O Leitor
Média
4,3
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57 Críticas do usuário

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Sílvia Cristina A.
Sílvia Cristina A.

109 seguidores 45 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 8 de janeiro de 2013
O filme O leitor , do cineasta inglês Stephen Daldry , inspirado no best seller alemão homônimo , de Bernhard Schlink, é muito mais que um filme romântico. Ele é um filme verdadeiramente romântico. Diferentemente das milhares comédias açucaradas que transformam a intimidade em espetáculo , por meio de beijos aplaudidos por plateias de desconhecidos , O leitor devassa o amor através dos silêncios dos personagens. Remonta uma história entre dois amantes separados pelas circunstâncias , por meio de falas não pronunciadas , de imagens fragmentadas que exigem do espectador um olhar muito mais atencioso e sensível.
Nem tudo vem pronto e explicado neste filme que fala sobre o amor sob a perspectiva da culpa. Me parece que amor e culpa são dois temas realmente indissociáveis. Há quem pense que não existe amor sem culpa, sem ruptura , sem transgressão. O simples ato de amar pode ser considerado uma transgressão , pois nos faz rever valores , desmente nossas verdades , desorganiza as estruturas sociais. É uma bela bofetada bem no meio da cara de quem deseja ter tudo sob controle.
Como diria o cineasta espanhol Luis Buñuel , amor e revolta são as palavras mais revolucionárias que existem. Porém, O leitor não fala de uma culpa individual. Vai além dos sentimentos de Michael e Hanna e toma a dimensão da sociedade alemã , vinte anos após o término da Segunda Guerra Mundial. O amor parece algo proibido para um povo que participou de um genocídio. Tenho a impressão de que tanto o romance de Schlink como o filme de Daldry parecem redimir uma sociedade capaz de se entregar às mais ardentes paixões e aos mais profundos amores , mesmo em meio aos horrores de um período histórico tenebroso .
Depois de passar a vida assistindo a filmes sobre o holocausto, sempre me pareceu impossível um carrasco nazista ter se apaixonado ou ter sido capaz de um gesto verdadeiro de bondade e ternura. Não é apenas o amor que desmente as nossas verdades . O cinema e O leitor também desconstroem nossas crenças mais arraigadas, por meio de uma ex-carrasca nazista que se torna o grande amor da vida de um homem. Hanna , cúmplice da morte de 300 mulheres oficialmente , sem falar nas outras que conduziu para Auschwitz, é tão capaz de amar como qualquer outra mulher . Seu amor é desajeitado. Hanna é uma mulher rude , mas nem por isso desprovida de afetividade. Podemos ver a sua gentileza dura , logo em uma das primeiras cenas , quando ajuda Michael, adoecido na entrada de sua casa. O abraço que oferece ao garoto desconhecido e assustado tem a firmeza de quem é capaz de se solidarizar profundamente. Entretanto, em nome do dever e do cumprimento das regras , alguns anos antes , permitiu que 300 mulheres judias morressem queimadas. Hanna foge ao estereótipo do carrasco nazista , sádico e impiedoso. Ela participou de algo terrível que não conseguia compreender completamente, embora em um momento da trama , fique clara a ideia de seu entendimento e da inutilidade de sua culpa, por meio das frases “Não importa o que eu penso. Não importa o que eu sinto. Os mortos continuam mortos.”
A dor da perda transforma Michael , um garoto ingênuo e romântico, capaz de expressar seu amor despudoradamente , em um homem tragado pela solidão e pelo abandono . Depois de Hanna , nenhuma outra mulher foi capaz de preencher o vazio deixado em sua vida, nem mesmo a sua esposa e a sua filha, com quem ele se aproxima apenas no final da trama. Michael se distanciou de todos. Se distanciou dele mesmo.
O leitor quebra a dinâmica maniqueísta de mocinhos e vilãos. O amor da vida de Michael, um advogado culto, inteligente e bom caráter , é uma ex-carrasca nazista , 20 anos mais velha , analfabeta em uma sociedade letrada , em que não saber ler e escrever pode ser uma culpa tão grande e vergonhosa , quanto ter cometido um crime.
O leitor precisa ser entendido no contexto da Alemanha ocidental, pós-guerra. Alguns dos gestos , atitudes e não atitudes dos personagens , só tem significado para aquela sociedade , para aquela cultura que como qualquer outra sociedade e cultura tem os seus paradigmas. Podemos dizer que a grande prova de amor que Michael oferece a Hanna é uma não atitude , uma omissão. Ele não a ajuda a se livrar de uma condenação injusta , porém, preserva o seu segredo . É no silêncio mais uma vez que se refugia o amor em O leitor.
Se combater o analfabetismo é uma questão em processo em nosso país , o mesmo não acontece na Europa Central em que é inadmissível não saber ler e escrever. Para aqueles que se prenderem aos valores e verdades da nossa cultura , O leitor pode soar como inverossímil. Para quem nunca se questionou sobre os mecanismos do amor , o mesmo pode ocorrer. Será que sempre amamos o mais adequado a nós? Será que sempre amamos o mais valoroso, o mais altruísta , o mais belo, inteligente , culto e generoso? Mais que uma aula sobre um povo estigmatizado , é uma releitura sobre a dinâmica imprevisível do desejo.
Neuton Gama
Neuton Gama

