Robocop
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Leandro d.
Leandro d.

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3,0
Enviada em 9 de março de 2014
Bacana muito tiro ... um robô chinês tipo exportação para o mercado bélico americano com gps e wi fi de fabrica kkk
Camila Reis
Camila Reis

64 seguidores 103 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 2 de abril de 2014
Logo no início de “Robocop” (2014), é possível notar uma preocupação ligada ao uso de robôs na segurança dos Estados Unidos substancialmente maior do que a apresentada no original, de 1987. Novak, personagem de Samuel L. Jackson, por meio de seu programa de TV, indaga por que essa tecnologia pode ser usada no Oriente Médio e não nos EUA. O responsável por essa realidade é o senador Dreyfuss (Zach Grenier), que não simpatiza nada com a ideia de colocar agentes sem sentimentos ou emoções quaisquer nas ruas para defender os cidadãos. Após estudar o caso e chegar à conclusão de que o melhor, então, seria colocar um homem dentro de uma armadura, Raymond Sellars (Michael Keaton) e Dr. Dennett Norton (Gary Oldman) partem para a escolha do “premiado”, sem achar, num primeiro momento, o policial ideal para o teste. Eis que, pouco tempo depois, Alex Murphy (Joel Kinnaman), profissional, pai e marido exemplar, sofre um atentado e sobrevive, contudo, muito debilitado. spoiler: Cego de um olho, com um braço e uma perna amputados,
ganha uma segunda chance quando autorizada pela esposa (Abbie Cornish) sua robotização. A priori, apesar da aparência diferente, Murphy continua sendo um ser humano: ele detém controle sobre suas ações e preocupa-se com o procedimento adequado em cada situação. spoiler: Isso muda quando os resultados de seu treinamento não agradam os interessados em colocar máquinas para garantir a segurança de Detroit, os quais induzem, cada vez mais, a retirada de características de um indivíduo e transformam-no numa máquina, de fato. Dessa forma, o policial não reconhece mais sua família e não avalia, por exemplo, as consequências de atirar num bandido e acertar num refém – seu único objetivo torna-se combater o crime. A retomada da consciência aqui ocorre de uma maneira um tanto idealizada – por amor a Clara, a esposa, e a David (John Paul Ruttan), o filho – se comparada à do Robocop da década de 1980, que, por sua vez, faz uso inteligente das quatro diretrizes. O final feliz é garantido exatamente por essa volta de consciência acrescida à morte dos antagonistas Raymond Sellars, Antoine Vallon (Miguel Ferrer) e companhia.
A última cena, desculpa para estender uma enorme bandeira da maior potência mundial, spoiler: expõe o nacionalismo exacerbado do personagem de L. Jackson frente à negação da lei que transformaria robôs nada humanizados em policiais e entrega a oposição dele ao uso de máquinas com sentimentos.
Tirando essa parte, só elogios: ótima direção de José Padilha, boa fotografia, trilha sonora remetente ao primeiro filme e excelentes atuações (inclusive, chamo a atenção para a semelhança entre Cornish e Ruttan, que se passam facilmente por mãe e filho).
Roberto O.
Roberto O.

26 seguidores 59 críticas Seguir usuário

2,5
Enviada em 22 de fevereiro de 2014
Temas filosóficos, existenciais e, claro, políticos estão no Robocop de José Padilha

