo Tropa de Elite; Hollywood é muito diferente da nossa indústria cinematográfica e são raros os diretores que realmente podem fazer obras pessoais e não ficam presos as ordens dos produtores e estúdios.

O Robocop de José Padilha e tambem da MGM é um típico blockbuster e remake hollywoodiano da atualidade, puro entretenimento descartável e sem personalidade; não superando, igualando ou trazendo algo inovador para o clássico filme de 1987 de Paul Verhoeven.
Gustavo G.
Gustavo G.

20 seguidores 1 crítica Seguir usuário

2,5
Enviada em 23 de fevereiro de 2014
O filme deve que se habituar á época atual fazendo algumas transformações para que o público que identificasse com que se passa e imaginasse um futuro não tão distante,o filme de 1987 é um sátira á sociedade repressora,e josé padilha deve que adaptar o roteiro para fazer um crítica á sociedade atual(cercada e dominada com máquinas).

No filme é usado muito á imagem em terceira pessoa,presente nos jogos FPS,essa estética gamer faz com que tudo fique mais frenético e divertido de se assistir.

Algumas frases,e cenas marcantes foram mantidas,porém José padilha poderia ter inovado criando bordões novos para o Robocop e claro,faltou um pouco de ousadia no final,que foi bem apático faltando um pouco de emoção.

RoboCop de José Padilha não deixa á desejar porém não vai causar nem de longe o impacto que o filme de Paul Verhoeven causou,vai ser apenas mais um em meio á tantos remakes feitos.
Luiz S.
Luiz S.

3 seguidores 3 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 24 de fevereiro de 2014
Sempre quando vou assistir a um filme que se baseia num anterior, sempre busco verificar se a essência da história está lá, pois tanto faz como será a roupagem nova que vai receber no novo roteiro, o que importa é se a história está nos trilhos. Sou fã descarado do diretor holandês Paul Verhoeven e de sua violência e modo de ver o mundo de forma muito pessoal e da trilha sonora inesquecível do greco-americano Basil Poledouris que neste filme só aparece em momentos ínfimos no filme, mas aparece. Agora voltando a essência da história, digo a você, sendo fã do filme original de 1987, você não irá se decepcionar com esta versão do diretor brasileiro José Padilha, pois não é mais um Tropa de Elite, apenas certas referências como a desumanização do homem quando exerce uma função, exemplo: o treinamento do Bope, a imprensa sensacionalista e as questões políticas e suas influências que foram inclusas para se misturar a idéia controversa de se colocar um homem numa máquina, o roteiro está muito bem escrito, o elenco muito bem escolhido, a edição do filme com os cortes nos momentos certos, tudo neste filme funciona e é explicado por menores, além de... pasmem... a essência da história está lá... você que é fã vai identificá-las e vai gostar do resultado, mesmo aqueles que não são fãs, irão gostar, pois este roteiro expandiu e criou novos questionamentos sobre as consequências reais do uso de máquinas no lugar de homens no combate ao crime e em guerras, se a desumanização é o ideal, se um homem é propriedade particular de uma empresa? Um homem pode ser realmente controlado? Mas ao mesmo tempo impele e demonstra que nós humanos somos o real problema, pois criador e criatura, são homens brigando por seus ideais e interesses. A presença da família do Alex Murphy nunca esteve tão presente quanto neste filme, sua importância foi essencial para o protagonista até o fim. Mas a cena que mais choca é quando é apresentado ao Alex Murphy, de como ele ficou após a transformação para máquina e que são restos que o representam como homem, suas palavras ali expõe o livre arbítrio de tal forma que não tem como não se impressionar e se colocar no lugar dele, e estas palavras batem no peito tão forte que a pergunta que retorna é: O que é "ser" humano? A única resposta que me veio foi que o homem realmente é regido pelo caos, fruto do meio de sua existência neste vasto universo, onde achamos estar no controle, mas no fim são apenas ilusões humanas, ilusões que criam a forma deturpada do mundo em que vivemos. Aos céticos de plantão que são fãs do original, deixem o "mimimi" de lado e vão curtir este excelente filme e você que não é fã, estará apreciando a melhor refilmagem que o Robocop estava merecendo a bastante tempo.
Vanysla K.
Vanysla K.

16 seguidores 4 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 23 de fevereiro de 2014
fui pro cinema imaginando que poderia me decepcionar afinal nem sempre o remake e legal mas, Robocop ficou ótimo quase tão bom quanto o clássico, José Padilha arrasou!!!
Rodrigo C.
Rodrigo C.

