O filme é um remake, e todos sabemos que remakes tem tendência àquela chateação de vermos mais uma vez acontecer tudo aquilo que todo mundo já tá cansado de saber que vai rolar. Murphy quase morre em função do trabalho de policial e entra numa experiência onde seu corpo é restaurado usando os seus restos somados a partes robóticas, porem é uma experiencia inédita e acaba trazendo vários imprevistos quanto ao operador, à maquina e ao aberracionismo da ideia.
Porem esse filme não se encaixa nesse padrão, tudo bem que a historia se repete um pouco, mas Padilha conseguiu fazer um filme classicamente espetacular e intocável ficar mais enxuto (ele eliminou o excesso de violência e por consequência baixou a censura) e numa formula de proporção inversa, essa eliminação deu espaço para o filme ficar com um certo conteúdo mais confortável e o Robocop receber um estilo mais “maneiro”, além é claro das melhorias tecnológicas que ele recebe. Claro que Robocop é Robocop, mas nem por isso iremos manter a mente fechada para essa novidade. Outra característica marcante é que eu esperava que o Robocop a qualquer momento olhasse pra alguém e falasse “pede pra sair 02”, não, isso não é ironia, pois realmente o estilo Robocop 2014 lembra bastante o Capitão Nascimento do BOPE, um policial, problemas familiares, policiais corruptos, atitude incorruptível e valentia pra enfrentar a morte caso isso complete sua missão de limpeza.
Essa versão tem um foco maior na política e menos na ética. As guerras entre bandidos nas ruas passam para o senado, onde está havendo debates quanto a uma lei que proíbe o uso de robôs do exercito nas ruas americanas (coisa já usada pelo exercito em operações internacionais), Samuel L Jackson entra nesse contexto com sua seriedade piadista, ele é o titular de um telejornal dessa época, e mostra claramente um típico exemplar da mídia tendenciosa (claro que exagerada).
Jackson vive Novak, um jornalista que é a favor do uso de robôs policiais e está sempre manipulando os fatos para mostrar apenas as vantagens disso. Keaton é Raymond Sellars, um empresário dono da OmniCorp e criador dos robôs do exercito, ele usa Alex com objetivo de manipular o povo a ver o lado bom de se ter um robô policial nas ruas. Gary Oldman como Norton, mostra a ciência por trás das transformações e o que isso pode levar pessoas a fazerem em troca de uma descoberta tão promissora. Resumindo, a questão do filme não é apenas um homem que virou robô e vai combater o crime, é um homem que sofre um acidente e tem sua vida salva para que, sem saber, se torne uma peça de xadrez na mão dos políticos e manipular as pessoas a mudarem suas opiniões.
Daí surgem outros tópicos do filme, o filme explora a consciência e o controle humano, até onde um homem pode controlar um corpo que não é seu e que, apesar de ser controlado pelo seu cérebro, consegue usar um programa pra controlar seus atos e fazer seu corpo te obrigar a agir como ele (ou quem quer que controle a parte maquina) bem desejar. A questão é, até onde homens poderiam dominar maquinas para o bem e até onde homens iriam para controlar homens.