O filme “Pequena Miss Sunshine (Little Miss Sunshine, 2006)” é um exemplo da fórmula de filme independente: família problemática em uma situação bizarra. O roteiro de Michael Arndt joga o espectador para dentro de uma jornada nada convencional. A fórmula de road trip é indiscutivelmente bem sucedida ao ser projetado nela um estudo profundo da concepção de família, tanto em seu conjunto quanto em sua individualidade. Mesmo com tantos personagens e sub-arcos, o centro da história espelha-se de verdade na trajetória de Olive(Abigail Breslin) a ingênua e adorável filha dos Hoover; a absoluta alma de um filme graciosamente revitalizante. Mesmo pequena, Abigail Breslin contagia o público ao representar uma garotinha que, embora propensa a inseguranças, consegue subjugar seus medos, tão poderosos para a sua mente quanto os medos adultos são para as mentes de pessoas adultas. A diferença é que, enquanto a maior parte dos adultos fazem seus próprios calvários perdurarem, Olive encontra a chave para contornar seus temores, e de sobra, contornar os maiores pesadelos de seus entes queridos. Mesmo conduzido por algumas vias questionáveis, Pequena Miss Sunshine, um feel-good movie de alto escalão, surpreende intensamente ao trazer um casting espetacular, um roteiro comprometido, uma emotiva trilha sonora e uma direção proficiente. Na missão da menina em tornar-se a Pequena Miss Sunshine, os membros da família se redimem, não ao resolverem seus problemas, mas ao encontrarem paz nas pessoas com quem caminharão pelo mar de desafios trazidos pela vida. O filme nos leva a fazer uma longa reflexão sobre a vitória, um dos motivos pelo qual ele é tão recomendado, e traz como mensagem que: a vitória, afinal, não está na ausência de derrotas, mas na intenção de manter-se firme perante os obstáculos, que mesmo lhes derrubando, não precisam necessariamente destroçar a esperança, que aos trancos e barrancos, há de sempre restar. Pelo fato da belíssima mensagem e reflexão, acaba-se estimulando o desejo de “devorar” essa insuperável obra.