Média
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O filme trata de uma maneira sutil, mas firme, um periodo negro da história deste país. A visão inteligente e equilibrada a partir da realidade do menino, contrasta com a violencia que aparece apenas "en passant", mas que pulsa ameaçadora á volta de todos. Muitíssimo melhor que o filme ridículo de Roberto Benini (A vida é bela).
Mauro é um garoto de 12 anos, que é obrigado a deixar sua casa em Belo Horizonte. Seus pais, procurados pela ditadura militar, o deixam na casa do avô paterno, em São Paulo. Porém Mauro nem chega a encontrá-lo, já que o avô morre no mesmo dia em que é deixado. Schlomo, um judeu que é vizinho do avô de Mauro, passa a cuidar dele, a contragosto. Mauro passa então a viver a expectativa do início da Copa do Mundo de 1970 e a promessa dos pais de que voltariam para assistir a competição com ele. Mais um pedaço do que foi a tragédia brasileira chamada ditadura militar. "O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias" busca um olhar infantil sobre os acontecimentos de 1970, mesclando a paixão pelo futebol e a estranheza causada por fatos da época. É também um filme que busca falar sobre a ditadura de forma indireta, mostrando-a através da visão do garoto Mauro sobre o cotidiano, e usando o conhecimento que o espectador possui sobre o tema, que faz com que identifique situações por conta própria. De certa forma cai justamente no exemplo que comentei na crítica sobre "Crônica de uma Fuga", sobre filmes brasileiros que falam da ditadura. O que não o impede de ser um bom filme, apenas não se aprofunda no tema. O que, neste caso específico, nem era o foco do diretor Cao Hamburger. Destaque para a análise comparativa entre o futebol, paixão popular do brasileiro, e a questão política do país naquele momento, explorada também com bastante competência em "Pra Frente Brasil.
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