Uma cidade com altíssimos índices de violência. Uma força policial insuficiente e descrente, salientada por um sistema penitenciário falido e decadente e um governo omisso e indolente. Um enorme conglomerado empresarial que monopoliza a segurança pública, ao administrar a polícia local, tendo, em contradição, membros do seu alto escalão diretamente envolvidos com o tráfico de drogas e de armas. Não, este não é o roteiro de um novo Tropa de Elite, e sim um emaranhado de elementos que contribuíram para compor, há quase 30 anos, uma contundente obra de ficção científica. Ao realizar, em 1987, RoboCop, seu primeiro filme americano, o cineasta holandês Paul Vehroeven teceu – com altas doses de ironia – uma realidade incrivelmente próxima da rotina caótica e incendiária vivida pelos milhares de policiais, não apenas nos EUA mas ao redor do mundo, que têm a árdua tarefa de patrulhar e tentar manter a “ordem” nas anárquicas ruas dessas conturbadas metrópoles que há muito fugiram do controle, o que inclui, infelizmente, alguns centros urbanos brasileiros que, não raro, já vimos se transformarem em verdadeiros campos de guerra. Este cenário da vida real, por sua vez, se mostrou um terreno extremamente fértil para que outro diretor, desta vez um jovem brasileiro, mostrasse, com uma crueza documental e assustadora, a triste e violenta realidade de seu país, com Ônibus 174 (2002) e principalmente com os dois longas da série Tropa de Elite (2007 e 2010), que lhe conferiram fama internacional e lhe renderam um convite para dirigir a nova versão de um dos filmes mais emblemáticos dos anos 1980.
No RoboCop de José Padilha, portanto, vemos, em um futuro próximo, unidades ED-209, do conglomerado empresarial Omnicorp, espalhadas por todos os países, garantindo a “segurança da população mundial” e contendo toda e qualquer resistência à “pacificação” estabelecida. Ironicamente, os EUA é a única nação onde não há robôs andando por aí. É que os cidadãos norte-americanos não confiam em máquinas para salvaguardá-los do crime. Contudo, o executivo da Omnicorp Raymond Sellars (Michael Keaton), tem a ideia de apresentar ao povo uma máquina que tenha sentimentos e, dessa forma, possa ganhar a sua simpatia. A busca por um “voluntário” para a junção homem-software coincide com o acidente sofrido por Alex Murphy, policial de Detroit, que ganha, com o projeto, a oportunidade de uma nova vida. “Mas que tipo de vida ele vai ter?”, indaga Sellars. Três meses se passam, e presenciamos uma cena terrivelmente perturbadora. Alex Murphy, no laboratório, seu “novo lar”, diante do espelho, observando com pavor o que restou de seu corpo após o acidente, e se defrontando com a triste realidade de sua situação, na qual se tornou totalmente dependente da estrutura metálica que o reveste, e lhe confere um “novo corpo”. Percebemos facilmente a forma dolorosa, ainda que contida, com que o seu “criador”, o Dr. Norton (Gary Oldman, em uma cuidadosa interpretação) se compadece de sua “criatura”. Em nenhum momento vemos empolgação no cientista, ao contrário, apenas um misto de ressentimento e complacência, uma mórbida analogia ao Dr. Victor Frankenstein da literatura. Quanto ao protagonista, o que vemos é um personagem nitidamente desconfortável com sua nova condição (numa sensível construção de personagem por parte de Joel Kinnaman), o que se intensifica quando há tentativas de reaproximação por parte de sua esposa (Abbie Cornish) e filho, tema que havia sido apenas sugerido no longa original. Esses reencontros, quando acontecem, proporcionam momentos melancólicos, que traçam a infeliz jornada de um trágico herói.
Essa abordagem altera completamente a nossa forma de ver o personagem, que se distancia do “policial do futuro” que outrora proporcionava contagiantes sequencias de ação. Padilha nos traz um herói amargurado, à beira do colapso mental, por conta da sobrecarga de emoções (e informações implantadas) em sua mente, e quando o vemos em ação testemunhamos um homem-máquina em um angustiante conflito interior, evidenciado pela expressão de seu rosto, mesmo quando coberto pelo capacete. Vê-lo em ação pode ser anticlimático para quem espera algum eco do herói metálico que (ainda que também tivesse seus questionamentos) empolgava plateias com seu caminhado robótico e sua pistola em punho. O Robocop de Padilha, de visual hi-tech, é muito mais ágil e, consequentemente, mais eficaz em suas patrulhas, e a “câmera na mão” utilizada em vários momentos pelo cineasta conferem o tom de perigo às cenas de ação, mas então por que elas não empolgam tanto quanto antes? Referências ao original, sim, elas são perceptíveis, a começar pelos famosos acordes originais compostos por Basil Podelouris que ouvimos nos créditos iniciais e em outro momento-chave do longa. Os fãs ficarão admirados ao verem as unidades ED-209 subindo e descendo escadas, ou quando ouvirem frases antológicas, das quais a mais marcante seguramente seja: “Morto ou vivo, você vem comigo.” Mas talvez a violência explícita do original tenha alimentado uma expectativa exagerada em torno do que o criador do linha-dura Capitão Nascimento faria nesta releitura, e aí resida a maior decepção. Além de possuir um protagonista frágil psicologicamente, o filme carece de sequências viscerais. As qualidades do longa de Padilha residem em seus conceitos morais, éticos e, principalmente, políticos.
A obra original trazia irônicas intervenções em formato de telejornais e comerciais de TV, que mostravam uma sociedade com uma distorcida visão do “sonho americano”, incluindo até filmes institucionais promovendo a OCP, então principal acionista da força policial. Mostrava também, por meio desses mesmos noticiários, uma América completamente ineficaz com sua fracassada e vergonhosa política externa, desmoronando em suas tentativas de amenizar conflitos. E este é um dos itens nos quais Padilha acertou em cheio, ao incluir em seu longa flashes do programa televisivo jornalístico sensacionalista de Pat Novak (Samuel L. Jackson, que está em todas), que nada mais é do que uma propaganda escancarada do governo, despejando sua “verdade” ao povo norte-americano.
Após o sucesso de RoboCop (uma das maiores bilheterias de 1987), Paul Verhoeven quis se dedicar a outros projetos – nesta que foi a fase mais criativa (e lucrativa) de sua carreira – e realizou em seguida outras duas obras também icônicas: O Vingador do Futuro, em 1990 (que também ganhou um remake recentemente, mas sem muito êxito) e Instinto Selvagem, em 1992 (que fez de Sharon Stone o sex symbol definitivo do fim do século). Quanto ao “policial do futuro”, entregue em outras mãos, um ótimo segundo filme foi realizado em 1990. O mesmo não pode ser dito do desastroso terceiro longa, de 1993, que banalizou o personagem ao nível do ridículo. Deslizando ladeira abaixo, foi produzido ainda um equivocado e desnecessário seriado de TV. Com foco no público infantil, a franquia gerou ainda duas séries em desenho animado, além de revistas em quadrinhos, games... e 27 anos após ter sido apresentado ao mundo, este ícone da Cultura Pop é resgatado pela mídia que o lançou, o cinema, e sob a batuta de um brasileiro, ávido conhecedor de um dos principais temas recorrentes do universo do personagem, a violência das ruas. Ainda que a experiência de assisti-lo não seja totalmente satisfatória, e mesmo tendo economizado no item violência e optado por abordar temas filosóficos e existenciais acerca do protagonista, bem como os avanços da robótica como ciência, e suas implicações éticas, a decisão acertada de Padilha em investir no contexto político, resgatando com isso premissas básicas do original, pode agradar a muitos. A aceitação deste filme, portanto, dependerá muito do ponto de vista de quem o assiste. Não à toa ele tem dividido opiniões da crítica e do público.
A última fala do filme, dita com orgulho por Pat Novak, com a bandeira dos EUA à sua retaguarda, sintetiza com exatidão toda a ironia e o sarcasmo que José Padilha conseguiu imprimir à obra que acabara de entregar, superando inclusive, ao menos neste quesito, o original. O diretor tupiniquim dá uma bela alfinetada a quem a carapuça servir, deixando em Hollywood a sua marca, transbordante de acidez política. Um ácido tão “cáustico” aos olhos do telespectador quanto o líquido que é derramado sobre um capanga no filme de 1987, deixando-o completamente desfigurado. Essa “desfiguração moral” à qual Padilha nos atira com o novo RoboCop é claramente um alerta diante do fascismo de uma nação cujas decisões poderiam ser capazes de afetar as vidas de todos nós, mesmo sem terem essa autonomia, um governo que se auto intitula no direito de interferir nas relações internacionais, impondo sua “paz”. E viva a democracia do cinema!

