Em "Imperium", o cineasta Sergei Loznitsa revisita a história soviética por meio de imagens de arquivo registradas por cinegrafistas italianos no início dos anos 1970. Descobertas no Arquivo Audiovisual do Movimento Operário e Democrático, em Roma, essas filmagens oferecem um olhar singular sobre a vida cotidiana na União Soviética, distante das representações oficiais produzidas pelo regime. Ao recuperar cenas que revelam comportamentos, ambientes e relações pouco explorados pela propaganda estatal, Loznitsa estabelece um contraste revelador entre a experiência vivida e a imagem cuidadosamente construída pelo poder. O resultado é um retrato histórico que questiona a memória oficial e lança nova luz sobre um período marcado por controle, ideologia e aparências.