15 seguidores 21 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 2 de maio de 2014
O reboot de Robocop, o clássico filme de 1987, teve sua estreia no último fim de semana. Dirigido pelo brasileiro José Padilha, e contendo um elenco de ponta, com Gary Oldman, Michael Keaton, Samuel L. Jackson e Joel Kinnaman, obteve liderança nas bilheterias brasileiras em seu primeiro final se semana.

Padilha trás neste ano de 2014, o remake do memorável filme dos anos 80. Robocop foi uma sensação que cria fãs até hoje, em parte por ser um filme com muita ação e uma boa dose de violência (que nos tempos atuais é bem repudiada por Hollywood), mas também por ser um filme denso, um filme com camadas. Você pode enxergar só a parte da ação, mas por trás de toda a munição e sangue, há também um discurso sobre corrupção, sobre manipulação, sobre política, enfim, um filme que apesar de antigo, perdura com seu discurso até hoje. E talvez esse seja o principal argumento para sofrer um reboot.

Nos dias de hoje, fazer um reboot não é fácil. Veja o novo "Total Recall" para tirar a prova. Sendo assim, Robocop já ganha e muito nesse quesito. O filme foi muito bem respeitado pelo nosso diretor, que fez um filme honesto, um filme que cumpriu o que prometeu.

Como disse anteriormente, Robocop nunca foi um filme só de ação. Em sua essência ele queria passar uma visão crítica a toda àquela sociedade e aos acontecimentos que eram notícia todo o dia. E isso não muda no remake. A própria questão existencial ainda é presente; e é essa a pior luta do Alex Murphy, de tentar lidar e conciliar a parte máquina com a parte humana dele, de tentar não perder essa sua humanidade.

Podemos perceber outra crítica à manipulação da mídia e ainda ao fato de como uma empresa pode se beneficiar dessa manipulação. Em tese, para a população, o Robocop foi criado para salvar e proteger as pessoas da criminalidade. Mas o que vemos é que ele era só um produto, apenas um objeto para que as pessoas se acostumassem com a ideia de um robô nas ruas, para que essas empresas finalmente pudessem fazer os EUA um mercado para o seu produto, ou seja, tudo o que importa realmente é o lucro e o dinheiro.

O desejo de vingança ainda é a motivação principal do Alex Murphy quando ele começa a se reencontrar; mas quando ele a encontra, finalmente percebe que tudo aquilo tinha um lado mais obscuro, o lado da corrupção.

Tudo isso podemos encontrar tanto no filme original quanto no remake. O que faz dele um filme honesto. Talvez falte alguma adição, algo a mais. Mas o quê? O filme que trás discussões tão atuais e tão palpáveis por todos, só pode ser considerado um ótimo filme, e mexer nele neste momento, pode trazer graves consequências, visto que metade dos que foram assistir entram no cinema com certa desconfiança, mas acredito que saíram dele com um voto a favor ao Padilha, e que isso reflita nas bilheterias, para que no próximo filme que vier ele tenha carta branca para poder criar e adicionar o que achar necessário.

Sendo assim, Robocop merece e vale a compra do ingresso. Boa diversão!
Elson S.
Elson S.

13 seguidores 1 crítica Seguir usuário

4,5
Enviada em 23 de fevereiro de 2014
O ovo de(em) Padilha, em co-autoria com Lispector, ou algo que se faz depois de revisitar Robocop no cinema.

"Ovo é coisa que precisa tomar cuidado. Por isso a galinha é o disfarce do ovo. Para que o ovo atravesse os tempos a galinha existe. Mãe é para isso. — O ovo vive foragido por estar sempre
adiantado demais para a sua época. — Ovo por enquanto será sempre revolucionário. — Ele vive dentro da galinha para que não o chamem de branco. O ovo é branco mesmo. Mas não pode ser
chamado de branco. Não porque isso faça mal a ele, mas as pessoas que chamam a ovo de branco, essas pessoas morrem para a vida. Chamar de branco aquilo que é branco pode destruir a humanidade. Uma vez um homem foi acusado de ser o que ele era, e foi chamado de Aquele Homem. Não tinham mentido: Ele era. Mas até hoje ainda não nos recuperamos, uns após outros. A lei geral para continuarmos vivos: pode-se dizer "um rosto bonito", mas quem disser "o rosto" morre; por ter esgotado o assunto".

