Lilith,
a primeira mulher de Adão, criada do mesmo barro original. De natureza indomável, selvagem, caótica, primordial, de impulsos sexuais não reprimidos por uma educação castradora, não poderia jamais ser dominada por um igual. Lúcifer se apresenta a ela, seduzindo-a, demonstrando que como ela, ele também tinha um caráter selvagem, questionador, opositor, "baderneiro" ( como se diz pelos jornais). Lilith é diferente de Eva, que era submissa, que não era da mesma matéria-prima original, vinha de alguém anterior e que por isso lhe devia respeito e submissão, sendo essa da costela de Adão; em Gênesis, Versículo 23 está escrito: "Disse então o homem: Esta, sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne! Ela será chamada mulher, porque do homem foi tirada. Lilith, também é associada à serpente, que aliciou Eva, posteriormente. Por isso, Lilith ser considerada pela cultura judaico-cristã como um Demônio, o primeiro criado por Lúcifer. A natureza então era visto como o reino do caos, das pulsões primordiais, dos ímpetos selvagens. A Natureza e a mulher são amplamente retratadas em iconografias referente à Inquisição, Feitiçaria, religiões pagãs, como bruxas realizando sabbaths no meio da floresta durante a noite, em orgias, violando virgens, etc. Deformidades físicas em rebentos, logo evidenciavam que a criança era amaldiçoada ou que a mãe era uma bruxa. A Floresta escura pode ser tomada como o subconsciente e o consciente inexplorado, o indizível o inconfessável. A mulher independente, visceral, selvagem sempre causa estranheza numa sociedade judaico-cristã, onde a obediência e a submissão são regras de ouro. As fogueiras continuam acesas, a independência feminina continua a ser incendiada nas inquisições modernas. O difícil mesmo é aceitar que Adão, Lilith, Eva, Lúcifer, Deus, o caos e a ordem, a luz e as trevas, A Casa e a grama estão todos dentro de nossa mente-coração. E que explorar cada canto desta floresta pode ser amedrontador e doloroso, mas também redentor.