4 seguidores 24 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 9 de fevereiro de 2012
Um Filme excelente, já assisti 2 vezes. A atuação da Kate Winslet é excepcional. A trama do filme tem fatos históricos que nos fazem pensar sobre temas como A VIDA, JUSTIÇA SOCIAL E IGUALDADE ENTRE AS ETNIAS E CRENÇAS. O romance existente nesse filme não foi o ponto alto na minha opinião e sim o momento em que Hanna(a personagem de Kate Winslet) é julgada e condenada a prisão perpétua por supostamente liderar um grupo de Nazistas que matou mais de 300 mulheres na Alemanha. Dou nota 10 para esse grande filme.
Condessa de Monte Cristo
Condessa de Monte Cristo

10 seguidores 65 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 9 de fevereiro de 2012
...Simplesmente divino! Mas o final poderia ter sido feliz :(
anônimo
Um visitante
5,0
Enviada em 9 de fevereiro de 2012
Maravilhoso! Mais um grande filme do aclamado Stephen Daldry, que soube aqui construir um cenário perfeito para o surgimento de uma história de amor formentada em pouco espaço de tempo, mas que deixou marcas em seus protagonistas e perpetua pelo resto de suas vidas, afetando o relacionamento com as pessoas que os circundam. Não somente a história de amor é tratada, mas também a natureza humana em um tema super delicado: as mortes causadas na Segunda Guerra Mundial, onde o diretor pode questionar os sentimentos e como as pessoas devem ser julgadas pelos seus atos, não importando se a pessoa é analfabeta e se tinha ciência plena do que fazia. Nossa vida é feita das atitudes, de nossas ações, sendo indiferente o grau de instrução das pessoas. As pessoas são más tendo ou não a instrução necessária. Fato é que todos temos o bem e o mal dentro de cada um de nós, o grande segredo é saber qual estrada pegar na jornada.

A bonita história de amor se desenvolve por muitos anos. Não há dúvida que afetou os dois profundamente, mas algumas atitudes colocam o espectador em dúvida se esse amor era tão profundo assim, como o fato dele não revelar ao júri o segredo de Hanna, do sentimento de pena que ele sentiu ao reencontrá-la anos mais tarde. As revelações no julgamento fizeram-no ter nojo de Hanna? Afinal o que sobrou dos sentimentos dele por ela ao final?

É um grande filme, que deixa algumas perguntas no ar na cabeça do espectador que podem ter interpretações distintas e é esse o grande mérito do filme: o poder de questionamento e de reflexão sobre as atitudes dos personagens e suas motivações para agirem como agiram. É sem dúvida um grande roteiro com uma narrativa não-cronológica muito interessante, a edição é ótima, assim como a fotografia, trilha sonora e direção de arte. Aplausis para Stephen Daldry e para o excelente elenco, especialmente é claro para Ralph Fiennes, David Kross e Kate Winslet, todos magníficos em cena.

Um grande filme sobre a natureza humana e sobre o amor. Para quem gosta de cinema "O Leitor" é imperdível!
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