Co-escrevo com Clarice, porque invoco e deixo que goze em meu hipotálamo e teclado emprestado. Eu, também ressentido de não ser ovo, mas que o carrego suicidamente, como único ato revolucionário, depois da bolsa estourada e derramada. Vou escrever... Intimidado com ela, como qualquer um que queira rabiscar qualquer coisa, porque quando pensei em associar o filme Robocop (José Padilha, 2014) às incorporações germânicas nas legiões romanas, achei que inovava. Aí veio o oráculo, impassível, com suas virgens vestais rodopiando algoritmicamente (Google), e me indicaram o livro “A Legião Estrangeira”, com o conto “o ovo” e a epígrafe que precede tudo isso. E puxo mais para lá, porque legitimo minha birra crônica, regada por um monte de ficções que adestraram para essa necessidade de vencer as máquinas, que chamarei aqui de Síndrome de Kasparov (porque quero, ora!). O detetive Alex Murphy dos anos 80 e sessões da tarde contra a OCP e suas máquinas, tão humano e pouco silencioso, deve ter alguma culpa nisso, fato que recorro para explicar minha corrida para vê-lo com os olhos de alguns dias depois.

No ovo da serpente, conduzido por Bergman, impressões coletivas sustentariam um sistema de sobrevivência histórica, em que se flexibilizara o tal do próximo, humano, como o distante dos meus medos: uma paranoia tão lógica que assinaria ser biológica. Essa esquizofrenia justificou grupos que tentaram controlar as entradas no sistema, para garantir um reconhecimento de iguais que se perde quando se apaixona, por exemplo, dos quais nossos mentores hebreus foram hábeis em desenhar. Uma habilidade tão impressionante e simbioticantropofágica que se apropriou das técnicas mais avançadas em captar e reproduzir imagens, das sociedades que os abrigaram. Das eficientes e vaidosas linhas de comunicação babilônica, dos hieróglifos de calcular e fazer deuses, do ondas de Hertz na Alemanha que peitaria duas guerras, até o domínio do cinematógrafo e a hegemonia na internet de massa, lá eles, de Danieis a Zuckerbergs, fazendo cabeças.
Por que, então, a primeira viagem com os soldados “bárbaros” nas linhas de guerra romana? Sem afirmar que foi definitivo - na História como em tudo as coisas são sistemicamente microscópicas - a identidade romana, tão fundamental à lealdade dos seus generais, dependiam de laços familiares, de fluidos para encher a burra cultural. Quando outros sentires, por necessidade de sua própria gula, acometeram os filhos dos filhos dos comidos, o barraco desabou. Assim como, provavelmente, não é impune rechear as linhas de frente estadunidenses com latinos e outros oprimidos invisíveis.
A gula pelo mundo e Malintzes (intérpretes) necessários à compreensão das mensagens, quaisquer que sejam, criou, do norte para o sul da América, Carmem Miranda e Zé Carioca. As cores chamativas da primeira metade do século XX, num cinema em que se via tons de cinza (sem a saliência retrógrada dos 50 de agora há pouco – moralista, eu? Magina!) cedeu à curiosidade humana pelo movimento rápido, pelo testar os limites dos neurônios, pela fantasia da intangibilidade que nos une e representada no Rambo e suas versões seguintes, vingadoras (assemble!). Parece que a fórmula para vencer é insistir nisso e a sedução por esse tipo de filme é avassaladora.
Respondendo a mim mesmo, Padilha não entrou no sistema, via Metro-Goldwin-Mayer (ironia fina), à toa. Provou em cifras sua capacidade de fazer um filme doutrinário, como os dois tropas de elite, com ideias que remetem a essas internalidades nosseas. E esse mesmo cineasta, usando a fórmula que dá certo, faz uma profunda e inteligível crítica ao sistema brasileiro de definição de algozes, dando-lhes o benefício da dúvida e o contexto de sua vitimização. Em “o inimigo agora é outro”, não é o morro carioca que deve nos assustar, segundo José. Antes, aqueles que lucram verdadeiramente com a manutenção do mercado de vidas, blindados com ternos e programas de televisão. Quando Sandro sai do caixão de zinco para sua tela, pela linha 174, de ônibus, para delatar quem comprou o bilhete para que desse seu espetáculo na porta do higiênico e Global Jardim Botânico, algo foi precipitado. O documentário mexe, é informativo, dogmático como aquela verdade exige, mas se encerra no alcance e vícios de velocidade de informação. A linguagem deve ser sensível às nossas capas, lá do cerebelo, de super-herói. O Comandante Nascimento ensina a quem vai para as ruas em meados de 2013 que é possível ocupar a cúpula virada do Congresso Nacional.
E lá, no Robocop de 2014, o medo do criminoso doméstico, tão facilmente controlado pelo onisciência programada, questiona aqueles que vendem o medo. De um jeito interessante-recursalmente simples e convincente, entre efeitos estonteantes e uma linearidade argumentativa indelével. Vi, no começo, Samuel L. Jackson e seu cabelo heroicamente anacrônico dublando o rugido da MGM com malabarismos fonéticos para discursos impecáveis. E, no final - uma vírgula, espero – balbuciar sarcasmo de um patriotismo que não quer ver os holocaustos que provoca, como todo patriotismo. E o ciborgue entrincheirado, numa Sierra Maestra de concreto, humanamente armado para bater nas portas de senadores e bilionários... Embora a ideia não seja original, porque já se intuia isso nas primeiras versões de Verhoeven, há nessa uma subversão em que nos identificamos mais que antes. Antes não se questionava na escala e liberdade o papel da polícia e das intervenções militares. Um subalterno qualquer pode ser visto, fora das censuras dos donos de veículos, pela internet.
Se vejo isso, é porque a galinha não importa: interessa somente o ovo que carrega. E tantos ovos, de tantas formas, tem sido chocados simultaneamente, que não há raposa que as possa digerir. Snowden, Assange, Castro (o Caio), Francisco (o papa), Bolsonaro (o boçal), Tiririca (o melhor palhaço de nossa história) denunciam verdades engasgadas e fatualmente comprovadas, antes de serem desplugados. Vou arriscar, nem que seja para que possa me frustrar (esse sentimento tão retronutritivo), que virá um “Robocop 2: O Inimigo Agora é Outro”... Até porque o final deixa pontos de interrogação típicos de mudanças de ato no teatro. (O último parágrafo é de autoria da Clarice, que preferiu só ver o trailer mesmo, lá de Aruanda, e mudou o rumo da prosa porque ninguém entendia puerra ninguna de suas entrelinhas quânticas nas terras médias de Zuckerberg, nosso judateu predileto).
Tarciso F.
Tarciso F.

