O reboot de Robocop, o clássico filme de 1987, teve sua estreia no último fim de semana. Dirigido pelo brasileiro José Padilha, e contendo um elenco de ponta, com Gary Oldman, Michael Keaton, Samuel L. Jackson e Joel Kinnaman, obteve liderança nas bilheterias brasileiras em seu primeiro final se semana.
Padilha trás neste ano de 2014, o remake do memorável filme dos anos 80. Robocop foi uma sensação que cria fãs até hoje, em parte por ser um filme com muita ação e uma boa dose de violência (que nos tempos atuais é bem repudiada por Hollywood), mas também por ser um filme denso, um filme com camadas. Você pode enxergar só a parte da ação, mas por trás de toda a munição e sangue, há também um discurso sobre corrupção, sobre manipulação, sobre política, enfim, um filme que apesar de antigo, perdura com seu discurso até hoje. E talvez esse seja o principal argumento para sofrer um reboot.
Nos dias de hoje, fazer um reboot não é fácil. Veja o novo "Total Recall" para tirar a prova. Sendo assim, Robocop já ganha e muito nesse quesito. O filme foi muito bem respeitado pelo nosso diretor, que fez um filme honesto, um filme que cumpriu o que prometeu.
Como disse anteriormente, Robocop nunca foi um filme só de ação. Em sua essência ele queria passar uma visão crítica a toda àquela sociedade e aos acontecimentos que eram notícia todo o dia. E isso não muda no remake. A própria questão existencial ainda é presente; e é essa a pior luta do Alex Murphy, de tentar lidar e conciliar a parte máquina com a parte humana dele, de tentar não perder essa sua humanidade.
Podemos perceber outra crítica à manipulação da mídia e ainda ao fato de como uma empresa pode se beneficiar dessa manipulação. Em tese, para a população, o Robocop foi criado para salvar e proteger as pessoas da criminalidade. Mas o que vemos é que ele era só um produto, apenas um objeto para que as pessoas se acostumassem com a ideia de um robô nas ruas, para que essas empresas finalmente pudessem fazer os EUA um mercado para o seu produto, ou seja, tudo o que importa realmente é o lucro e o dinheiro.
O desejo de vingança ainda é a motivação principal do Alex Murphy quando ele começa a se reencontrar; mas quando ele a encontra, finalmente percebe que tudo aquilo tinha um lado mais obscuro, o lado da corrupção.
Tudo isso podemos encontrar tanto no filme original quanto no remake. O que faz dele um filme honesto. Talvez falte alguma adição, algo a mais. Mas o quê? O filme que trás discussões tão atuais e tão palpáveis por todos, só pode ser considerado um ótimo filme, e mexer nele neste momento, pode trazer graves consequências, visto que metade dos que foram assistir entram no cinema com certa desconfiança, mas acredito que saíram dele com um voto a favor ao Padilha, e que isso reflita nas bilheterias, para que no próximo filme que vier ele tenha carta branca para poder criar e adicionar o que achar necessário.
Sendo assim, Robocop merece e vale a compra do ingresso. Boa diversão!