Roberto Oliveira
Gabriel Torres
Gabriel Torres

28 seguidores 5 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 21 de fevereiro de 2014
O filme RoboCop, de José Padilha, como a maioria deve saber é uma refilmagem de um clássico do cinema 'RoboCop - O Policial do Futuro' (1987). Hoje em dia há muitas pessoas que criticam refilmagens de filmes clássicos, já que são fascinados pelo bom e velho filme. Mas, nem todos os filmes que são regravados são necessariamente ruins. 'RoboCop' é um exemplo disso. O diretor brasileiro acerta em cheio em sua nova produção. O filme é recheado de bons efeitos, cenas de ação surpreendentes e uma enredo cativante.
A trilha sonora do filme é muito boa, principalmente quando toca a música "If I Only Had a Heart" (música épica para os verdadeiros fãs de cinema), que faz referência ao Homem de Lata do clássico 'O Mágico de Oz', de 1939, e a "Fly Me To The Moon (In Other Words)", de Frank Sinatra.
Os atores não se saíram EXTREMAMENTE bem, mas fizeram uma boa atuação, e a mesclagem com uma boa direção, enredo, efeitos e trilha sonora deixa isso quase invisível.
Enfim, José Padilha conseguiu alcançar uma meta: entreter e nos relembrar do clássico Homem-Robô.
Bruno L.
Bruno L.