5 seguidores 2 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 23 de fevereiro de 2014
É um remake. José Padilha imprimiu sua visão de mundo à nova versão, mas não pôde fugir da ótica comercial americana. Contudo, gostei muito e desejo sucesso aos próximos empreendimentos desse ótimo diretor brasileiro.
anderson lennon
anderson lennon

2 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 23 de fevereiro de 2014
O filme de padilha é excelente, mas é uma tarefa ingrata refilmar um personagem tão querido! E quem bilha mesmo é Gary Oldman, que mostra o excelente ator que é! O filme quase não tem sangue(o oposto do original), mas tem muito veneno, na forma de ideologia implícita, é ação/ficção científica cerebral, coisa rara de sair dos estúdios de Hollywood atualmente, mas com toda certeza não supera o original, que é um clássico ainda atual. E o primeiro filme tinha tanta violência, que justificava a existência de um Robocop violento e justiceiro, mas nesta versão, quase não há violência e existem poucas gangues, o que não justifica a existência do herói(algo como precisar haver um criminoso do calibre do Coringa, para justificar a existência do Batman). Mas uma coisa que estragou foi o equivocado uso da estrondosa trilha sonora original do falecido compositor Basil Poledouris(agora é uma versão remixada, que só toca quando os vilões estão em cena, ou seja, não é o tema do herói). A trilha sonora era o personagem coadjuvante no Robocop de 1987, a mesma coisa a trilha de John Williams nos filmes do Superman com Christopher Reeve...Ou Indiana Jones....
luishsbc
luishsbc

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4,5
Enviada em 23 de fevereiro de 2014
Não é só um blockbuster (que não fez muito dinheiro), é um diretor brasileiro fazendo uma crítica em solo estrangeiro com ação e reflexão. Pessoalmente, este filme conversou mais comigo do que o original. A violência do Tropa não está no Robô, mas a critica está. Fui com baixas expectativas e me surpreendi de forma extremamente positiva. Saí da sessão empolgado, querendo rever. Está tudo ótimo, até então não tenho nada do que reclamar.

Este RoboCop traz a discussão do militarismo automatizado e da incorporação homem-máquina (mesmo que em menor parte). É bonito de ver. Neste filme defino Padilha como um diretor que vem trazer a discussão sobre a política e a sociedade moderna. Tropa de Elite fez, e RoboCop, aliado a ficção científica, faz também.
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