Quando foi anunciado que o remake de Robocop seria dirigido por José Padilha, os fãs do original já ficaram preocupados, e ainda mais quando saíram os trailers do personagem em um novo uniforme. Por sorte, Padilha conseguiu um filme bem equilibrado e que agradou a maioria.
Alguns reclamaram bastante de como o original de Paul Verhoeven tinha uma carisma e tom diferente, mas quem disse que esse novo filme deveria ser a mesma coisa? Os tempos mudaram, infelizmente não temos mais a carisma de tempos passados - o que é uma pena, pois muitos filmes seriam bem melhores se fossem levados com um pouco de simplicidade - mas, no caso de Padilha, ele não quer apenas um grande filme de ação e ficção científica, que por si só já poderiam fazer algo ótimo, o rapaz tem uma abordagem mais séria e crítica do que o original. Verhoeven fez um excelente trabalho construindo todo universo em volta de Robocop e a trama de Alex Murphy, o que deixou para Padilha apenas o trabalho de incluir alguns elementos e criar um remake respeitável. Pouca coisa mudou do original, se formos falar da premissa envolvendo a batalha entre homem e máquina e a constante contradição envolvendo emoção e automação, mas aqui temos todo o ambiente e o tom que são completamente diferentes.
O ano é 2028 - Alex Murphy (Joel Kinnaman) é um policial que consegue atrair a atenção do crime organizado, chegando a sofrer um atendado em sua própria casa. O atentado acaba resultando em queimaduras de mais de 80 porcento do corpo do policial, o que atrai a atenção da empresa multinacional OmniCorp. Mas que que essa empresa quer? Bem, a OmniCorp tem atuação forte no Oriente com seus drones e artilharia pesada contra o terrorismo, mas ainda não conseguiu realizar o maior sonho de Raymond Sellars (Michael Keaton), o presidente da empresa, colocar androides no combate ao crime nas ruas da América. O governo não aceita muito bem a ideia, já que uma máquina não teria o poder de escolha. Qual a solução? Unir um homem a uma máquina, neste caso, Alex. O que poderia ser a salvação do policial, transforma-se em uma maldição, quando descobre não ter total controle de sua vida.
Padilha consegue equilibrar muito bem o filme, dando espaço para outros personagens que são bem aproveitados, como a família de Alex e o doutor Dennett Norton (Gary Oldman); O mais divertido é, sem duvidas, o apresentador de um programa sensacionalista na defesa da empresa OmniCorp, Pat Novak, interpretado por Samuel L. Jackson.
Por mais que sofra de alguns inevitáveis clichés, Padilha cria um ritmo interessante e nada cansativo, além de algumas sequências incríveis. O maior diferencial do diretor aqui é a dimensão que deu ao filme e o personagem, que não só recebeu uma trama mais elaborada, como um desenvolvimento muito bom.
Pode parecer chato ficar comparando o original com o remake, mas é a melhor forma de mostrar como este é um dos poucos casos em que o segundo não pareceu desnecessário e veio no momento certo, por mais que se passe mais de 10 anos no futuro, tudo parece real e acessível.
Nada é perfeito, é claro, mas como diz aquele ditado, "se é pra fazer, faz direito" - e Padilha conseguiu fazer a lição de casa.