9 seguidores 7 críticas Seguir usuário

2,5
Enviada em 2 de março de 2014
Esse robôcop e muito frouxo, quase não se tem cenas de ação, deveria ser programando para fazer serviços de casa como lavar chão e panela!
Tiago S.
Tiago S.

9 seguidores 5 críticas Seguir usuário

2,5
Enviada em 2 de março de 2014
Filme com muita expectativa mas mt fraco...vamos ver se terá sequência. ...José Padilha perdeu uma grande oportunidade de entrar melhor no mundo internacional do cinema
Jackson A L
Jackson A L

13.704 seguidores 1.245 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 12 de maio de 2016
Quem curtiu os Robocop´s anteriores, com certeza vai se amarrar também nesse. Na trama, estamos no ano de 2028. Já há vários anos os drones têm sido usados para fins militares mundo afora e agora a empresa OmniCorp deseja que eles sejam usados também para o combate ao crime nas grandes cidades. Entretanto, esta iniciativa tem recebido forte resistência nos Estados Unidos. Na intenção de conquistar o povo americano, Raymond Sellars (Michael Keaton) tem a ideia de criar um robô que tenha consciência humana, de forma a aproximá-lo à população. A oportunidade surge quando o policial Alex Murphy (Joel Kinnaman) sofre um atentado, que o coloca entre a vida e a morte. Um gfrande atuação do protagonista, que encara seu primeiro grande trabalho. A crítica fica por conta da armadura de cor preta, que na minha opinião, descaracterizou totalmente o Robocop e ainda faz lembrar do Homem Aranha 3.
Adriano Silva
Adriano Silva

1.614 seguidores 482 críticas Seguir usuário

3,5
Enviada em 28 de março de 2017
Quando falamos de Robocop o que vem em nossas cabeças? Claro que não é a musica dos Mamonas Assassinas e sim um grande clássico dos anos 80 em que mostrava todo poder de um homem em uma armadura robótica, o verdadeiro policial do futuro. Robocop marca a estréia de Jose Padilha, um grande diretor Brasileiro dirigindo pela primeira vez um filme Americano. Na minha opinião deram uma bomba na mão de Padilha e esperaram explodir. Robocop é um filme bom, mas poderia e tinha tudo para ficar excelente, tem um diretor que estreava em um filme Americano e vinha com muita vontade de acertar, tem um grande elenco, o que faltaria? Robocop peca muito no enredo, o filme é voltado totalmente para as brigas corruptas entre os políticos, o filme perde totalmente o foco do seu protagonista. Abbie Cornish consegue levar sua personagem Clara muito bem como a esposa apaixonada que procura respostas sobre todo ocorrido com Alex. Gary Oldman da um destaque a mais, Michael Keaton esta muito bem, assim como Michael K. Williams e Samuel L. Jackson que é sempre muito bom ve-lo atuando. Joel Kinnaman como Alex Murphy/RoboCop pra mim foi uns dos acertos do filme, ele conseguiu transmitir um Robocop enfurecido em vingança e muito bem trabalhado nas pouquíssimas cenas em que ele estava em ação (é um ponto que eu gostaria de destacar). Eu conheci Robocop sendo um policial do futuro voltado para os crimes, para investigação e prisão dos criminosos da cidade. Nessa versão temos um Robocop apático que a única coisa que tem em mente é fazer vingança, não temos aquelas cenas clássicas de um filme do Robocop. O filme força tanto em cima da parte política que chega a ficar chato. No começo temos as partes que são a favor das máquinas e as partes que são contra as máquinas, ai surge o atentado ao Alex e ele assume o Robocop e o filme cai no tédio mais uma vez em cima das discussões politicas em cima do próprio Robocop, o que ele deve e o que ele não deve fazer, o controle que querem ter sobre ele, as decisões que querem que ele tome. Enfim foi como destaquei no inicio, o filme tinha tudo pra dar certo mais não deu, criaram uma espectativa em cima que no fim não passou de apenas uma tentativa de trazer de volta um grande clássico que foi ROBOCOP.
Juarez Vilaca
Juarez Vilaca

2.918 seguidores 393 críticas Seguir usuário

3,0
Enviada em 24 de fevereiro de 2014
Um bom filme, bastante diferente do primeiro. Sem a surpresa do home-robô optaram por atualizar os problemas. Os bandidos ficaram mais dissimulados. Dependendo da perspectiva um mocinho poderia virar bandido e vice-versa. Os diálogos ficaram mais rápidos e as ações sem muitas explicações. De mensagem política apenas uma propaganda satírica da hegemonia americana no mundo. Vale a pena.
Kamila A.
Kamila A.

