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SERGIO LUIZ DOS SANTOS PRIOR
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293 críticas
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2,5
Enviada em 9 de fevereiro de 2012
Selton Mello deu a alma por este filme: incorporou o seu personagem, Lourenço; não cobrou cachê pelo seu trabalho; ainda foi co-produtor. De certa maneira, Selton funciona no cinema como uma espécie de Robin Hood, arrecadando dinheiro nos seus trabalhos em novela e na propaganda para gastá-lo - e muito bem - na 7a arte. O roteiro foi baseado no livro homônimo de Lourenço Mutarelli, um escritor e cartunista, tem como protagonista um sujeito indiferente àqueles que o cercam. Só para se ter uma idéia, Lourenço fala para sua noiva às vésperas de seu casamento: "Eu não gosto de você. Nunca gostei. Não gosto de ninguém". O nosso anti-herói trabalha num galpão onde aqueles que estão desesperados por dinheiro vão negociar seus objetos. Instrumentos musicais, relógios, caixinhas de música, além de todo tipo de quinquilharia é negociada naquele espaço. A frieza de Lourenço nas negociações é calculada. A única situação que o deixa constrangido é o cheiro que vem do ralo do banheiro, situado a alguns metros da mesa onde trabalha. Nenhum dos visitantes faz menção ao cheiro. É o próprio Lourenço que se auto-denuncia. Melhor sentir um odor desagradável vindo do banheiro do que de sua própria personalidade. Não pensem, entretanto, que estamos diante de um filme pesado, daqueles de Ingmar Bergman. Muito pelo contrário, é hilário. A melhor parte é quando Lourenço se apaixona por uma bunda (no caso a da atriz Paula Braun), garçonete do boteco situado próximo ao seu local de trabalho. Quando a moça "da bunda" descobre que o desejo de Lourenço é por um específico local de sua anatomia lhe dá um sabão, falando que isso é imoral, etc. Outra obsessão de Lourenço é um olho de vidro que ele imagina ter sido de seu pai. Tudo nele funciona como uma metonímia: a bunda representa a mulher da bunda; o olho representa o pai. Graças a Deus o filme não cai num psicologismo fácil de querer investigar seu modus vivendi como tendo raízes na sua infância infeliz. Temos diante de nós um anti-Macunaíma globalizado, um ser mesquinho, que apesar de tudo consegue não ser odiado pelo público que o assiste. Brilhante!
Assisti ao filme na 10 mostra de Tiradentes nesse ano. Realmente surpreendeu ao público pela inovação e pelo humor sarcástico da trama. Ótima atuação de Selton Mello e da atriz que faz o papel da drogada (sem mostrar que é).
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