Você tem vários bons motivos para assistir O Lobo de Wall Street e sair do cinema com a sensação de que valeu a pena pagar por aquele programa. O primeiro é que esse é um filme de Martin Scorsese, só isso já é suficiente para deixar qualquer outro filme pra depois; segundo porque o elenco está afiadíssimo e em ótima sintonia, até aqueles sem muita importância; e terceiro, o filme é divertidíssimo.
O filme conta a história de Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio) que, por seis meses, trabalhou duro em uma corretora de Wall Street, seguindo os ensinamentos de seu mentor Mark Hanna (Matthew McConaughey). Quando finalmente consegue ser contratado como corretor da firma, acontece o Black Monday, que faz com que as bolsas de vários países caiam repentinamente. Sem emprego e bastante ambicioso, ele acaba trabalhando para uma empresa de fundo de quintal que lida com papéis de baixo valor, que não estão na bolsa de valores. É lá que Belfort tem a idéia de montar uma empresa focada neste tipo de negócio, cujas vendas são de valores mais baixos mas, em compensação, o retorno para o corretor é bem mais vantajoso. Ao lado de Donnie (Jonah Hill) e outros amigos dos velhos tempos, ele cria a Stratton Oakmont, uma empresa que faz com que todos enriqueçam rapidamente e, também, levem uma vida dedicada ao prazer.
Durante a projeção não será coincidência você lembrar de outro filme de Martin Scorsese, o clássico Os Bons Companheiros (Goodfellas, 1990), já que este novo trabalho do diretor adota, praticamente, a mesma estrutura (e, eu diria sem medo, que muitos fatos são muito parecidos). Os acontecimentos do filme são todos narrados pelo personagem Jordan Belfort (DiCaprio; completamente entregue ao papel e claramente se divertindo), mas sem que isso estrague a experiência do expectador, muito pelo contrário, acaba sendo um dos seus grandes méritos. Um exemplo disso está na cena em que Belfort olha diretamente pra câmera e tenta explicar um golpe para o expectador, imediatamente se interrompendo quando, basicamente, diz: “Vocês na estão entendendo nada, né?! Nem precisa, Isso quer dizer que vamos ganhar muito dinheiro.”
Aliás, o maior objetivo de Belfort e seus bons companheiros é claramente conseguir muito dinheiro para poder comprar a “vida dos sonhos”, que seria com direito a muitas mulheres (as que quiserem, e quantas quiserem), grandes mansões, iates, viagens e tudo isso regado a muitas drogas e bebidas. Claro que essas últimas não são nem um pouco recomendadas, e isso o filme deixa muito claro.
Falando nisso, O Lobo de Wall Street, recebeu críticas pesadas de parte da imprensa internacional, que se apóia no fato da palavra “fuck” ser proferida diversas vezes, e pelo filme não criticar de forma mais veemente o estilo de vida desregrada daqueles senhores. O que eu discordo e acho, no mínimo, equivocada.
Com uma bela fotografia levemente saturada, e tomada por uma paleta em que se destacam o dourado e o branco, o que traz certa vivacidade ao filme e uma clara referência ao poderio financeiro dos personagens. E uma trilha sonora apropriada, regada a muito rock n’ roll e uma pitada de jazz.
Vale destacar, também, o ótimo desempenho de Jonah Hill (Donnie), que faz o principal parceiro de Belfort (DiCaprio), com muita desenvoltura, e com direito a um notável trabalho de voz, estando presente nas cenas mais engraçadas do filme. E a pequena participação do excelente Matthew McConaughey, como Mark Hanna; que divide com DiCaprio uma cena com grande destaque cômico, durante um almoço.
Portanto, não perca tempo, corra pro cinema, se divirta e (porque não?) sonhe. Porque esse filme é um prato cheio pra quem é fã de Scorsese e gosta de embarcar em uma ótima história.