7.941 seguidores 816 críticas Seguir usuário

3,0
Enviada em 28 de março de 2014
Filme que marca a estreia de um dos melhores diretores brasileiros, José Padilha, no cinema hollywoodiano, “Robocop” é um remake de um dos maiores clássicos dos anos 80: “Robocop – O Policial do Futuro”, dirigido por Paul Verhoeven. A trama do longa dirigido por José Padilha parte de uma questão um tanto interessante. Estamos no ano de 2028. A empresa OmniCorp – capitaneada por Raymond Sellars (Michael Keaton) – é líder no segmento de tecnologia robótica. Os Estados Unidos já têm utilizado os drones produzidos pela empresa para fins militares, poupando muitas vidas humanas. Há a intenção de se aproveitar os drones dentro do próprio território norte-americano, criando uma força policial que, da mesma maneira, pouparia inúmeras vidas humanas. Porém, a OmniCorp tem como grande obstáculo para a consecução de seu objetivo a lei proposta pelo Senador Hubert Dreyfuss (Zach Grenier).

O pensamento de Dreyfuss tem muito fundamento. Os drones produzidos pela OmniCorp são máquinas dotadas de programas que permitem que elas sejam, basicamente, executoras de uma função, sem questionar a ordem que lhes é dada. Ao contrário do ser humano, que, para tomar uma decisão de, para entrar no contexto de ‘Robocop”, por exemplo, dar um tiro em alguém, passa por vários processos emocionais até chegar ao seu ato final. Portanto, para resumir algo que é muito complexo, a pergunta inicial por trás do roteiro de “Robocop” é a seguinte: poderão os robôs – que, é importante frisar, são passíveis de erros como os seres humanos, uma vez que programas podem ter códigos equivocados – adquirirem qualidades típicas dos homens?

É esse o grande desafio por trás da OmniCorp: desenvolver um policial que seja metade homem, metade robô e que cause empatia suficiente no grande público, de forma a reverter a opinião pública a seu favor, derrubar a Lei Dreyfuss e poder comercializar esses novos policiais, resistentes e imbatíveis e prontos para combater a criminalidade. É aí que entra a figura de Alex Murphy (o ator sueco Joel Kinnaman, no primeiro grande papel de sua carreira – apesar de ele ser conhecido pela série “The Killing”). Após ser gravemente ferido num atentado, ele é usado como “bode expiatório” para o primeiro modelo daquele que seria o Robocop, o projeto dos sonhos da OmniCorp.

É importante mencionar que Alex Murphy é o candidato perfeito para esse papel: pai e marido amoroso, e policial íntegro e comprometido com a sua função. Quando Alex Murphy passa a ser um homem dentro de uma máquina, o roteiro escrito por Joshua Zetumer é perfeito ao retratar a divisão que existe entre um lado e outro, a diferença da motivação entre um homem e uma máquina, a forma como Murphy passa a ser visto pelas outras pessoas (especialmente as que ele conhece bem) e a forma como o seu comportamento difere quando ele deixa um lado predominar perante o outro. Porém, a constatação mais importante que fica ao observarmos Alex Murphy na nova chance que ele recebeu é a de que o lado humano pode ser preponderante e influenciar o lado máquina, e vice-versa.

Apesar de ser um filme de ação/ficção cientifica propriamente dito, que trata de temas como corrupção policial, desejo de vingança e senso de heroísmo e de dever cumprido; ao mesmo tempo, “Robocop” é um longa diferente, por ter um roteiro que proporciona o espaço para que surjam reflexões como a que estamos fazendo em nossa resenha crítica. Discussões como o uso ético e apropriado das novas tecnologias nunca se tornam cansativas, por serem algo extremamente atual e por nos mostrarem realidades que poderão estar muito próximas a nós num futuro não muito distante.

Em termos cinematográficos, “Robocop” é um competente filme, que tem conflitos que causam empatia na plateia – apesar também do longa original ser muito querido pelos cinéfilos. Mesmo não acrescentando ou justificando a necessidade de uma refilmagem da história, é muito bom que filmes assim possam ser redescobertos por um público mais jovem – que não conhece, por exemplo, a obra de Paul Verhoeven. Porém, nos causa tristeza ver que o estilo ágil e de crítica social presente na obra de José Padilha (como comprovam “Tropa de Elite”, “Tropa de Elite 2” e o documentário “Ônibus 174”) foram totalmente engolidos por Hollywood. Que ele possa ser mais assertivo e ter mais liberdade na próxima oportunidade.
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