Magnificamente interpretada pela atriz Helen Mirren, a Rainha Elizabeth II, da Inglaterra, realmente é uma figura enigmática, como deve ser todo monarca, independentemente de ter poder absoluto ou não. O filme fala de um episódio único na vida dessa monarca britânica, ou seja, aquele fatídico episódio da estranha morte da princesa Diana, num túnel de Paris, ao lado de seu namorado o egípcio Dodi Al-Fayed. A morte da princesa é, ao mesmo tempo, plano secundário e principal dessa estória, na medida em que iria expor ao público inglês e mundial a personalidade da rainha e por em cheque a continuidade da monaraqui naquele país. No primeiro plano está a rainha, com sua personalidade conservadora, seus valores monárquicos inabaláveis, seu inconformismo com a popularidade de Diana e até um pouco de ciúmes de seus súditos, que se mostram mais apaixonados por uma "plebéia" do que pela própria soberana, que deveria ser a pessoa mais amada da nação. Isso a atriz aclamada pela crítica mostra com maestria. Para ela, ficou muito claro, o maior valor que todos deveriam preservar era a monarquia, a familia real, não a morte de uma criadora de escândalos, ainda que fosse a mãe do futuro rei. E todos esses conflitos emocionais se vêm bem dramatizados por Mirren, merecedora do oscar de melhor atriz. O segundo plano é o da popularidade da princesa de Gales e o poder da opinião pública, que pode derrubar reis e ditadores. Estória interessante, valorizada pela bela fotografia. Um deleite para os olhos.